França está pronta para 'participar' da defesa dos países do Golfo e da Jordânia, diz chanceler
A França está pronta para participar da defesa dos países do Golfo e da Jordânia, alvos de ataques do Irã, declarou nesta segunda-feira seu ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot.
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Em resposta aos ataques iniciados no sábado por Israel e pelos Estados Unidos, o Irã está lançando mísseis e drones contra diversos países da região, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iraque, Bahrein, Kuwait, Omã e Jordânia.
“A França expressa a eles seu pleno apoio e solidariedade. Está disposta (...) a participar de sua defesa”, afirmou Jean-Noël Barrot em entrevista coletiva.
Um dia depois de EUA e Israel lançarem uma ofensiva de grande porte contra o Irã para eliminar a cúpula do governo e tentar forçar uma mudança de regime no país, a retaliação da República Islâmica causou mortes e estragos no Oriente Médio.
As monarquias do Golfo Pérsico, que tentaram se esquivar do conflito, viram mísseis atingirem aeroportos, hotéis e bases usadas pelos EUA. O sistema de defesa aérea israelense foi testado à exaustão, e demonstrou não ser infalível. E as primeiras mortes de militares americanos mostraram aos Estados Unidos os impactos da guerra de escolha de Donald Trump e Benjamin Netanyahu.
Pelo menos 555 pessoas morreram no Irã em decorrência da ofensiva, informou na segunda-feira o Crescente Vermelho iraniano. Segundo a entidade, os ataques atingiram dezenas de municípios em diferentes regiões do país.
“Após os ataques terroristas sionistas-estadunidenses realizados em várias regiões do nosso país, 131 cidades foram afetadas até o momento e, lamentavelmente, 555 de nossos compatriotas morreram”, declarou o grupo humanitário em uma mensagem publicada no Telegram.
Mísseis e bombas
Ao longo do domingo, os mísseis e bombas atingiram dezenas de cidades, desde o norte, perto da fronteira com Armênia e Turquia, na costa do Golfo Pérsico e na área de divisa com o Paquistão, no leste. De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), um dos alvos foi o quartel-general da Guarda Revolucionária.
“Os Estados Unidos têm as Forças Armadas mais poderosas do planeta, e a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) não tem mais um quartel-general”, afirmou o comando em suas redes sociais. “A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) matou mais de 1.000 americanos nos últimos 47 anos. Ontem (sábado), um ataque em larga escala dos EUA cortou a cabeça da serpente.”
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O Centcom destacou que mais de mil alvos foram destruídos, como centros de controle e comando, bases da Guarda Revolucionária e embarcações de guerra, e revelou parte do arsenal usado no Oriente Médio: caças, aeronaves de reconhecimento, drones de ataque, sistemas de defesa contra mísseis, bombardeiros e aviões de suporte.
Um bombardeio israelense destruiu uma base em Teerã que sediava unidades responsáveis pela repressão a protestos, já atacada durante o breve conflito de junho do ano passado. Segundo a Força Aérea, suas aeronaves circulavam “livremente” pelos céus da capital iraniana.
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Na guerra de 12 dias de 2025, a resposta iraniana à ofensiva israelense se concentrou em responder com mísseis e drones lançados contra Israel. Depois do ataque americano, que causou estragos em instalações nucleares, a retaliação veio contra uma base usada pelos EUA no Catar.
Modo de sobrevivência
Agora, o regime entrou em modo de sobrevivência, e disposto a levar toda a região consigo na guerra iniciada por Washington na madrugada de sábado.
Houve novos ataques contra posições nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Omã, país que atuava como mediador nas negociações entre EUA e Irã. Com o fechamento dos espaços aéreos em boa parte do Golfo Pérsico, três dos mais movimentados aeroportos do planeta, Dubai, Abu Dhabi e Doha, cancelaram todos os voos até segunda ordem, com impactos em dezenas de países.
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Dezenas de petroleiros e navios de transporte de cargas estão ancorados nos arredores do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% dos envios mundiais de petróleo e gás. Oficialmente, o Irã não fechou a passagem, mas operadores relatam transmissões atribuídas à Guarda Revolucionária alertando que ninguém poderia trafegar ali. Ao menos quatro embarcações foram atingidas.
Empresas do setor, como a MSC e a Maersk, anunciaram a suspensão das operações na área, e representantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e associados (Opep+) confirmaram um aumento na produção a partir de abril, de forma a enfrentar uma possível alta no preço do barril.
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A Arábia Saudita, também atingida por mísseis iranianos, convocou o embaixador iraniano no reino para condenar os ataques, rejeitar qualquer tipo de violação de soberania dos Estados e para alertar sobre os impactos das retaliações à segurança regional. O governo saudita afirmou que tomará todas as medidas necessárias para defender sua segurança e proteger seu território.
Em conversa com Trump por telefone, o príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman, condenou o lançamento dos mísseis contra seu país e recebeu do americano o apoio para realizar medidas que considere adequadas. De acordo com o jornal Washington Post, Bin Salman ligou várias vezes para o líder americano nas últimas semanas defendendo uma ação militar contra o Irã, apesar de, em público, pedir que a diplomacia prevalecesse e afirmar que seu território não seria usado em um ataque.
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O governo dos Emirados Árabes Unidos, onde três pessoas morreram, fechou sua embaixada em Teerã e convocou o embaixador.
"Esses ataques hostis contra locais civis, incluindo áreas residenciais, aeroportos, portos e instalações de serviços, colocaram em risco civis inocentes em uma escalada grave e irresponsável e constituem uma violação flagrante da soberania nacional, bem como uma clara violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas", afirmou o Ministério das Relações Exteriores emiradense.
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Em Israel, o domingo foi marcado por numerosos e mortais ataques. Em Beit Shmesh, na região central do país, nove pessoas morreram quando um míssil atingiu um abrigo em uma sinagoga. Mais de setenta pessoas ficaram feridas. As bombas também caíram em Tel Aviv, maior cidade israelense, e em Jerusalém, deixando seis feridos. A fronteira com o Líbano está em alerta máximo para o risco de ações do Hezbollah, aliado do Irã no Eixo da Resistência, e todos os pontos de entrada para a Faixa de Gaza foram fechados. O aeroporto Ben Gurion, principal do país, cancelou todos os voos até sexta-feira, e o avião usado pelo primeiro-ministro foi levado a Berlim por precaução.
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Netanyahu afirmou, em pronunciamento, que o foco da campanha era “atacar o coração de Teerã”, e que a guerra deve se intensificar nos próximos dias. O governo também anunciou a convocação de 100 mil reservistas, que se juntarão aos 50 mil já em ação desde o início da guerra na Faixa de Gaza. Os reforços serão destacados para Gaza, Cisjordânia e para as fronteiras com Síria e Líbano.
— Estamos envolvidos em uma campanha na qual as Forças de Defesa de Israel (IDF) estão mobilizando toda a sua força como nunca antes, para garantir nossa existência e nosso futuro — declarou o premier.
