Fora do 'BBB 26', Breno Corã revela momento difícil ao se assumir gay: 'Fiz esforço imenso para esconder'

 

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Ele não levanta a voz! Mas nem por isso Breno Corã passou despercebido em meio a tanta gritaria no “Big Brother Brasil 26”. O biólogo chamou atenção na casa não apenas pela beleza dos pés à cabeça de seu 1,86m de altura, mas justamente por se apresentar de maneira tranquila no confinamento. De toda forma, para ele, o jogo dentro da casa mais vigiada do Brasil foi mais difícil que as partidas de vôlei das quais participava na adolescência — o mineiro praticou o esporte profissionalmente até os 18 anos. Agora, aos 33, o ex-BBB ganhou fama repentina após participar do programa e sonha colher os louros de sua passagem pelo reality, incluindo aproveitar sua experiência como modelo. As primeiras fotos como tal, após sua eliminação, são estas da Canal!

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— Recebi muito “feedback” de que fui inteligente, estável, elegante e bonito. Eu estava natural, não forcei ser calmo. Em compensação, também recebi muito retorno de coisas das quais não gosto muito, como voltar do quarto secreto e não ter feito grandes mudanças no jogo. Reclamaram que eu não me alterei, que não fiz barraco. São coisas contraditórias... Porque eu gostaria de ter mexido de forma drástica no jogo, mas não consigo deixar de ser eu — afirma.

Outra característica de Breno muito comentada pelo público foi a dificuldade de demonstrar emoção. Ele não saiu de órbita nem quando descobriu que seu primeiro paredão era falso.

— Nunca fui muito expressivo, a não ser quando jogava vôlei, mas no convívio social sempre fui mais introvertido. Talvez pela minha criação, personalidade ou acontecimentos da vida, me tornei uma pessoa assim. Apesar de me comunicar bem, sempre lidei com as minhas emoções para dentro. Ninguém vai mesmo me ver explodindo ou gritando. Meus pais e minha irmã também são bem pacatos — avalia.

Breno Corã, do 'BBB 26'

Márcio Farias

Identidade LGBTQIA+

Nascido em Contagem e criado em Betim, cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), Breno teve uma estrutura familiar estável, com pais e avós presentes.

— Jamais passei fome, insegurança alimentar ou grandes dificuldades em casa (como aconteceu com outros pipocas do “BBB 26”). Na adolescência, ser gay foi o meu enfrentamento social mais complicado. Em relação ao racismo, eu sempre tive uma leitura de que o problema era o mundo e não eu. Mas sobre ser gay... Ainda era algo pouco falado — explica.

Breno decidiu contar sobre sua orientação sexual aos pais quando tinha 15 anos.

Breno Corã, do 'BBB 26'

Márcio Farias

— Antes disso, fiquei muito tempo elaborando essa situação. Não foi fácil, ainda mais com os comentários que se ouve no dia a dia e com a visão que o mundo tem sobre ser gay, associando a estereótipos. Se assumir é quase invasivo, é como você querer marcar algo que não precisava. Mas é uma força que a gente faz para ver se a vida deslancha, para não ficar preso e se escondendo — analisa.

Filho de uma advogada e um motorista de ônibus, Breno afirma que a maior preocupação dos pais na ocasião foi com a questão da segurança do filho.

— Quando contei, eles não entenderam de cara. Não foi uma surpresa, mas se preocuparam de ver o filho sofrer agressão. Meu pai ficou sem falar comigo por alguns dias. Ele precisou desse tempo para assimilar. A gente teve algumas conversas mais doloridas, mas foi amadurecendo. Com a minha mãe, rolou mais um questionamento do porquê, mas ela sempre me apoiou — revela o mineiro, que completa: — Na adolescência, a gente faz um esforço imenso para esconder. Mesmo quando você assume, você ainda fica se controlando, se podando... Sempre calculando o risco de ser quem é ao entrar em cada ambiente. Eu me apaixonei por um menino nessa fase, mas não podia falar. A gente passa a esconder a paixão e a sofrer escondido.

Breno Corã, do 'BBB 26'

Márcio Farias

Durante o “BBB 26”, Breno se envolveu com o também pipoca Marcelo, e os dois trocaram muitos beijos. Hoje, fora do programa, o biólogo percebe que a relação inspirou outros jovens LGBTQIA+.

— As pessoas LGBTs dos “BBBs” antigos entraram com medo. Apesar de ainda ter muitos conservadores, o público amadureceu. Não pensei “vou beijar e causar”, mas sim “não me importo que me vejam beijando”. Tenho uma segurança muito grande da minha orientação sexual. Vi que o fato de eu aproveitar sem vergonha serviu de inspiração — pontua ele, que se considera um amante da liberdade: — Sou gay, mas beijo mulheres (risos), principalmente na balada. Tenho liberdade sexual. Uso aplicativos de relacionamento e gosto de viver experiências com pessoas diversas. Não tenho uma carência de ter um grande amor. Nunca caí no conto do príncipe encantado, sabe? Meu coração está aberto, não me impeço de me relacionar, mas não passa pela minha cabeça que preciso namorar.

Breno só namorou uma vez, quando tinha 24 anos e já morava sozinho em Florianópolis (SC). O eleito foi um chef de cozinha, com quem ficou por três anos. Eles chegaram a morar juntos.

Breno Corã, do 'BBB 26'

Márcio Farias

— Conversamos até hoje. Inclusive, ele foi uma das primeiras pessoas para quem respondi (mensagem) depois que saí do “BBB”. A gente se chama de mozão ainda.

Apesar de se considerar alguém com bastante liberdade sexual, Breno não pretende abrir perfis em sites de conteúdo adulto.

— As pessoas sempre falam comigo: “Você é tão lindo... Já que fala tanto sobre ter estabilidade financeira, abre um perfil”. Não digo que isso nunca vai acontecer, porque é uma possibilidade. Alguns boys já me convidaram para gravarmos conteúdo juntos. Falei: “Prefiro fazer sem registrar porque eu gosto de aproveitar o momento”. Acho que perderia a graça, o prazer.

Breno Corã, do 'BBB 26'

Márcio Farias

Entendimento racial

Se de um lado a sexualidade trouxe questionamentos para o biólogo, a negritude nunca foi uma questão.

— Sempre tive uma consciência racial porque a minha mãe falava da dificuldade de ser uma pessoa preta no Brasil. Nunca tive um problema com a minha estética ou aparência. Quando tentei ser modelo em Minas Gerais, não conseguia trabalho porque as pessoas não contratavam tantos pretos. Não dava para pagar o aluguel do mês. Isso não mexia com a minha autoestima, mas não me dava uma estabilidade financeira — conta ele, que começou na carreira aos 19 anos, mas desistiu por falta de oportunidades.

Para pagar as contas, ele se virou nos 30. Foi operador de telemarketing, entregador de panfleto e vendedor de loja de shopping, até passar em Ciências Biológicas na Universidade Federal de Santa Catarina, onde mora até hoje. Na época de faculdade, em outro estado, conseguiu voltar a modelar e só deixou de fazer campanhas para entrar no “BBB”. A beleza do rapaz chama atenção, mas pasme: ele não faz nada para manter o abdômen trincado.

Breno Corã, do 'BBB 26'

Márcio Farias

— Depois que eu parei no vôlei (por conta de uma lesão no ombro), virei uma pessoa sedentária. Não gosto de musculação, apesar de saber que é uma coisa necessária. Nunca vivi uma pressão estética de ter que ser rato de academia para ter o corpo que eu tenho. É genética, porque nem dieta eu faço. Também não penso em fazer procedimentos estéticos. Gosto dos meus cabelos brancos e das marcas de expressão — afirma o muso, que vem recebendo muitas cantadas em suas redes sociais após sair do “Big Brother”.

Tempo para ler tudo, ele ainda não conseguiu, mas garante que recebeu mais recados de mulheres do que de homens:

— Não têm muitas mensagens de gays. Recebi várias de mulheres dizendo “queria um beijo também”. Os homens com quem eu já tinha ficado também me escreveram falando que foi bom me assistir na televisão e que pretendem me ver de novo. Tem um monte de gente pedindo telefone, uma chance... — pontua o taurino, que não crê em astrologia, mas acredita na vida. E isso ele tem de sobra.

Créditos

Reportagem e produção executiva: Thomaz Rocha

Edição: Camilla Mota

Fotos: Márcio Farias @marciofariasfoto

Styling: Fernanda Brasil @fernandah_brasil

Beleza: Vivi Gonzo @makegonzovivi

Breno usou

Acervo Fernanda Brasil @fernandah_brasil

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