A França se prepara para um sábado (17) de manifestações convocadas em mais de 250 pontos do país contra a inflação, os preços dos combustíveis e a precarização dos serviços públicos. O governo acompanha com alerta a tentativa de união entre estudantes, sindicatos e os antigos Coletes Amarelos. Estimativas oficiais do Ministério do Interior projetam a participação de até 150 mil pessoas nos atos pelo país, além de cerca de 40 mil manifestantes em Paris.
Diante de tensões sobre o trajeto das passeatas e o risco de distúrbios violentos, a pasta admitiu a utilização excepcional de granadas de efeito moral pelas tropas de choque caso ocorram confrontos graves. Para tentar esvaziar a mobilização, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou a liberação de 10 milhões de barris das reservas estratégicas para baratear o diesel, além de reforço na contratação de professores e trava em reajustes de energia. Representantes estudantis e líderes sindicais, no entanto, consideraram o pacote insuficiente diante do aperto no poder de compra. No meio da manhã de hoje, duas manifestações não autorizadas se formaram, levando a intervenção das forças de segurança para dispersar essas manifestações, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública da capital. O percurso oficial da manifestação em Paris foi objeto de intensas negociações com a Secretaria de Segurança Pública, que emitiu decretos proibindo protestos em pontos estratégicos, incluindo os arredores do Palácio de Matignon, que é a sede do governo, e a região da Avenida Champs-Élysées.
Por isso, manifestações não autorizadas que se formaram foram dispersadas pela polícia. Organizações de estudantes universitários e do ensino médio, que há mais de uma semana solicitam uma audiência com o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, pretendiam chegar aos centros de poder no coração da capital, mas a solicitação não foi autorizada pela polícia. Ficou definido que a concentração vai ocorrer a partir das 14 horas de hoje na Praça da República, com o ato principal seguindo em direção à Praça de Clichy, no norte de Paris.
Entre as detenções em Paris nessa manhã, 21 ocorreram após uma ação em frente à sede da emissora de televisão conservadora CNews. Os manifestantes bloquearam acesso ao estacionamento em frente ao edifício da televisão e arremessaram objetos e quebraram vidros. Imagens que circulam nas redes sociais também mostram barreiras que foram derrubadas. Em outras cidades, como Marsella, Valenciennes e La Rochelle, manifestantes, alguns vestindo coletes amarelos, deram início a uma mobilização cuja dimensão ainda é difícil de avaliar, mas que está sendo monitorada de perto por um grande contingente das forças de segurança. Em outras regiões também foram registrados incidentes. Um prédio da Faculdade de Letras de Rouen, no norte, foi atingido logo cedo por um incêndio. Segundo uma fonte próxima ao caso, o incidente é provavelmente de origem criminosa. Em Marsella, um posto de polícia municipal foi alvo de manifestações.
CBN