O Ueno Bank fechou as portas nesta semana no Paraguai e deixou quase 3 milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. A crise levou o presidente Santiago Peña a renunciar ao cargo e culminou na prisão preventiva de oito executivos e ex-executivos da instituição financeira.Conforme apuração do jornal Hoy, uma análise técnica da Superintendência de Bancos do Paraguai revelou fraudes contábeis na entidade.
A investigação constatou a simulação da venda à vista de uma carteira de créditos inadimplentes avaliada em US$ 74,4 milhões para burlar normas do Banco Central do Paraguai (BCP).Leia maisAtaque hacker ao Paraguai causa saia justa ao BrasilPresidente do Paraguai cobra respeito após denúncia de espionagem da AbinParaguai convoca embaixador brasileiro para esclarecer ataque hackerO BCP decretou intervenção após considerar o banco insolvente.
A instituição financeira atendia cerca de 40% da população do país e geria quase US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores da Previdência e do Ministério da Saúde. Em sessão extraordinária nesta quinta-feira, a Câmara dos Deputados rejeitou o processo de impeachment aberto contra Peña, que foi sócio do grupo controlador até março de 2025.Manobra com empresas intermediáriasA apuração apontou que o Ueno ultrapassou os limites de crédito para companhias do mesmo grupo econômico, envolvendo Grupo Hendy, Grupo M e Mowi.
O regulador exigiu a regularização imediata do quadro. Diante do cenário, o banco articulou a transferência dos créditos em atraso para a Vinanzas S.A., empresa vinculada ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno.Como a legislação veda o financiamento bancário para compra de ativos por empresas do mesmo grupo, o negócio demandava pagamento à vista.
A compradora dispunha de apenas US$ 93.828 em suas contas bancárias no dia anterior. Uma operação montada em 15 de junho viabilizou os recursos por duas vias:repasses diretos: o Ueno concedeu empréstimos de US$ 20 milhões à Satec e US$ 35 milhões à HD Invest E.A.S., quantias transferidas no mesmo dia para a Vinanzas.triangulação com títulos: empréstimos repassados a Factopar (US$ 6,84 milhões), Technoma S.A.E.C.A.
(US$ 10 milhões) e La Tropa Fletes E.A.S. (US$ 10 milhões) compraram papéis de ITTI S.A.E., Kasas Propiedades S.A.E., Grupo Vázquez S.A.E.
e Model S.A., firmas que injetaram US$ 21.061.604,13 na Vinanzas.Com as manobras, a conta da Vinanzas registrou US$ 76.061.604,13 ao fim daquele dia. O banco omitiu das autoridades que o dinheiro da quitação vinha de empréstimos concedidos pela própria instituição.Posicionamento da defesaA defesa de Juan Manuel Gustale, presidente do Ueno, declarou que ele desconhecia a destinação do dinheiro.
O advogado José Fernández Zacur atribuiu as inconsistências aos setores operacionais e técnicos, como comitês de risco e gerência de crédito, afirmando que a cúpula não define quem recebe os financiamentos.Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
Correio Braziliense