África deve se partir em dois continentes no futuro, com formação de novo oceano, aponta estudo

 

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Um segmento do leste da África pode estar mais próximo de se separar do restante do continente do que estimativas anteriores indicavam, segundo estudo publicado no último dia 23 na revista Nature Communications. A pesquisa aponta que a crosta terrestre na região analisada é mais fina do que se imaginava, sinalizando um estágio mais avançado do processo de ruptura continental.

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O foco do estudo é o Rift de Turkana, uma faixa de cerca de 500 quilômetros que atravessa áreas do Quênia e da Etiópia. A região integra o Sistema de Rift da África Oriental, onde três placas tectônicas se encontram e duas delas se afastam gradualmente. Esse movimento, ao longo de milhões de anos, deve levar à divisão do continente africano e à formação de um novo oceano entre as massas de terra separadas.

Afinamento da crosta indica avanço do processo

De acordo com os pesquisadores, a crosta terrestre no centro do Rift de Turkana tem aproximadamente 13 quilômetros de espessura — valor significativamente menor do que os mais de 35 quilômetros observados em áreas adjacentes. Esse afinamento é interpretado como um sinal de que a região está passando por um processo conhecido como “estrangulamento” da crosta, no qual a estrutura se torna mais fina e frágil à medida que as placas tectônicas se afastam.

— Identificamos que o processo de separação nessa zona está mais avançado e que a crosta é mais fina do que se reconhecia anteriormente — afirmou Christian Rowan, autor principal do estudo e doutorando em Ciências da Terra e Ambientais na Columbia University.

Para chegar às conclusões, a equipe combinou observações de campo com técnicas de reflexão sísmica de alta resolução, que utilizam ondas sonoras para mapear estruturas subterrâneas. Os dados também indicaram sinais de eventos anteriores de abertura da crosta na região, o que pode ter contribuído para enfraquecer ainda mais o terreno.

Segundo os autores, os resultados desafiam modelos tradicionais sobre a forma como os continentes se fragmentam ao longo do tempo geológico.

— A região parece estar em um limiar crítico dentro do processo de separação — afirmou Anne Bécel, coautora do estudo e pesquisadora do Observatório Lamont-Doherty, também ligado à Columbia.

Apesar do avanço identificado, os cientistas ressaltam que a divisão completa do continente não é iminente. O processo de abertura do Rift da África Oriental teve início há cerca de 45 milhões de anos e ainda deve levar milhões de anos para se concretizar — um intervalo considerado curto em escala geológica, mas distante da realidade humana.

A região do Rift de Turkana também é conhecida pela relevância arqueológica, sendo um dos principais locais de descoberta de fósseis humanos antigos, como o chamado “menino de Turkana”.