Francesa de 86 anos é detida pelo serviço de imigração dos EUA após se mudar para reencontrar amor dos anos 1960

 

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Uma francesa de 86 anos foi detida pelo serviço de imigração dos Estados Unidos (ICE) no estado da Louisiana após se mudar para o país para viver com o companheiro americano, em um caso que envolve disputa familiar, processo migratório e questionamentos sobre a atuação das autoridades.

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Marie-Thérèse, natural de Nantes, foi presa no início de abril em Anniston, no Alabama, e transferida para um centro de detenção. Segundo o filho, "eles algemaram suas mãos e pés como se ela fosse uma criminosa perigosa".

A idosa havia se mudado para os Estados Unidos após retomar um relacionamento com Billy, um ex-soldado americano que conheceu nos anos 1960, quando ele estava baseado em Saint-Nazaire, pela OTAN. Na época, ela era secretária. Os dois perderam contato, casaram-se com outras pessoas e tiveram filhos.

Eles voltaram a se encontrar em 2010 e, após ficarem viúvos em 2022, iniciaram um relacionamento descrito pelo filho como "como adolescentes". Ele também definiu Billy como um "homem encantador, adorável". O casal se casou no ano passado, e Marie-Thérèse se mudou para o Alabama, onde solicitou um green card.

Disputa por herança e prisão

A situação mudou após a morte repentina de Billy, em janeiro, quando teve início uma disputa pela herança entre Marie-Thérèse e o filho dele. Segundo o filho da francesa, o herdeiro "a ameaçou, a intimidou e chegou até a cortar sua água, internet e eletricidade".

Marie-Thérèse contratou um advogado para lidar com o caso, mas foi presa pelo ICE um dia antes de uma audiência agendada. A família foi alertada por vizinhos. Não há provas de que o filho de Billy tenha denunciado a idosa às autoridades migratórias.

O Ministério das Relações Exteriores da França acompanha o caso e realizou uma visita consular, segundo a BBC.

De acordo com o filho, Marie-Thérèse tem problemas cardíacos e nas costas, mas segue "lutadora" e "aguentando bem". A família afirma que a prioridade é retirá-la do centro de detenção.

— Nossa prioridade é tirá-la desse centro de detenção e repatriá-la para a França. Dado seu estado de saúde, ela não vai aguentar um mês nessas condições de detenção — afirmou

Ele descreveu a situação como "um filme americano ruim".

— Todas as manhãs acordo e digo a mim mesmo que nada disso é verdade, que foi apenas um pesadelo.

O caso ocorre em meio ao endurecimento da política migratória nos Estados Unidos, com maior atuação do ICE em detenções e deportações. Procurado pela rede BBC, o Departamento de Segurança Interna dos EUA não respondeu.