França e Líbano condenam morte de segundo soldado de missão da ONU em ataque atribuído ao Hezbollah
O presidente da França, Emmanuel Macron, e o presidente do Líbano, Joseph Aoun, condenaram nesta quarta-feira a morte de um segundo soldado francês da missão de paz da ONU no sul do Líbano, após um ataque contra uma patrulha atribuído por Paris ao grupo Hezbollah, que nega envolvimento.
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Macron informou que o cabo Anicet Girardin morreu após ser gravemente ferido no ataque ocorrido no sábado contra tropas da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). Em publicação na rede X, o líder francês afirmou que o militar foi repatriado na véspera e não resistiu aos ferimentos.
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"Morreu pela França. A Nação, que amanhã prestará homenagem ao primeiro-sargento Florian Montorio, mortalmente ferido durante a mesma emboscada, saúda com emoção o cabo Anicet Girardin e seu sacrifício", acrescentou.
Em nota, Aoun condenou o episódio e reiterou condolências à França e à liderança da missão da ONU. Segundo o gabinete do presidente libanês, ele “renova sua condenação ao incidente” após a morte do segundo integrante francês da força de paz.
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O ataque ocorreu no sábado, quando uma patrulha da Unifil foi alvo de disparos no sul do Líbano. Um primeiro soldado francês morreu no local, e outros dois ficaram feridos. Macron atribuiu a ofensiva ao Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, que negou “qualquer ligação” com o incidente.
Mais cedo, o presidente francês afirmou apoiar “plenamente” o cessar-fogo entre o Hezbollah e Israel, mas alertou que o acordo pode já estar sendo comprometido pela continuidade das operações militares. Ele também pediu que o grupo libanês renuncie às armas e que Israel respeite a soberania do Líbano.
Escalada continua
Apesar da trégua em vigor, a violência continua no país. Três pessoas morreram nesta quarta-feira em novos ataques israelenses no Líbano, segundo a imprensa estatal.
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Ainda assim, autoridades libanesas afirmaram que pretendem pedir a prorrogação do cessar-fogo por um mês durante novas negociações com Israel, previstas para quinta-feira, em Washington.
Segundo uma fonte oficial, o Líbano solicitará também o respeito integral à trégua e o fim das operações militares israelenses em áreas do país. Aoun declarou que “estão sendo mantidos contatos para prolongar o cessar-fogo”.
As conversas entre os dois países ocorrem sob mediação dos Estados Unidos. Após uma primeira rodada em 16 de abril, que resultou em uma trégua de dez dias, novas reuniões devem ocorrer em nível de embaixadores.
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Israel, por sua vez, afirmou que não há “desacordos graves” com o Líbano, mas voltou a acusar o país de estar sob influência do Hezbollah.
A França integra a missão da ONU no país, que atua há décadas no sul do Líbano, próximo à fronteira com Israel, como força de interposição entre os dois lados. O Hezbollah intensificou ataques contra Israel nos últimos meses em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, apesar da trégua formal em vigor.
(Com AFP)
