'Foi a primeira vez em 40 dias sem medo': iranianos relatam alívio após cessar-fogo, mas temem nova escalada
Após mais de cinco semanas de conflito e sob a ameaça explícita de escalada militar, o cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã começa a produzir seus primeiros efeitos, não apenas no campo diplomático, mas na vida cotidiana da população iraniana.
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Relatos ouvidos por veículos internacionais mostram uma sensação ambígua nas ruas de Teerã: alívio imediato após dias de bombardeios, mas também um receio persistente de que a trégua seja apenas temporária.
“Primeira vez sem medo em 40 dias”
Em entrevista ao The New York Times, um morador de Teerã identificado como Nima afirmou que a manhã desta quarta-feira marcou um momento raro desde o início da guerra.
Segundo ele, foi a primeira vez em cerca de 40 dias que não acordou preocupado com a possibilidade de colegas morrerem em um ataque aéreo.
“Foi uma sensação boa”, disse. Ainda assim, descreveu a noite anterior como “realmente assustadora” e pediu para não ter o nome completo divulgado, temendo represálias do governo.
O relato evidencia o impacto psicológico prolongado da guerra, que manteve a população sob tensão constante diante de ataques e ameaças, incluindo declarações do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de destruição total do país.
Impacto econômico e desgaste interno
Além do medo, a guerra também deixou marcas profundas na economia iraniana. Segundo Nima, os danos à infraestrutura e aos principais setores econômicos agravaram ainda mais a situação do país.
“Do ponto de vista econômico, o país sofreu muitos danos. O país é realmente pobre”, afirmou ao jornal americano.
A avaliação reflete um sentimento mais amplo entre a população, que enfrenta dificuldades crescentes após semanas de conflito, sanções e instabilidade.
Alívio cauteloso e desconfiança
Já a emissora Al Jazeera descreve um cenário de “alívio cauteloso” em Teerã, à medida que diplomatas se preparam para novas negociações em Islamabad.
De acordo com o correspondente Ali Hashem, os iranianos demonstram satisfação com a possibilidade de retomar a rotina, mas mantêm uma forte desconfiança em relação à durabilidade do acordo.
Segundo ele, essa cautela está ligada à “falta de confiança entre os EUA e Israel, de um lado, e o Irã, do outro”, além do histórico recente: ao menos duas tentativas anteriores de negociação foram seguidas por novos confrontos.
“As pessoas estão felizes por poderem retomar suas vidas normais, mas, ao mesmo tempo, temem que isso possa se repetir a qualquer momento”, relatou Hashem.
Trégua ainda sob incerteza
O cessar-fogo, anunciado após semanas de confrontos intensos, prevê uma pausa de duas semanas nos ataques e busca abrir espaço para negociações diplomáticas.
No entanto, episódios recentes de violência e divergências entre os envolvidos reforçam a percepção de que a trégua ainda é frágil.
