'Fluxo Oculto' apreende dólares, euros e dezenas de celulares e laptops em endereços ligados a fintechs

 

Fonte: Bandeira



A operação Fluxo Oculto apreendeu dezenas de eletrônicos, documentos e mais de R$ 366 mil em dinheiro vivo, além de US$ 23,5 mil e € 1 mil, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados a empresas de pagamento digital, operadores financeiros e investigados por suspeita de lavagem de dinheiro para o crime organizado nesta quinta-feira (28) no estado de São Paulo.

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As diligências ocorreram em imóveis residenciais, escritórios e empresas localizados na capital paulista, Alphaville, Sorocaba, Atibaia e Votorantim. Entre os itens recolhidos estão dezenas de celulares, notebooks, HDs externos, tablets, pendrives, documentos financeiros, agendas com anotações e passaportes.

Em Perdizes, na capital, investigadores encontraram R$ 103,6 mil em espécie e um iPhone 13 no imóvel ligado a Maurício Matalon, sócio da Smart Solutions, empresa alvo da operação. Já no Jardim América, outro alvo da mesma família teve R$ 24,8 mil apreendidos, além de três celulares, um notebook Lenovo, um título de ações e documentos diversos.

Apreensão durante a operação Fluxo Oculto, nesta quinta-feira

Divulgação / Receita Federal

No bairro de Higienópolis, agentes localizaram R$ 17,7 mil, celulares, notebook, tablet e HDs em um dos apartamentos investigados. Em outro endereço na região, foram apreendidos um MacBook Apple e um iPhone 11.

A maior quantia foi localizada em um apartamento na Rua Eugênio de Freitas, onde policiais apreenderam R$ 220 mil, US$ 17,5 mil e € 1 mil, além de dois iPhones e cartões de memória.

Em Sorocaba, um dos alvos armazenava US$ 6 mil, seis notebooks, dez celulares, tablet, HD externo e passaporte. Em outro endereço da cidade, equipes recolheram dois celulares após arrombamento do portão do imóvel.

As buscas também atingiram empresas do setor financeiro e de tecnologia. Na sede da America Payment, em Alphaville, os policiais recolheram documentos diversos. Já em Votorantim, em endereço ligado à empresa Votopetro Indústria e Comércio, foram apreendidos HDs, desktops, notebook, pendrive, notas fiscais e agendas de anotações após entrada forçada no local.

A operação ainda recolheu celulares, notebooks e dispositivos de armazenamento em imóveis na Vila Olímpia, Itaim Bibi, Cidade Mãe do Céu e em um hotel na Alameda Santos, na região central da capital. Em Atibaia, policiais apreenderam smartphones.

Segundo investigadores, o material será analisado para rastrear movimentações financeiras suspeitas e identificar possíveis mecanismos usados para ocultar e pulverizar recursos ilícitos por meio de fintechs, empresas de fachada e operadores financeiros.

Segundo o Ministério Público, seis fintechs funcionariam como "bancos paralelos" da organização criminosa. De acordo com a investigação, essas instituições integravam um núcleo financeiro usado para compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, além de operações envolvendo empresas e fundos de investimento ligados ao grupo investigado. O sistema também serviria para pagamento de colaboradores e despesas pessoais dos operadores apontados como integrantes centrais do esquema.

Os grupos citados incluem o Ceopag, sediado em São José do Rio Preto e Barueri; o Sispay, com empresas no Itaim Bibi, em São Paulo; o Smart Solutions, no Rio de Janeiro; e o grupo Yaw, com operações em Alphaville e Belo Horizonte. Entre os alvos da operação também está a Ello Gestora de Recursos Ltda, com mandados em endereços na Rua Professor Atílio Innocenti, na Vila Nova Conceição, e na Avenida Brigadeiro Faria Lima, no Itaim Bibi, ambos na capital paulista.

Em nota, a Yaw Instituição de Pagamento S.A. afirmou que "é uma instituição de pagamento com sede em Barueri em processo de autorização definitiva junto ao Banco Central", possui seis anos de atuação e habilitação para operar Pix e outros meios eletrônicos de pagamento, e que tem 3 mil clientes.

"A Yaw ressalta que não mantém qualquer vínculo ou ligação com organizações criminosas. A instituição mantém um programa estruturado de compliance, com políticas formais de integridade e área dedicada de controles internos. Conta ainda com processos de conhecimento e recadastramento de clientes, além do uso de ferramentas tecnológicas de monitoramento de transações, em linha com as melhores práticas de prevenção à lavagem de dinheiro e a ilegalidades. Com base nos valores que orientam sua atuação, a Yaw reafirma seu compromisso com a integridade, a transparência e a colaboração com as autoridades públicas, mantendo-se à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários", destacou a empresa.

Já a Ceopag afirmou que "até o presente momento não há qualquer condenação" e que a empresa "não pode, sob nenhum pretexto, ser tratada como culpada a partir de uma fase meramente investigativa". A nota, assinada pelo advogado Eder Ricardo Fior, ainda aponta que a empresa é uma intermediária que viabiliza às lojas a captura de pagamentos por cartões, "sob as rígidas normas das bandeiras (Visa, Mastercard e congêneres) e do Banco do Brasil" e que, portanto, "os recursos transacionados pertencem aos estabelecimentos comerciais" e não à empresa. "A Ceopag não é dona, beneficiária nem destinatária do dinheiro que por ela transita - apenas o processa e o repassa, em favor de terceiros. A responsabilidade pela origem dos recursos é, por definição do modelo, dos próprios estabelecimentos, cabendo à consulente o dever de diligência, monitoramento e comunicação, que cumpre integralmente".