Formação de hábitos: quando o atalho é o caminho mais longo
“Ele só dorme se der a chupeta; ela só para de chorar, só se acalma se der o celular; ela só come se for miojo e nuggets; ele só obedece se castiga”…
A expressão “só se” na criação de filhos é sempre um sinal de perigo. Sinal de que um mau hábito está sendo formado.
Gosto muito de um provérbio que diz: "Cuide bem dos seus pensamentos, pois eles forjarão seus atos. Cuide bem dos seus atos, pois eles forjarão seus hábitos. Cuide bem dos seus hábitos, pois eles formarão seu caráter. Cuide bem do seu caráter, pois ele vai determinar seu destino”.
Hábitos determinam nosso próprio destino, nossa qualidade de vida e nosso futuro. Passamos a maior parte do nosso tempo (a maior mesmo) em comportamentos automáticos, construídos ao longo da vida. É científico: tudo o que é automático fica fácil, porque exige pouco esforço do cérebro. E o cérebro adora repouso.
Bons hábitos fazem a vida ficar mais fluida, mais fácil. Se você se acostuma a fazer exercício físico, ele vira uma necessidade. Você não precisa de nenhum grande esforço para sair da poltrona e fazer. Se você se habitua a comer bem, aos poucos você passa a fazer isso sem sofrimento. Se você sempre arruma o seu quarto, ele estará sempre bonito, sem tanto trabalho.
Maus hábitos complicam a vida, e tornam-se muito difíceis de vencer com o tempo. Você se habitua a dormir tarde demais, a passar tempo em excesso no celular, a comer doces ou refrigerante a cada refeição, a deixar a TV ligada o dia todo… E os custos vão se impondo — e se acumulando — sob forma de perda de saúde, relações se deteriorando, trabalhos mal acabados, filhos que crescem sem a gente curtir e educar da maneira correta.
E o interessante é perceber que bebês e crianças não vêm com hábitos formados, nem os criam sozinhos. Somos nós que os construímos. E cabe a nós, portanto, ajudá-los a escolher bem. Cultivar bons hábitos em nossos filhos é uma das tarefas mais importantes de mães e pais, e das mais difíceis também.
Para criar um mau hábito, basta fazer o mais fácil, mais rápido e confortável para nós. Não quer almoçar? Dá o biscoito. Não quer o brócolis — dá o miojo. Chorou? Chupeta. Não quer ir dormir? Põe a TV no quarto. E o pior: não quer brincar? Não quer ir ao passeio? Deixa com o celular.
Lembre-se: cada atitude dessas terá um alto custo mais tarde. E vice versa: resistir ao mais fácil, enfrentar o mau humor, a cara feia ou mesmo a crise de irritabilidade, com calma e empatia, acolhendo e explicando, persistindo na proposta, vale muito à pena. Eles vão agradecer no futuro, e a sua vida mais tarde vai ficar mais fácil também
