FT: Com escassez provocada pela guerra com os EUA, Irã elevará preços da gasolina

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Fonte da notícia: Valor Valor

O Irã elevará parte dos preços da gasolina enquanto o governo tenta enfrentar uma escassez de combustível agravada pela guerra e pelo bloqueio naval dos Estados Unidos. A medida, potencialmente impopular, deve pressionar a inflação já elevada no país.

Os combustíveis são fortemente subsidiados no Irã e estão entre os mais baratos do mundo. Cada motorista tem uma cota de 110 litros de gasolina por 30 mil riais iranianos (US$ 0,013) o litro.

Leia mais: Irã diz que instalações de empresas de energia dos EUA estão ‘expostas’ Emirados Árabes Unidos dizem que exportações de energia não serão 'reféns' da guerra entre Irã e EUA Chefe de Segurança do Irã anuncia nova zona de restrição marítima no Golfo Pérsico A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, anunciou que, embora a cota seja mantida, os preços da gasolina acima desse limite serão dobrados a partir de terça-feira, dos atuais 50 mil riais para 100 mil riais por litro.

Mohajerani disse que "o aumento do consumo e o desequilíbrio entre oferta e demanda" tornaram o reajuste inevitável. Além disso, acrescentou que "toda a renda obtida com a alta dos preços será usada para apoiar a renda da população".

Apesar de possuir enormes reservas de petróleo e gás, a capacidade limitada de refino do Irã e o consumo excessivo - impulsionado por um sistema de transporte público precário e carros pouco eficientes - levaram o governo, nos últimos anos, a importar gasolina para cobrir a diferença entre oferta e demanda.

A situação, no entanto, se agravou especialmente desde o início da guerra com Estados Unidos e Israel, em fevereiro. O Irã perdeu parte de sua capacidade de refino em ataques contra instalações petrolíferas e petroquímicas no início do conflito, enquanto o bloqueio americano a portos do sul do país — em vigor em grande parte desde abril — dificultou as importações de combustível, obrigando o governo a recorrer às reservas estratégicas.

O presidente do país, Masoud Pezeshkian, tem alertado reiteradamente que os atuais preços subsidiados são insustentáveis e impõem forte pressão sobre a economia. Muitos iranianos, porém, veem a gasolina barata como um direito adquirido, e um aumento repentino dos preços em 2019 provocou protestos violentos em todo o país, com mortes.

Economistas alertam para os efeitos em cadeia de uma alta dos combustíveis sobre os preços de bens e serviços, num momento em que a inflação em 12 meses se aproxima de 90% e a moeda nacional despencou para o menor nível da história, a 2,25 milhões de riais por dólar.

Mohammad Sadegh Azimifar, presidente da estatal Companhia Nacional Iraniana de Refino e Distribuição de Petróleo, disse que a produção doméstica de gasolina aumentou recentemente para os “maiores níveis da história”, mas o país ainda enfrenta um déficit diário de 10 milhões de litros.

Segundo ele, “85% da população não será afetada por essa mudança de preço, que só valerá para o consumo de combustível acima do padrão considerado normal”.

EUA e Irã estão há meses em um impasse em torno do Estreito de Ormuz. No último mês, Washington mudou sua estratégia e passou a intensificar a pressão econômica para tentar isolar Teerã, ampliando sanções secundárias contra parceiros comerciais iranianos e ameaçando adotar novas medidas.

Teerã, porém, trabalha há décadas para desenvolver o que chama de “economia de resistência”, concebida para suportar sanções mesmo que isso signifique administrar um agravamento das dificuldades econômicas para os 90 milhões de habitantes do país.

O principal responsável pela segurança do Irã, Mohsen Rezaei, disse na televisão na noite de domingo que o país continuava recebendo receitas do petróleo apesar do bloqueio naval americano.

A declaração pareceu se referir a estoques flutuantes de petróleo bruto mantidos fora da área do bloqueio, que o Irã conseguiu embarcar durante uma breve suspensão das restrições americanas ao petróleo após um acordo de curta duração entre Teerã e Washington, em junho.

“Estamos vendendo cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia e estamos recebendo por isso”, disse. “Quem disse que as exportações de petróleo do Irã pararam e que suas reservas em moeda estrangeira secaram?”

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