‘Fora data centers’: ativistas invadem obras da Microsoft em meio a protestos por toda Europa

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Manifestantes entraram, nesta sexta-feira, 6, no canteiro de obras de um data center da Microsoft em Amsterdã, Países Baixos, em meio a uma onda de protestos que fazem parte de um movimento internacional cada vez maior contra o avanço acelerado da infraestrutura tecnológica necessária para alimentar a inteligência artificial (IA).

Mais de 100 manifestantes se juntaram no local e andaram de braços dados antes de invadir a área de construção e escalarem guindastes. Alguns exibiam cartazes com a frase: “Que se dane o seu data center”.

Atualmente, os Países Baixos contam com aproximadamente 200 instalações do tipo, incluindo projetos ainda em planejamento, em fase de construção ou que já estão operando. Posicionamento das empresas

A Pure Data Centres, responsável pelo empreendimento, que prevê um investimento superior a US$ 1 bilhão e recebe apoio da Oaktree, pertencente à Brookfield, afirmou que pretende manter o diálogo com representantes das comunidades próximas à construção. Já a Microsoft afirmou reconhecer que o empreendimento desperta opiniões intensas e declarou respeitar o direito à manifestação pacífica. Entretanto, destacou que não tolera atitudes que violem a lei.

Continua após a publicidade “Pedimos respeitosamente às pessoas que estão no local que saiam em segurança e conversem conosco sobre o projeto e quaisquer preocupações que possam ter”, declarou a empresa.

Movimento ‘Stop Dirty Data Centres‘ Ativistas anunciaram atos em 16 países europeus nesta sexta-feira e no sábado, 7, parte da coalizão “Stop Dirty Data Centres” (Parem os Centros de Dados Poluentes), que articula entidades ambientalistas e grupos de proteção dos direitos digitais em torno da proposta de suspender provisoriamente a implantação de estruturas de IA.

Mais de 100 entidades se uniram às mobilizações organizadas, entre elas a Friends of the Earth, o Greenpeace e a Foxglove, organização com sede em Londres que promove a defesa de um “futuro tecnológico mais justo”. De acordo com um levantamento do instituto alemão Öko-Institut, as emissões de dióxido de carbono provenientes de data centers de IA poderão alcançar, em 2030, um volume seis vezes superior ao registrado em 2023.

Continua após a publicidade Os participantes reivindicam a interrupção temporária de projetos de grande escala, alegando que suas consequências ambientais e sociais representam custos que “não podemos mais suportar”.

“Esses data centers estão destruindo o nosso mundo. Ele está se tornando inabitável por causa de todos os recursos que consomem.

É por isso que estamos aqui hoje”, declarou o manifestante Sam van der Beek, em Amserdã. Também estão programadas em Dublin, diante do Parlamento de Varsóvia e um protesto contra outra instalação de dados da Microsoft na Dinamarca.

Continua após a publicidade Efeito das mobilizações

Nas eleições legislativas de meio de mandato ocorridas nesta semana nos Estados Unidos, candidatos que se opõem ao crescimento dessas estruturas estiveram entre os principais vitoriosos do Partido Democrata. Na quinta-feira, as ações de empresas de tecnologia registraram fortes quedas diante do receio de que o controle do Congresso americano pelos democratas resulte em regras mais rigorosas, capazes de limitar o crescimento do setor de IA.

Os responsáveis pelas manifestações alegam que os data centers sobrecarregam o fornecimento de água e eletricidade, competem por recursos limitados com projetos habitacionais e outros setores econômicos e podem colocar em risco os objetivos climáticos. Os grupos também chamam atenção para eventuais cortes de postos de trabalho com a chegada de agentes de IA e ameaças à segurança individual e nacional, associados à concentração de influência nas mãos de grandes companhias tecnológicas.

Continua após a publicidade Em contrapartida, empresas do ramo argumentam que essas estruturas são indispensáveis para suprir a procura global por IA e serviços de computação em nuvem, além de disponibilizarem recursos tecnológicos fundamentais para companhias, administrações públicas e usuários.

Planejamento Europeu O continente europeu vive um dilema entre o objetivo de reduzir a distância em relação aos Estados Unidos e à Ásia no avanço da inteligência artificial, buscando ampliar a produtividade ao mesmo tempo que mantém o compromisso com a fiscalização e proteção à população, dispondo de normas mais exigentes que as americanas.

De 2021 a 2024, foram divulgados cerca de 250 projetos dedata centers ao redor do mundo com necessidade energética acima de 100 megawatts por unidade, volume comparável ao consumo de aproximadamente 300 mil residências por instalação. Empreendimentos situados na América do Norte concentram a maior parcela dos projetos que aguardam execução.

Continua após a publicidade No Reino Unido, a demanda energética dessas instalações poderá resultar na liberação de até 123 milhões de toneladas de CO₂ ao longo da próxima década, volume semelhante às emissões produzidas por cerca de 2,7 milhões de pessoas. Apenas no território britânico, 315 centros de dados estão na fila para obter conexão com a rede de energia elétrica, somando uma demanda estimada em 73 gigawatts.

Esse valor ultrapassa o maior nível de consumo elétrico registrado no país, calculado em 45 gigawatts. Publicidade

Publicação Original Notícias Veja veja.abril.com.br
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