O governo da Argentina negou nesta terça-feira (27) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha entrado no país, depois que o site argentino Infobae publicou que ele teria cruzado a fronteira para embarcar num jatinho rumo aos Estados Unidos. Na noite de domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cancelou todos os passaportes brasileiros do senador, inclusive os diplomáticos, e mandou incluir o nome dele no alerta migratório da Polícia Federal.
Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, Flávio ainda não entregou os passaportes à PF, e aliados e advogados não conseguiram localizar o senador. O jornal O Tempo também informou que os passaportes não foram entregues e que a PF monitora as fronteiras.
A decisão de Moraes foi enviada ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, “para imediato cumprimento”. O processo, a Petição 16.877, corre em sigilo.
Nele, Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro. No documento, Moraes determina três medidas.
A primeira proíbe Flávio de manter contato com Willer Tomaz “por qualquer meio, direto ou por interposta pessoa”. A segunda cancela todos os passaportes emitidos pelo Brasil em nome do senador, incluindo os diplomáticos, e manda avisar a PF, para incluir o alerta no sistema migratório Sonar, e o Ministério das Relações Exteriores.
A terceira dá 24 horas para Flávio entregar passaportes de outros países que tenha. O ministro se baseou no artigo 319 do Código de Processo Penal, que prevê medidas cautelares diferentes da prisão, e no artigo 21 do Regimento Interno do STF.
Segundo o jornal O Globo, a PF assinou o pedido às 21h16 de domingo, sete minutos depois de o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a reeleição de Lula, às 21h09. Moraes atendeu ainda na mesma noite, sem ouvir antes a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Lula venceu o 2º turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. No pedido, a PF citou uma fala de Eduardo Bolsonaro, de 23 de outubro, defendendo que o irmão deixasse o país se perdesse a eleição.
A PF também apontou Flávio como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holding, empresa de Willer Tomaz, até maio de 2025. Flávio e Willer confirmam que são amigos, mas negam ter sociedade ou ter cometido irregularidades.
Flávio foi intimado na manhã de segunda-feira (26), quando saía da casa do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. “No meio da rua, eu fui intimado a entregar meus passaportes”, disse o senador em vídeo nas redes.
Sobre a fala do irmão, afirmou: “Nunca falei isso”. Ele disse que nunca pensou em sair do país e que vai cumprir a determinação e se defender.
Na madrugada desta terça-feira, o Infobae publicou que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina usando a carteira de identidade e embarcaria em Puerto Iguazú, às 2h, num jatinho Gulfstream G400 da empresa Baires Fly, rumo aos Estados Unidos. O avião chegou a Puerto Iguazú vindo de Buenos Aires na noite de segunda-feira, mas o voo foi suspenso e a aeronave continua no aeroporto, segundo o próprio Infobae.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que não há registro de entrada de Flávio no país, segundo o ND Mais. Um porta-voz do presidente Javier Milei também negou à agência Bloomberg que o senador tenha entrado em território argentino.
A PF consultou as autoridades argentinas e não encontrou registro de Flávio em nenhum posto de controle migratório do Brasil. Procurado pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, o coordenador-geral da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), respondeu: “Não saiu”.
Segundo a mesma coluna, aliados e advogados tentam falar com Flávio desde o começo da manhã, sem sucesso; os últimos contatos foram na segunda-feira. © Jornal Razão.
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