Frio, vento e gás transformam Patagônia em novo alvo de megacentros de dados

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

A Patagônia argentina começou a atrair uma nova onda de projetos de data centers de grande escala. Empresas de energia e infraestrutura estudam instalar complexos capazes de consumir centenas de megawatts na região, atraídas por uma combinação de clima frio, energia renovável, gás de Vaca Muerta e grandes extensões de terra. Os projetos ainda estão em estágios diferentes de desenvolvimento, e vários dependem de captação de recursos, obras de infraestrutura e decisões finais de investimento. Mesmo assim, os planos já colocam a região no radar da corrida global por capacidade computacional para inteligência artificial, segundo reportagem da Reuters. Em Neuquén, a Pampa Energía avalia instalar um data center junto à usina térmica de Loma de la Lata, com consumo de até 500 MW e abastecimento ligado ao gás de Vaca Muerta. Segundo Rubén Turienzo, diretor comercial de eletricidade da companhia, somente a infraestrutura elétrica necessária para essa capacidade poderia custar perto de US$ 900 milhões. A americana FlexDomes também procura investidores para um projeto em Neuquén. A primeira etapa prevê 120 MW de carga de tecnologia da informação e investimento estimado em US$ 1,4 bilhão, de acordo com Gabriel Obrador, representante da empresa na Argentina. Projetos chegam a bilhões de dólares Na província de Chubut, a polonesa Green Capital anunciou planos para uma instalação cuja primeira fase teria 300 MW e custo de US$ 3 bilhões. Segundo a empresa, o complexo poderia chegar futuramente a 3.000 MW, embora essa expansão ainda dependa do avanço do projeto. Os planos se somam ao Stargate Argentina, iniciativa anunciada anteriormente pela OpenAI e pela Sur Energy. As duas companhias assinaram em outubro de 2025 uma carta de intenção para explorar um grande projeto de data center no país. A Sur Energy lideraria o desenvolvimento energético e de infraestrutura, enquanto a OpenAI estuda a possibilidade de se tornar compradora da capacidade do complexo. O anúncio inicial falava em investimento potencial de até US$ 25 bilhões, mas a própria OpenAI descreveu o acordo como uma iniciativa ainda em avaliação, e não como um projeto definitivamente contratado. A escolha da Patagônia tem uma lógica econômica clara para os data centers. Temperaturas mais baixas podem reduzir os gastos com refrigeração, enquanto Neuquén combina acesso a hidrelétricas e ao gás de Vaca Muerta. Em Chubut, o potencial de geração eólica também pesa nas decisões de investidores. Infraestrutura ainda é obstáculo A Argentina parte atrás de outros mercados latino-americanos na infraestrutura de data centers de grande porte. Chile e Uruguai, por exemplo, já atraíram instalações relevantes de empresas globais, enquanto os projetos argentinos ainda enfrentam limitações de conexão, transmissão de energia e financiamento. Executivos e autoridades ouvidos pela Reuters também apontaram a necessidade de estabilidade regulatória e econômica para transformar os anúncios em obras. O governo argentino tenta usar o regime de incentivos a grandes investimentos, conhecido como RIGI, para atrair capital estrangeiro ao setor. Em Neuquén, autoridades locais dizem que o objetivo é criar um cluster de data centers que possa atrair novos projetos depois da instalação dos primeiros complexos. Por enquanto, porém, boa parte dos investimentos anunciados ainda depende de financiamento e decisões finais de construção. Mais Lidas

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