Fuga de jiboia em bairro residencial de Buenos Aires é divulgada em cartazes, e história tem reviravolta

Fuga de jiboia em bairro residencial de Buenos Aires é divulgada em cartazes, e história tem reviravolta

Fonte: Bandeira



A história começou nas ruas de Colegiales, bairro residencial de Buenos Aires, Argentina.

Nos últimos dias, cartazes colados em postes de luz e fachadas de casas alertavam para o desaparecimento de "Piti", uma suposta jiboia com mais de três metros de comprimento que teria escapado da casa de um vizinho.

O aviso despertou curiosidade e preocupação entre os moradores do bairro.

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Dias depois, a história tomou um novo rumo.

Um panfleto começou a circular em grupos de WhatsApp com uma mensagem impossível de ignorar: “Não quer sair de casa porque tem uma jiboia à solta? Não se preocupe.

Eu passeio com seus cachorros com muito amor, paciência e responsabilidade, enquanto você fica em casa em segurança".

Muitos acreditaram que se tratava de um novo alerta sobre a cobra e não hesitaram em encaminhá-lo.

Somente horas depois se descobriu que a história da jiboia à solta era, na verdade, uma campanha publicitária de um passeador de cães tentando promover seus serviços.

A campanha publicitária funcionou muito bem.

Deixou particularmente inquietos os donos de animais de estimação.

Marta Laborda, moradora da região há mais de vinte anos, vive com dois gatos que passam boa parte do dia no pátio do seu prédio.

— A verdade é que o fato de haver uma jiboia à solta me causa muita ansiedade.

Não sei como alguém pode ter um animal desses como bicho de estimação e depois vê-lo escapar — disse ela ao La Nacion na manhã de segunda-feira (20).

A poucos quarteirões de distância, um homem que passeava com seu cachorro também acreditou na mensagem.

— A notícia me surpreendeu bastante.

Não é que eu tenha medo de sair, mas a gente anda diferente.

A gente presta mais atenção em jardins, obras, garagens abertas.

Desde que disseram que está à solta, a gente fica mais atento — explicou ele enquanto passeava com seu animal de estimação pela região.

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A cena se repetiu por toda a vizinhança.

Enquanto alguns falavam com preocupação sobre a suposta cobra, outros seguiam com suas rotinas, completamente alheios a uma história que já circulava amplamente em diversos grupos de WhatsApp.

Jogada de marketing: passeador de cães inventou a história da jiboia perdida em Colegiales, bairro residencial de Buenos Aires, Argentina

Reprodução

A notícia falsa foi alimentada por seu criador, que mentiu quando questionado pela mídia.

No fim de semana, uma agência de notícias argentina contatou o número de telefone listado no cartaz do animal perdido.

O suposto dono disse:

— Ele responde ao nome, apesar de ser um réptil.

Ele também enfatizou:

— Desapareceu na quinta-feira por volta das 16h.

Nós o temos há muitos anos, desde que ele tinha dois metros de comprimento.

Uma escalada judicial

A denúncia falsa resultou em processo judicial.

No sábado à noite, entre 20h e meia-noite, três vizinhos registraram queixa sobre o suposto desaparecimento da jiboia.

Anteriormente, a Promotoria Especializada em Crimes Ambientais e Maus-Tratos a Animais havia sido alertada por vizinhos que viram o cartaz.

Sob a direção da promotoria, a 13ª Delegacia e a Unidade de Crimes Ambientais da Polícia iniciaram a investigação do caso.

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Segundo informações obtidas pelo jornal La Nacion, não foi possível contatar o número de celular que constava no cartaz que relatava o desaparecimento durante o fim de semana.

Finalmente, conseguiram contato na manhã de segunda-feira.

O passeador de cães atendeu.

Questionado sobre o suposto animal solto, o jovem admitiu que se tratava apenas de uma jogada publicitária.

O jornal também o contatou:

— Foi uma propaganda que saiu do controle; estou avisando os vizinhos para que fiquem tranquilos — disse ele.

Talvez o sucesso do panfleto tenha uma explicação simples.

Colegiales conserva muito do seu caráter residencial.

Em poucos quarteirões, casas térreas, sobrados com longos corredores, pátios repletos de plantas, garagens abertas, terraços interligados e construções em andamento coexistem, alterando lentamente a aparência do bairro.

Há jardins, muros divisórios cobertos de trepadeiras, cantos escuros e canteiros de obras com pilhas de materiais.

Uma cena que, por alguns segundos, fez a ideia de uma cobra escondida parecer um pouco plausível.

Na manhã de segunda, antes de se saber que a história da jiboia era falsa, a vida na zona de Céspedes e Zapiola seguia com a sua tranquilidade habitual.

Operários da construção civil entravam nos seus locais de trabalho, entregadores faziam entregas e os moradores faziam as suas compras diárias.

No entanto, várias pessoas passeavam pelas redondezas, observando com atenção os jardins, os canteiros de flores e as garagens abertas.

A jiboia-argentina (Boa constrictor occidentalis), também conhecida como lampalagua, é uma serpente típica da região seca do Chaco, na Argentina.

Ela não é venenosa.

Como todas as jiboias, captura suas presas por constrição: envolve-as com o corpo e aplica pressão até que não consigam respirar.

Na natureza, alimenta-se de pequenos mamíferos, aves e répteis.

As fêmeas podem ultrapassar os quatro metros de comprimento e, embora seu tamanho imponha respeito, os especialistas concordam que elas geralmente não atacam pessoas nem as consideram presas.

No entanto, como qualquer animal selvagem de grande porte, elas podem se defender ao se sentirem ameaçadas ou encurraladas.