Fluminense revisita o passado para operar milagre na Libertadores e aliviar a pressão sobre o trabalho de Zubeldía

Fluminense revisita o passado para operar milagre na Libertadores e aliviar a pressão sobre o trabalho de Zubeldía

 

Fonte: Bandeira



“A bênção, João de Deus/ Nosso povo te abraça”. É nesse clima de esperança e uma ponta de aflição que a torcida do Fluminense vai ao Maracanã hoje, às 21h30, para o jogo contra o Deportivo La Guaira-VEN, sonhando com mais uma classificação heroica na Libertadores. A situação complicada na fase de grupos faz os tricolores resgatarem a mística do Time de Guerreiros e se inspirarem em 2011, quando também chegaram à última rodada com cinco pontos, dependendo de uma combinação de resultados. E avançaram.

Naquela campanha, o Fluminense precisava vencer fora de casa o Argentino Juniors-ARG por dois gols de diferença e ainda torcer contra o Nacional-URU. E o milagre aconteceu: vitória por 4 a 2, com direito a briga generalizada no fim do jogo, enquanto o time uruguaio empatou em 0 a 0 com o América do México. O sonho tricolor, porém, terminaria nas oitavas de final, diante do Libertad-PAR.

Bolívar ao nível do mar

Para que João de Deus volte a interceder, o Flu torce para um tropeço do Bolívar-BOL contra o Independiente Rivadavia-ARG, em jogo no mesmo horário e transferido da altitude de La Paz (Estádio Hernando Siles) para Santa Cruz de la Sierra (Estádio Ramón Aguilera), ao nível do mar, em meio a uma onda de protestos populares contra o governo do país. Se os bolivianos perderem, o time de Luis Zubeldía pode até empatar com o La Guaira para garantir uma vaga no mata-mata. Já em caso de empate na outra partida, a vitória tricolor torna-se inegociável.

Enquanto os tricolores suplicam para que a combinação de resultados dê certo, a realidade da equipe se faz presente. Após a péssima atuação na derrota por 1 a 0 para o Mirassol, no sábado passado, pelo Brasileirão, Zubeldía viu a pressão aumentar pela classificação na Libertadores, já que a campanha é vista internamente como abaixo do esperado até aqui. No pior dos cenários, a equipe pode até terminar em último lugar do grupo se perder para o La Guaira, o que também significaria ficar fora da Sul-Americana — o terceiro lugar garante vaga nos playoffs.

Além da enorme perda esportiva na temporada, a eliminação do principal torneio continental também custaria caro para os cofres tricolores, que tiveram um aumento na sua dívida — passou de R$ 865 milhões para R$ 1,04 bilhão — e já preveem um pouco mais de R$ 200 milhões em vendas de jogadores neste ano, segundo o último balanço financeiro de 2025, divulgado no fim do mês passado.

Outro fator que entra nessa conta é a possibilidade de perder a chance de aproveitar Hulk nesta Libertadores. Isso porque o ex-atacante do Atlético-MG só poderá atuar pelo Flu após a pausa para a Copa do Mundo, com a abertura da segunda janela no meio do ano. Em busca de um jogador com currículo de peso para uma temporada com Libertadores, a diretoria tentava a contratação desde o início do ano, mas só conseguiu concretizar neste mês.

Hulk em treino do Fluminense

LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.

Enquanto Hulk aguarda sua oportunidade de vestir a camisa tricolor, Savarino e Canobbio, poupados por controle de carga contra o Mirassol, voltam a ficar à disposição. A dupla treinou normalmente e deve começar jogando a partida de hoje. Já o volante Martinelli retomou as atividades em grupo nesta semana após sofrer lesão na coxa esquerda no dia 23 de abril e tem chance de voltar a ser relacionado, mas é improvável que inicie no time titular.

Ganso de saída

Quem está realmente fora do confronto é Paulo Henrique Ganso, que não será relacionado nas duas partidas do Fluminense (La Guaira e Cruzeiro) até a pausa para a Copa. A diretoria tomou essa decisão após ser comunicada pelo meia sobre o interesse de outro clube em sua contratação. Ele está justamente a um jogo de completar 13 partidas no Brasileiro, o que impossibilitaria uma transferência para um time da Série A.