Foragido, Ramagem é interrogado por vídeo por juíza auxiliar de Moraes

 

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Considerado um fugitivo da Justiça brasileira, o deputado cassado Alexandre Ramagem Ramagem (PL-RJ) foi interrogado nesta quinta-feira por videoconferência perante uma juíza auxiliar do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O termo da audiência virtual foi protocolado no STF nesta sexta-feira.

Diante da magistrada, Ramagem negou as irregularidades e teria acusado Moraes de ser parcial e estar conduzindo uma "farsa" contra ele. A oitiva durou cerca de 50 minutos. O vídeo não entrou nos autos do processo.

A ação se refere à retomada do processo da trama golpista que investiga Ramagem pelos crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, denunciados pela Procuradoria-Geral da República em relação aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa, mas ganhou imunidade da Câmara dos Deputados para os dois delitos citados acima sob o argumento que eles haviam sido cometidos depois do ex-diretor da Abin tomar posse como parlamentar.

Como ele perdeu o mandato em dezembro de 2025 por decisão da Mesa Diretora da Câmara, Moraes reabriu o processo contra Ramagem.

De acordo com a ata da audiência, ele respondeu aos questionamentos da juíza, mas também decidiu permanecer em silêncio em alguns momentos.

“A ampla defesa (defesa técnica e autodefesa) e o contraditório são garantias constitucionais de estatura máxima. Atento a isso, o Ministro Relator designou audiência de instrução nos autos da AP 2737, assegurando ao réu o direito de ser interrogado por videoconferência, em consonância com precedentes da Suprema Corte. Na audiência, realizada em estrita observância ao devido processo legal, o réu respondeu a questionamentos apresentados pela juíza auxiliar, pelo membro do MPF e pelo advogado de defesa, reafirmando a improcedência das imputações”, diz nota assinada pelo advogado Paulo Cintra, que defende Ramagem.

O ex-deputado do PL enfrenta ainda outro processo por ter fugido do país em direção aos Estados Unidos no ano passado. Ele teria saído de forma clandestina pela fronteira amazônica entre Brasil e Guiana, sem passar pela controle migratório dos dois países. Atualmente, ele vive nos Estados Unidos.

No fim de janeiro, o Ministério da Justiça reportou ao Supremo que o pedido de extradição de Ramagem já foi enviado ao governo norte-americano por meio do Itamaraty.