Fotos vazadas do casamento de Zendaya e Tom Holland foram feitas com IA

 

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"Eu estava andando normalmente e as pessoas diziam: suas fotos de casamento estão lindas. E eu respondia: isso é inteligência artificial, não é real", disse Zendaya, no programa Jimmy Kimmel Live. Na última segunda-feira, 16 de março, a atriz conhecida por trabalhos como Duna e Euphoria foi ao programa Jimmy Kimmel Live! e falou abertamente sobre a enxurrada de imagens fabricadas por inteligência artificial que tomou conta das redes sociais nas últimas semanas, mostrando um suposto casamento entre ela e o noivo, o ator britânico Tom Holland.

As imagens chegaram a enganar amigos e familiares que viram as montagens sofisticadas e ficaram chateados por não terem sido convidados para a suposta cerimônia. Veja a seguir detalhes sobre a polêmica e os riscos de divulgar imagens criadas por IA.

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Zendaya se pronunciou a respeito de imagens falsas virais do seu casamento com Tom Holland

Distribuição: Redes sociais

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Entenda o caso

A história ganhou combustível no início de março, durante o Actor Awards 2026, em Los Angeles. O estilista e colaborador de longa data de Zendaya, Law Roach, foi questionado casualmente sobre o relacionamento da atriz com Tom Holland e surpreendeu ao afirmar, sem rodeios, ao portal Access Hollywood: "O casamento já aconteceu." Quando a jornalista insistiu, ele confirmou com convicção: "É muito verdadeiro."

Em questão de horas, perfis nas redes sociais passaram a circular montagens geradas por IA retratando uma cerimônia íntima e elegante do casal. Uma das imagens mais compartilhadas mostrava os dois abraçados enquanto Holland segurava a icônica máscara do Homem-Aranha. As imagens ultrapassaram 10 milhões de curtidas no Instagram.

Apesar de ter deixado claro que as fotos eram falsas, Zendaya não confirmou nem negou se o casamento aconteceu na vida real. Nas últimas aparições públicas, incluindo o tapete vermelho do Oscar e o Black Women in Hollywood Awards, ela foi vista usando um anel no dedo anelar da mão esquerda, alimentando ainda mais as especulações.

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Os riscos de divulgar imagens falsas geradas por IA

O caso de Zendaya pode parecer inofensivo e, neste contexto específico, pode ficar no campo do humor. Mas ele é um exemplo claro de como imagens geradas por IA podem se espalhar rapidamente e causar danos reais. Existem uma série de riscos concretos associados a esse tipo de conteúdo.

O primeiro deles é o dano à reputação. Artistas e celebridades de todos os segmentos vêm se deparando com um aumento preocupante de vídeos e imagens em que seus rostos são inseridos em conteúdos não autorizados, o que pode manchar carreiras e relacionamentos sem que a vítima tenha feito absolutamente nada. O próprio termo deepfake apareceu em dezembro de 2017, quando um usuário do Reddit com esse nome começou a postar vídeos de sexo falsos com famosas. Com softwares de deep learning, ele aplicava os rostos que queria a clipes já existentes. Os casos mais populares foram os das atrizes Gal Gadot e Emma Watson.

Além do dano psicológico, as consequências legais e reputacionais podem ser devastadoras. Um estudo publicado em 2024 no Journal of Creative Communications mostrou que, mesmo quando espectadores sabiam da manipulação, a maioria não conseguia identificar o conteúdo como falso, e esse "realismo enganoso" mina a confiança do público nas pessoas retratadas.

Outro risco grave é o uso para golpes financeiros. Em 2023, um trabalhador financeiro em Hong Kong pagou o equivalente a 25 milhões de dólares a golpistas após ser enganado em uma videochamada onde todos os participantes, inclusive o suposto diretor financeiro da empresa, eram falsificações criadas por IA.

Há também o risco de chantagem. Criminosos podem criar vídeos falsos para ameaçar indivíduos, exigindo pagamentos ou favores em troca da não divulgação. Casos de conteúdo explícito não consensual representam grande parte dos deepfakes ilícitos. Segundo a empresa de segurança Deeptrace, cerca de 96% de todos os vídeos produzidos com deepfake são de natureza pornográfica, sendo que a maioria foi criada sem autorização da vítima.

No campo político, os riscos são igualmente sérios. A proliferação desses conteúdos pode representar uma ameaça à democracia, colocando em risco a credibilidade de fontes genuínas, o que é particularmente preocupante em períodos eleitorais.

No Brasil, ainda não existe uma legislação específica para tratar do tema, mas a prática pode ser enquadrada em violação de direitos autorais, proteção de dados e difamação. Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que criminaliza o deepfake.