As autoridades francesas prenderam pelo menos 135 pessoas até o início da tarde deste sábado, 24, durante uma operação de segurança realizada em meio à nova onda de manifestações contra o alto custo de vida no país. Para evitar a repetição dos episódios de violência registrados na semana anterior, o governo mobilizou aproximadamente 70 mil policiais e agentes especializados em diferentes regiões da França.
Segundo o ministro do Interior, Laurent Nunez, parte das detenções ocorreu durante abordagens e operações preventivas. As ações também resultaram na apreensão de objetos que poderiam ser utilizados em confrontos, incluindo esferas metálicas, fogos de artifício, estilingues, armas improvisadas, uma espada japonesa do tipo katana e equipamentos de airsoft.
O reforço policial foi anunciado na sexta-feira, 23, diante da possibilidade de novos confrontos, depredações e saques. Na ocasião, Nunez alertou que as forças de segurança precisariam atuar rapidamente para impedir a escalada da violência.
Até o começo da tarde deste sábado, os episódios de confronto estavam concentrados em algumas localidades. Em Lyon, policiais utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que tentavam interromper o trânsito nas proximidades de uma instituição de ensino superior e de uma delegacia.
Situação semelhante ocorreu em Pau, no sul da França, onde agentes também recorreram ao gás lacrimogêneo durante uma manifestação. Na capital francesa, Paris, centenas de pessoas participaram de um ato autorizado pelas autoridades.
A mobilização começou de maneira pacífica, sob acompanhamento das forças de segurança. Museus fecham e comerciantes reforçam proteção em Paris
O temor de novos episódios de violência levou importantes instituições culturais da capital francesa a suspenderem o atendimento ao público neste sábado. Entre os espaços que permaneceram fechados estão o Museu do Louvre, o Museu d’Orsay, o Museu Picasso e o Grand Palais, que recebe uma exposição dedicada ao pintor francês Paul Cézanne.
A programação cultural também sofreu alterações. A Art Basel, considerada uma das principais feiras internacionais de arte contemporânea, cancelou parte das atividades previstas e restringiu sua abertura ao público à sexta-feira, 23.
Além dos museus, estabelecimentos comerciais adotaram medidas preventivas. Em diferentes regiões, lojistas instalaram barreiras e proteções nas fachadas para reduzir o risco de invasões e danos.
A preocupação está relacionada aos acontecimentos do sábado anterior, 17, quando aproximadamente 3 mil estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados durante os protestos. Na mesma ocasião, cerca de 1.800 pessoas foram presas em operações policiais realizadas em diferentes cidades.
Protestos contra custo de vida já reuniram mais de 500 mil pessoas As manifestações começaram em meio à insatisfação com o aumento do custo de vida na França e ganharam dimensão nacional.
Segundo estimativas divulgadas pela imprensa francesa, os atos já mobilizaram mais de 500 mil participantes. A ampliação dos protestos também intensificou as discussões sobre a atuação das forças policiais e as medidas adotadas pelo governo para controlar os distúrbios.
Diante desse cenário, autoridades locais passaram a estabelecer regras específicas para a realização de manifestações, incluindo restrições de circulação e proibições de determinados trajetos. De acordo com levantamento da agência France-Presse (AFP), atos foram autorizados em pelo menos oito grandes cidades neste sábado, embora as condições de realização variem conforme as determinações de cada município.
Em Paris, a polícia permitiu uma manifestação organizada por sindicatos entre as praças da Bastilha e da Nação. Por outro lado, proibiu um segundo percurso, que seria realizado por movimentos estudantis e integrantes dos chamados coletes amarelos, entre a Bastilha e a região da Ópera de Paris.
Em Marselha, segunda maior cidade francesa, as autoridades abriram uma exceção para permitir uma manifestação sindical, mesmo após a adoção de restrições mais amplas aos protestos. O governo francês mantém o esquema reforçado de segurança diante da possibilidade de novos confrontos e episódios de vandalismo ao longo do dia.
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