Força Radwan, unidade de elite do Hezbollah, retorna ao sul do Líbano para conter avanço de Israel, diz agência
A liderança do movimento xiita Hezbollah ordenou o retorno da Força Radwan — unidade de elite do grupo armado — ao sul do Líbano, a fim de combater uma nova incursão do Exército israelense contra o território do país. A movimentação de tropas foi apontada por fontes libanesas citadas pela agência de notícias Reuters nesta quinta-feira, em um momento em que o conflito regional ganha intensidade na frente voltada para Beirute.
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A agência de notícias britânica reportou ter ouvido três fontes libanesas familiarizadas com a ordem repassada à Força Radwan. As tropas, disseram, foram instruídas a retornar ao sul do Rio Litani — de onde haviam se retirado após o cessar-fogo de 2024 com Israel — para se juntar à batalha contra os soldados e tanques israelenses. As fontes consultadas citaram em particular um deslocamento para a região de Khiyam, uma das áreas onde múltiplas fontes confirmam a entrada por terra dos militares de Israel.
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A Força Radwan era apontada por autoridades militares e do setor de inteligência de Israel como a ameaça mais significativa e imediata na fronteira do país, após o atentado terrorista do Hamas e a eclosão da guerra em Gaza. Mesmo antes da abertura do front no Líbano, forças israelenses foram enviadas ao norte, preparadas para impedir ou retardar uma invasão que alguns estrategistas viam como iminente.
A unidade se notabilizou em operações de sequestro de soldados israelenses, que contribuíram para a eclosão da Segunda Guerra do Líbano, em 2006. Na última década, teve experiência real de combate na Síria, apoiando a luta contra o Estado Islâmico (EI) ao lado das forças de Bashar al-Assad, membros da coalizão pró-Irã conhecida como "Eixo da Resistência". As tropas também realizaram nos últimos anos exercícios militares, incluindo atividades de invasão simulada ao território de Israel.
Entenda: O que é a Força Radwan, unidade de elite do Hezbollah
Os principais combatentes do Hezbollah estavam longe da fronteira desde o frágil cessar-fogo que interrompeu as altercações entre Israel e os militantes em 2024. O grupo disse ter respeitado o acordo que estabelecia o sul do Líbano como uma área livre de armas que pudessem ameaçar Israel, mas não aceitou uma deposição completa de armas e entrega ao governo. Estima-se que 5 mil combatentes da unidade morreram no último confronto com as forças do Estado judeu.
O retorno da Força Radwan ao front acontece em um momento em que Israel intensifica a campanha em direção ao Líbano, combinando ataques aéreos e ações por terra, a fim de estabelecer uma zona-tampão entre os dois países. O confronto não está restrito ao sul, com fortes bombardeios de Israel atingindo cidades ao norte, como Beirute e Trípoli.
Bombeiros extinguem incêndio em bairro do sul de Beirute após bombardeio israelense na quarta-feira
AFP
Em uma nova sequência de bombardeios nesta quinta-feira, as Forças Armadas de Israel disseram ter atingido redutos do Hezbollah no sul da capital, no bairro de Daniyeh. Após a leva de ataques, Israel emitiu um alerta de retirada sem precedentes para toda a região sul de Beirute — levando centenas de milhares de moradores do distrito a fugirem em pânico.
Autoridades libanesas afirmam que 102 pessoas morreram no país desde a segunda-feira, quando o Hezbollah lançou ataques retaliatórios contra Israel pela morte do aiatolá Ali Khamenei. Outras 83 mil estavam deslocadas — antes do alerta a Beirute. (Com AFP)
