Fotografias inéditas revelam possíveis últimos instantes de 200 gregos executados por nazistas em 1944; entenda

 

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Uma série de 12 fotografias até então desconhecidas pode lançar nova luz sobre um dos episódios mais emblemáticos da ocupação nazista na Grécia. As imagens, divulgadas no final de semana, parecem registrar os momentos que antecederam a execução de cerca de 200 gregos, mortos em 1º de maio de 1944, no subúrbio de Kaisariani, em Atenas.

As execuções ocorreram como represália ao assassinato do general alemão Franz Krech por integrantes da resistência contra o nazismo. Embora o massacre seja amplamente documentado por testemunhos históricos, não havia, até agora, registro fotográfico do episódio.

As 12 fotos parecem mostrar os últimos segundos antes da execução de 200 comunistas gregos em 1º de maio de 1944

Reprodução/Facebook/Greece at WWII Archives

Imagens sob investigação

As fotografias, divulgadas no Facebook, mostram grupos de homens sendo conduzidos por soldados nazistas até um campo de tiro, alguns enfileirados diante de uma parede. Em uma das imagens, prisioneiros aparecem retirando os casacos antes de seguir para o local da execução. Segundo o Ministério da Cultura da Grécia, é “altamente provável” que os registros sejam autênticos.

Uma das imagens mostra homens sendo levados à morte. Acredita-se que as fotos tenham sido tiradas por Guenther Heysing, um jornalista ligado à unidade do ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels

Reprodução/Facebook/Greece at WWII Archives

Há indícios de que as fotos tenham sido feitas por Guenther Heysing, jornalista ligado à estrutura de propaganda comandada por Joseph Goebbels. De acordo com relatos da imprensa grega, o material teria pertencido ao álbum pessoal do tenente alemão Hermann Heuer.

As imagens foram colocadas à venda no eBay por um colecionador de objetos do Terceiro Reich. O ministério informou que enviará especialistas a Ghent, na Bélgica, para examinar o acervo e verificar sua procedência legal. Caso a autenticidade seja confirmada, o governo afirmou que adotará medidas imediatas para a aquisição do conjunto.

O massacre de Kaisariani é uma das atrocidades mais conhecidas do período em que a Grécia esteve sob ocupação alemã, entre 1941 e 1944. O país enfrentou repressão sistemática, perseguições políticas e fome generalizada — estima-se que mais de 40 mil pessoas tenham morrido apenas em Atenas por escassez de alimentos.

Grande parte dos executados era formada por prisioneiros políticos, muitos deles detidos anos antes durante as perseguições anticomunistas do regime de Ioannis Metaxas. O Exército Popular de Libertação da Grécia (ELAS), liderado por comunistas, figurava entre os movimentos de resistência mais ativos na Europa ocupada.

Para o historiador Menelaos Haralambidis, as fotografias representam um marco na documentação do episódio. Em entrevista à emissora estatal grega, ele afirmou que se trata da primeira imagem conhecida feita dentro do campo de tiro no momento das execuções, reforçando relatos de que os condenados teriam enfrentado a morte com serenidade.

Até hoje, os únicos registros dos instantes finais eram bilhetes manuscritos lançados das caminhonetes que transportaram as vítimas ao local do fuzilamento. O Partido Comunista da Grécia (KKE) classificou o acervo como “inestimável” e afirmou ter identificado provisoriamente ao menos dois dos homens retratados.

Em carta divulgada à imprensa, Thrasyvoulos Marakis, neto de um dos executados, declarou sentir gratidão por ver a história do avô reconhecida publicamente. Para autoridades gregas, o conjunto de imagens, se confirmado, não é apenas um documento histórico, mas parte da memória coletiva do país.