Forjados nas frustrações, Arsenal e Atlético de Madrid decidem primeira vaga na final da Champions
Para todo feixe de luz que irradia, há uma sombra. Como nas grandes decisões do futebol, no qual as grandes conquistas acabam deixando para trás, entre justiça e injustiça, seus vice-campeões. Nesta terça-feira, às 16h, Arsenal e Atlético de Madrid duelam por uma vaga na final da atual edição da Champions League tentando fugir de suas extensas histórias de sombras ao pódio.
As equipes se enfrentam no Emirates Stadium, em Londres, após um 1 a 1 no Riyadh Air Metropolitano. Uma vitória simples para qualquer lado garante a classificação, enquanto um novo empate leva a decisão para a prorrogação. Na outra semifinal, PSG e Bayern de Munique disputam a vaga na quarta-feira.
Se ingleses e espanhóis foram forjados, em suas histórias recentes, por frustrações, a Champions foi o principal placo desse trauma para os colchoneros. O time foi a duas finais em três anos, em 2013/14 e 2015/16. Em ambas, perdeu para o Real Madrid, grande rival — na prorrogação e nos pênaltis, respectivamente. Para piorar, ainda foi eliminado pelo mesmo Real nas quartas de final de 2014/15 e na semifinal de 2016/17, a última vez que havia chegado a esta fase da competição.
Treino do Atlético em Londres
Glyn KIRK / AFP
As campanhas, marcadas pela intensidade na defesa e na transição, foram símbolos da era Diego Simeone, técnico que completará 15 anos à frente da equipe em dezembro. O argentino de 56 anos, hoje com menos prestígio que em seus primeiros anos, levou o Atleti a dois títulos de Liga Europa, um de Copa do Rei e dois do Campeonato Espanhol, em meio à concorrência duríssima com Real e Barcelona. Nesta temporada, o gosto é, por enquanto, amargo: o clube vem de um vice-campeonato frustrante de Copa do Rei para a Real Sociedad.
Simeone em treino do Atlético
Glyn KIRK / AFP
A vaga na final, além da chance de aplacar o sentimento, também daria ao ídolo Antoine Griezmann um (enorme) jogo a mais antes de sua despedida do clube rumo ao futebol dos Estados Unidos.
— Toda vez que você começa uma temporada de Champions, consegue se ver levantando o troféu.. Todos os times, todos os jogadores, toda criança sonha com isso. E nós também. Estamos a dois jogos de distância — afirmou Griezmann antes da partida.
Temporadas traumáticas do Arsenal
A primeira e última vez que o Arsenal foi à final da Champions League faz 20 anos. Aquela temporada 2005/06 era a segunda após a histórica conquista do título da Premier League de forma invicta. Mas o time comando por Thierry Henry caiu para o Barcelona de Ronaldinho e Samuel Eto'o.
Nessas duas décadas, muita coisa mudou no clube londrino, incluindo a saída do histórico técnico Arsène Wenger. Mas as secas no Campeonato Inglês e na Champions seguiu. O time chegou à semis em outras duas oportunidades antes da atual. Uma ainda com Wenger, quando caiu para o Manchester United em 2008/09 e outra já com Mikel Arteta, na temporada passada, quando foi eliminado pelo PSG.
Treino do Arsenal em Londres
Glyn KIRK / AFP
Arteta vive uma história menos longa, mas parecida com a de Simeone. Desde o fim de 2019 no comando dos gunners, o espanhol remodelou completamente o projeto de futebol do clube. Gastou bastante e encontrou jogadores identificados com a equipe, como o atacante Bukayo Saka e o capitão Declan Rice. Mas a briga pela Premier League se tornou um inferno pessoal para o treinador.
Sob seu comando, o Arsenal foi o segundo time que mais liderou o Inglês em número de dias, mas nunca conseguiu conquistá-lo. Foram três vice-campeonatos seguidos entre 2022/23 e 2024/25, com o primeiro deles marcado por um desempenho de 27 rodadas no topo. O Manchester City, que seria campeão por cinco pontos, liderou em apenas 10 delas.
No fim, de grandes títulos, o espanhol de 44 anos tem apenas a FA Cup de 2019/20 no currículo. Nesta temporada, tenta mudar isso: tanto com a possível vaga na final, quanto pela disputa, novamente, do título da Premier League, que parece ter ficado mais próximo após o empate do City com o Everton, na segunda-feira. Para isso, desenhou um Arsenal bem menos vistoso e mais pragmático que os das últimas temporada, com foco ampliado nas estratégias de bola aérea, na segurança defensiva e no jogo apoiado, de aproximação.
Arteta, técnico do Arsenal
Glyn KIRK / AFP
— O Arsenal está num ponto em que contrata jogadores para atingir objetivos claros. Quando você chega aqui, sente a responsabilidade de dar seu máximo para ganhar esses títulos. Desde o primeiro dia sentimos esse desejo de vencer. Estamos quase lá — comentou o meia espanhol Zubimendi.
