Francesa internada em estado grave com hantavírus foi informada por médicos que tinha ansiedade

 

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Uma francesa que testou positivo para hantavírus após ser evacuada de um navio de cruzeiro foi informada pelos médicos de que seus sintomas gripais provavelmente eram apenas ansiedade. A informação foi divulgada pelo ministro da Saúde espanhol, Javier Padilla Bernaldez, em entrevista ao The Guardian.

O estado de saúde da mulher piorou rapidamente após a sua evacuação do navio MV Hondius e ela se encontra agora em estado crítico num hospital de Paris, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Três pessoas morreram desde o início do surto no navio, que geralmente é transmitido por roedores selvagens, mas também pode ser transmitido de pessoa para pessoa em raros casos de contato próximo.

Bernaldez disse que os sintomas dela não foram considerados como sendo de hantavírus, pois ela havia relatado aos médicos que um episódio de tosse que tivera dias antes havia desaparecido. Pelo menos onze casos foram confirmados.

Ela disse que 'o que ela estava sentindo naquele momento era algo como estresse, ansiedade ou nervosismo'.

Quase 120 passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades foram evacuados do luxuoso navio de cruzeiro após sua atracação em Tenerife, na Espanha, em uma operação internacional que envolveu aviões militares, protocolos de quarentena e profissionais de saúde com equipamentos de proteção. As autoridades espanholas descreveram a operação como 'complexa' e 'sem precedentes'.

A OMS informou que existem pelo menos 11 casos de hantavírus, sendo nove deles confirmados como sendo da cepa Andina.

Diretor da OMS afirma que hantavírus 'não é uma nova covid' e nega 'surto maior'

Embarcação que teve surto de hantavírus no mar da Espanha.

JORGE GUERRERO/AFP

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, disse em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (12) em Madrid, na Espanha, que a organização já aguarda que sejam confirmados mais casos de hantavírus após o surto em cruzeiro.

Ele afirma que isso se deve ao intervalo entre o primeiro caso de hantavírus no MV Hondius e a sua identificação como tal, bem como às medidas tomadas para impedir a sua propagação.

Durante a coletiva, ele relembrou que o primeiro caso foi em 6 de abril, mas a confirmação só ocorreu quase 20 dias depois, com muita interação entre os passageiros:

'Como vocês sabem, o período de incubação é de seis a oito semanas. Devido a essa interação, enquanto ainda estavam no navio, mesmo tomando algumas medidas preventivas... é de se esperar que haja mais casos', disse.

Na mesma entrevista, Tedros deu ênfase em diversos momentos que o vírus 'não é a próxima COVID', em referência a pandemia de coronavírus.

Ele também reforçou que não há sinais de um 'surto maior'.

O tema vem sendo repetido em todas as coletivas de imprensa realizadas pela entidade, e seu diretor-geral chegou a escrever uma carta à população de Tenerife para enfatizar esse ponto, antes da chegada do navio de cruzeiro.

A OMS tem afirmado repetidamente que o risco para o público permanece baixo.

Até o momento, a organização contabiliza nove casos confirmados e suspeitos, porém o governo espanhol já considera esse número de 11, sendo nove confirmados e outros dois prováveis. Segundo a contagem da OMS, três pessoas morreram, um casal holandês de 69 anos e um passageiro alemão.