Forças Armadas de Israel admitem mais de 71 mil mortos em Gaza; autoridade do Hamas nega intenção de desarmar
Em meio a uma frágil trégua após mais de dois anos de guerra, as Forças Armadas de Israel (FDI) admitiram pela primeira vez nesta quinta-feira que o número estimado de mortos na Faixa de Gaza corresponde à contagem feita pelo Ministério da Saúde de Gaza, ligado à administração do Hamas, que atualmente contabiliza mais de 71 mil palestinos falecidos. A admissão ocorre em um momento em que a implementação do plano de paz para o enclave está travado, com o grupo palestino afirmando que não pretende entregar todos os seus armamentos.
Tensão no Oriente Médio: Autoridades sauditas e israelenses vão aos EUA enquanto Trump avalia ataques ao Irã; Rússia alerta contra uso de força
Entenda: Como Israel passou a apoiar discretamente milícias palestinas em Gaza para enfraquecer o Hamas
A contagem dos mortos em Gaza foi motivo de desavença ao longo da guerra, com autoridades de Israel frequentemente acusando veículos de imprensa e organizações internacionais, incluindo a ONU, de fomentarem a narrativa do Hamas por repercutir números que apontavam como pouco confiáveis e propositalmente inflados para construir uma propaganda política. Agora, os militares dizem que os números são confiáveis, embora ainda estejam analisando quantos dos mortos participavam de movimentos armados e quantos eram civis — informação que as autoridades palestinas também não detalham.
Initial plugin text
O Exército israelense, porém, manteve questionamentos sobre outros dados divulgados pelo ministério palestino. As agências de saúde afirmaram que 440 palestinos morreram de desnutrição e inanição na Faixa de Gaza durante a guerra — enquanto os israelenses afirmam que os dados são manipulados, e incluem informações de indivíduos com problemas de saúde preexistentes.
Os fatos sobre o conflito permanecem imprecisos em meio a uma limitação a atuação da imprensa e de órgãos internacionais no enclave, mesmo durante a atual trégua para implementação do plano de paz negociado sob pressão dos EUA. Na quarta-feira, a Associação de Imprensa Estrangeira em Israel criticou a Suprema Corte de Israel pelo adiamento da votação sobre um pedido de acesso livre e independente ao enclave.
Quanto ao avanço das tratativas diplomáticas, o Hamas se mostrou disposto a transferir o governo de Gaza para um comitê tecnocrático palestino, mas segue resistente a um desarmamento completo do grupo. Em uma entrevista à rede catari Al-Jazeera, o alto funcionário do Hamas, Moussa Abu Marzouk, afirmou na quarta-feira que o movimento palestino nunca concordou em se desarmar.
— Ainda não discutimos sobre armas. Ninguém falou diretamente conosco sobre isso. Não conversamos com o lado americano nem com os mediadores sobre essa questão, então não podemos falar sobre o que isso significa ou qual é o objetivo — disse Marzouk, sugerindo também que o grupo teria poder de veto de fato sobre qualquer nomeação para o novo comitê tecnocrático criado para administrar a Faixa de Gaza.
Marzouk indicou, porém, que algum desarmamento poderia ser discutido, a partir do momento em que o tema fosse levado à mesa de negociações.
— Discutiremos quais armas serão removidas, o que será removido e como serão removidas — afirmou.
Em um pronunciamento após uma breve reunião com o enviado Steve Witkoff, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que havia uma tendência de que o Hamas depusesse as armas.
— Muita gente disse que eles nunca se desarmariam. Parece que vão se desarmar — disse Trump em uma reunião de gabinete. (Com AFP)
