França apresenta plano para abandonar progressivamente as energias fósseis

 

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A França, segunda maior economia europeia, apresentou nesta terça-feira um plano para eliminar progressivamente as energias fósseis, um “roteiro” pioneiro para um país, segundo especialistas.

O plano foi lançado em Santa Marta, na Colômbia, durante as primeiras negociações internacionais sobre como abandonar os combustíveis fósseis que aquecem o planeta. Embora não apresente novos compromissos, ele reúne as políticas e metas climáticas já existentes sob um mesmo guarda-chuva.

O carvão seria eliminado gradualmente até 2030, o petróleo até 2045 e o gás até 2050.

Analistas apontaram que nenhum outro país havia publicado um plano tão abrangente e que isso envia um sinal importante em um momento em que os países estão reavaliando sua dependência dos combustíveis fósseis devido à guerra no Irã.

“É o primeiro desse tipo”, disse à AFP Leo Roberts, do grupo de reflexão E3G.

“É bastante original, porque provavelmente somos um dos pouquíssimos países que tem um prazo claro para todas as energias fósseis”, afirmou à imprensa o enviado da França à conferência de Santa Marta, Benoit Faraco.

O objetivo final é alcançar a neutralidade de carbono em 2050.

As reduções da França nas emissões de gases de efeito estufa desaceleraram pelo segundo ano consecutivo em 2025 e continuam muito abaixo do necessário para cumprir suas metas climáticas.

'Independência'

A conferência de Santa Marta, que reúne quase 60 países, enviou uma mensagem a favor de abandonar os combustíveis fósseis não apenas para combater as mudanças climáticas, mas também para garantir sua segurança energética, ameaçada pela guerra no Irã.

Nesta cidade do Caribe colombiano, simbólica porque ali morreu o libertador Simón Bolívar em 1830, vários participantes deste encontro inédito levantaram a bandeira da independência.

"Já tínhamos uma razão muito boa para avançar" rumo à transição energética, disse o comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, no primeiro dos dois dias desta conferência voltada à saída das energias fósseis.

"Agora também temos razões comerciais e motivos de independência" energética, acrescentou.

A conferência foi organizada pela Colômbia e pelos Países Baixos há meses com um objetivo especialmente ambiental, já que o petróleo, o gás e o carvão são os maiores poluentes do planeta.

Mas a guerra no Oriente Médio, que fez disparar os preços do petróleo com o fechamento do Estreito de Ormuz, também expôs a dependência energética global desses combustíveis.

"Alguns falam em independência, outros em soberania, mas basicamente precisam de segurança energética. Cada vez mais, o mundo percebe que os combustíveis fósseis são fonte de insegurança", afirmou a enviada especial britânica Rachel Kyte.

A França quis dar o exemplo ao apresentar em Santa Marta seu plano de transição, com o qual busca principalmente neutralizar suas emissões até 2050.

Participam da reunião desde países produtores de combustíveis fósseis, como Brasil, Canadá e Noruega, até pequenos Estados insulares ameaçados pelo aquecimento, como Tuvalu.

O encontro não conta com os maiores emissores do mundo, como China, Estados Unidos e Rússia, nem com os chamados petroestados do Oriente Médio. Ainda assim, os participantes consideram isso uma vantagem para evitar que eles bloqueiem as discussões, como ocorre nas conferências climáticas da Nações Unidas.