Francis Hime e Simone fazem primeiro show juntos no Rio: 'Gostoso', diz ela

 

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A jovem Simone era contra fazer crediários, para não ficar endividada, mas abria uma exceção para comprar discos. Um que comprou, em 1973, foi “Francis Hime”, o primeiro do compositor, cantor, pianista e arranjador. Fascinada, tentava tocar ao violão “Minha”, parceria de Francis com Ruy Guerra que viria a ser gravada até pelo pianista americano Bill Evans.

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Em maio, pela primeira vez, Simone interpretará “Minha” em público, e acompanhada por Francis ao piano. Será nos shows que eles farão nas quatro terças-feiras do próximo mês, a começar pelo dia 5, sempre às 20h. Também é a primeira vez que ela se apresentará no Teatro Ipanema, no Rio, onde vem sendo realizada a série Terças no Ipanema. E, ainda, é a primeira vez dos dois num show só deles, sem outros cantores participando.

Simone, ainda com apenas dois discos no currículo, conheceu Francis em 1975, nas gravações da trilha de “Dona Flor e seus dois maridos”, filme de Bruno Barreto que estrearia no ano seguinte e atrairia mais de dez milhões de espectadores. Simone foi convidada para cantar “O que será”, de Chico Buarque, nas três versões da letra, com arranjo de Francis.

— Conheci Francis e Chico no mesmo dia. Já foi tudo junto — recorda ela. — Mas eu já adorava as músicas do Francis. Admirava como compositor, como pianista. Ali, vi tocando, passando a música, e levei um susto com aquela grandiosidade.

Respeito à versão de Elis

O agora amigo de cinco décadas então mal conhecia a cantora, que ainda não completara 26 anos.

— Fiquei impressionado com aquele timbre tão bonito. É uma das grandes cantoras do Brasil — exalta.

“O que será (À flor da terra)” — talvez com um trecho da versão “À flor da pele”, cogita Simone — não faltará nas apresentações de maio, também com Francis ao piano. Ainda estarão no palco, ao longo da noite, Chico Lira (piano elétrico), que acompanha a intérprete baiana há quase quatro anos, e Hugo Pilger (violoncelo). A direção é da cantora e compositora Olivia Hime, mulher de Francis.

Antes de Simone interpretar “Minha”, Francis apresentará “Atrás da porta”, a primeira parceria que fez com Chico, em 1972. Soa curioso que Simone não a cante, já que é uma música de voz feminina lançada por Elis Regina e também gravada por Nana Caymmi, Maria Bethânia e Gal Costa, entre outras.

— Essa é diferente na minha cabeça. A gravação da Elis é tão especial, tão linda, que acho que eu não acrescentaria nada — explica.

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Já “Trocando em miúdos”, parceria de Francis com Chico que ela gravou, não faltará no repertório. E, novamente, com o melodista ao piano.

— Eu gravei com arranjo de Cristovão Bastos e ficou lindíssima. O (arranjador e produtor americano) Quincy Jones amava — lembra ela.

Mas não está prevista “Valsa rancho”, outra parceria com Chico presente no disco de 1973 de Francis e que Simone registrou em 1977. Já “Embarcação”, que a dupla deu para ela em 1982, não só estará, como abrirá os shows. Em “Passaredo”, mais uma letra de Chico, Simone promete fazer apenas o verso “E o homem vem aí...”.

Francis Hime e Simone

Ana Branco

A cantora já interpretou outras criações de Francis na carreira: “Maravilha” (parceria com Chico), “O sinal” (com Alberto Abreu), “Existe um céu”, (com Geraldo Carneiro) e “Samba pra Martinho” (com Olivia), do último álbum de Francis, “Não navego pra chegar”. Deste trabalho, ela ainda fará um duo com o autor em “Imaginada” (parceria com Ivan Lins).

Para surpresa de Simone, haverá um momento de sucessos dela, como “Jura secreta” (Sueli Costa e Abel Silva) e “Começar de novo” (Ivan Lins e Vítor Martins).

— Pensei que não fosse cantar o meu repertório. A ideia era cantar o do Francis. Mas como vou dizer não a um pedido do Francis e da Olivia? — diz ela.

Tudo isso está sendo costurado em ensaios na casa de Francis e Olivia, no Jardim Botânico.

— É um ambiente caseiro, familiar, Francis parece um menino. Muito gostoso. Por mim, ia todos os dias — celebra ela.

Quando jogava basquete

Simone também diz gostar bastante de cantar em teatros. Mas costuma se apresentar em lugares maiores do que o Ipanema e seus 222 lugares. Sua primeira vez ali foi como espectadora, assistindo a “A vida escrachada de Joana Martini e Baby Stompanato”, com Marília Pêra e direção de Antônio Pedro. Era 1971 e ela ainda integrava a seleção brasileira de basquete. O grupo desceu de onde estava , em Petrópolis, para ver a peça.

— Gosto do clima de teatro, desse lugar íntimo, meio útero. Mas a gente faz só por satisfação pessoal. Não dá retorno financeiro. Ao contrário — afirma ela, garantindo estar feliz com a temporada. — É um bem necessário.

Francis já andou pelo Ipanema em dois momentos neste ano:

— Fiz a série (Terças no Ipanema) em janeiro com convidados. E, agora em abril, fui a um show do Zé Renato e cantei duas músicas com ele: “Anoiteceu” e “Vai passar”.