Já virou uma tradição. A cada dois anos, na abertura dos portões da Cidade do Rock, a cena se repete. Os mais ansiosos para o início do festival se aglomeram nas entradas do Rock in Rio, aguardando a abertura dos portões. Na sexta, 4, às 14h em ponto, quando o acesso ao público foi liberado no primeiro dia do festival, começou a disputa pelos melhores lugares. A despeito da correria, sempre vale uma paradinha para uma selfie sob o logo gigante do festival, logo na entrada, e, com alguma sorte, uma imagem com a família de Roberto Medina, idealizador do evento, que sempre comparece à abertura dos portões no primeiro dia para saudar o público. Por conta do forte calor que beirava os 30º C e da ausência de sombra, os roqueiros que aguardavam na fila contaram com apoio de funcionários que distribuíam água, enquanto equipamentos de vaporização borrifavam água gelada para refrescar. Patrocinadores ofereciam quantidades industriais de filtro solar. "Ela quis chegar mais cedo para pegar brindes, mas viemos ver os Foo Fighters e as bandas brasileiras", contou o especialista em TI Bruno Telles, ao lado da namorada Luiza Jardim Ribeiro, na primeira leva de fãs a entrarem na Cidade do Rock. Internacional A grande atração da noite do primeiro dia do festival no Palco Mundo foi, de fato, o Foo Fighters. Foram quase duas horas no palco, com um set list de 24 músicas, encerrado, como de costume, com Everlong. Muito do que ocorre no palco está na conta de Dave Grohl, velho conhecido do mundo do rock - ele foi baterista do Nirvana. Ele canta, masca chiclete e comanda a massa - tudo ao mesmo tempo.
A turnê é baseada no mais recente álbum do grupo, Your Favorite Toy, primeiro disco de estúdio com o baterista Ilan Rubin (ex-Nine Inch Nails), que substituiu Taylor Hawkins depois de sua morte, em 2022, aos 50 anos. Mas eles seguem em frente. Your Favorite Toy, álbum lançado este ano, é mais alto-astral que o penúltimo, But Here We Are, feito após a morte de Hawkins. Dele, eles tocaram Window. O forte mesmo, no entanto, são as músicas mais antigas da banda, que já ultrapassa os 30 anos de carreira. Aquele coro de encher a Cidade do Rock veio com My Hero, seguida por Learn to Fly, um dos maiores hits da banda. Mas também teve catarse em Monkey Wrench, do público e do baterista Ilan Rubin. E ainda em Breakout, quando a banda parou para ouvir o coro dos fãs. O grupo repetiu a homenagem a Hawkins em Aurora, tal como fez no The Town em 2023. Rubin representou Hawkins com louvor nas baquetas. Nacionais Antes do Foo Fighters, o Capital Inicial subiu ao palco com a missão de não se repetir e segurar o público antes da banda de Dave Grohl. Saiu-se bem em ambas. Além de tocar os grandes hits de sua carreira, fez uma homenagem a Renato Russo (1960-1996), vocalista da Legião Urbana, com a presença do guitarrista da banda, Dado Villa-Lobos, que mostrou a que veio já na terceira música do setlist, Será. De Brasília, assim como Russo e a Legião Urbana, o Capital tem entre seus fundadores o baixista Flávio Lemos, que tocou com Russo na banda Aborto Elétrico, uma fase pré-Legião. Morto há 30 anos, Russo estava vivo na Cidade do Rock. A política, por sinal, esteve presente na apresentação. Antes de tocar Que País É Esse?, Dinho disse que a música ia para Daniel Vorcaro, banqueiro preso e investigado por liderar um dos maiores esquemas de fraudes financeiras. "Sujeira para todo lado", diz a canção que Russo compôs em 1978. "Os ministros do STF nos devem explicações. Os políticos de direita, de centro e de esquerda nos devem explicações", disse. Intercalar sucessos de carreira e as canções da Legião foi uma das boas apostas do show. Um Capital diferente, mas com seu DNA preservado, com ambos os repertórios conversando. Dinho, às vezes vacilante nos vocais, teve um grande momento em À Sua Maneira, que encerrou a apresentação. Com Primeiros Erros (Chove), formou um grande coral. Saiu do palco cantando, a cappella, Por Enquanto. Outra boa parceria nacional nos palcos foi o show do Biquini com os Detonautas de Tico Santa Cruz. Antes deles, Di Ferrero abriu as apresentações no Palco Sunset mesclando sucessos do NXZero a composições próprias e clássicos do rock nacional e internacional em uma apresentação que empolgou o público. O show teve ainda a participação especial de Danilo Cutrim, vocalista do Forfun. Outra atração nacional foi Diogo Defante, influenciador conhecido por suas entrevistas inusitadas. Com mais de 5 milhões de seguidores, ele só começou a se dedicar à carreira musical há três anos. Fez um show de uma hora repleto de efeitos especiais e com a participação de um robô humanoide, que anunciou que Defante não se apresentaria. Imagens no telão mostravam o artista amordaçado. Pouco depois, Defante se livrou das amarras, expulsou o robô e abriu o show cantando Humanoides, um dos seus maiores sucessos. "Comprei um humanoide só pra ter em quem mandar", diz a letra. O sol já tinha baixado um pouco quando as moças do Nova Twins começaram sua apresentação, às 16h40, abrindo os shows do Palco Mundo. Mas a plateia que acompanhou a apresentação ainda era bem tímida e formada, principalmente, por fãs do Foo Fighters que chegaram cedo para tentar garantir um lugar na grade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
O Liberal