Flávio teve 80% no Japão e Lula 96% na Palestina: o mapa-múndi do voto brasileiro mostra um país dividido até no exterior

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

O voto dos brasileiros no exterior, quase 1 milhão de eleitores, vai de 80% para Flávio no Japão a 96% para Lula na Palestina, mas pesa menos de 1% do total. Enquanto o Brasil ainda votava, o Japão já havia terminado as eleições.

Por causa do fuso, a votação no exterior encerrou em Nova Zelândia, Austrália e Japão horas antes, e o TSE já divulgou os boletins de urna dessas seções. A contabilização oficial só começou depois das 17h, no horário de Brasília.

Mas os boletins permitiram uma prévia curiosa: o que pensam os brasileiros que vivem longe do Brasil. Neste segundo turno, quase 1 milhão de brasileiros estavam aptos a votar no exterior, 31,8% a mais que em 2022 e o maior contingente desde 1989.

A votação ocorreu em 186 cidades de mais de cem países. Eles votam só para presidente e vice, e precisam ter transferido o domicílio eleitoral para uma zona no exterior.

O destaque é o Japão. Flávio Bolsonaro recebeu 28.538 votos (80,08%), contra 7.098 (19,92%) de Lula.

Os dois cresceram em relação ao primeiro turno, quando Flávio teve 24.601 votos e Lula, 5.234. Em 2022, Jair Bolsonaro venceu no segundo turno com 27.640 votos (83,63%), contra 5.412 de Lula (16,37%).

Há detalhes que a soma esconde. Flávio ganhou 3.937 votos (+16%), enquanto Lula ganhou 1.864 (+35,6%).

A fatia do candidato do PL caiu de 82,5% no primeiro turno para 80,1% agora, e é menor que a do pai em 2022. Só o Japão trouxe 5.801 votos a mais que no primeiro turno.

No primeiro turno, Nagoia deu 75% a Flávio e Tóquio, 68%. Nos boletins já divulgados, o exterior se divide assim.

Onde Flávio lidera: Japão (80,08%); Israel (80,81%, com 699 votos contra 166); Emirados Árabes Unidos (54,56%, com 772 contra 643); Catar (55,08%, com 195 contra 159); Grécia (54,95%, com 311 contra 255); África do Sul (57,92%, com 256 contra 186); Moçambique (52%, com 117 contra 108).

Onde Lula lidera: Palestina (95,60%, com 1.000 votos contra 46); Síria (90,60%); Jordânia (90,51%); Dinamarca (85,06%, com 1.383 contra 243); Estônia (82,90%); Suécia (78,26%, com 2.127 contra 591); Egito (78,95%); Kuwait (78,48%); República Tcheca (77,95%); Noruega (76,78%); Turquia (77,17%); Eslováquia (77,05%); Polônia (75,07%); Áustria (74,98%); Finlândia (74,83%); Eslovênia (70,53%); Sérvia (72,92%).

Em Beirute, nos 13 boletins apurados, Lula teve 2.736 votos contra 1.276 (68,2%). Ele também lidera na Austrália, na Nova Zelândia, na China e na Coreia do Sul, e há disputas apertadas em Chipre (29 a 25), Croácia (31 a 26), Malásia, Taiwan e Hong Kong.

Até agora, só a Malásia mudou de vencedor: Lula havia vencido em Kuala Lumpur por 44 a 27, e agora Flávio ganha por 44 a 41. Na soma dos primeiros países já apurados, Lula passou de 16.592 para 21.058 votos (+26,9%) e Flávio, de 30.849 para 36.382 (+17,9%).

O Japão pesa muito nessa soma, então a leitura exige cuidado. O maior salto proporcional de Lula entre países com mais de 100 votantes foi na Nova Zelândia, onde foi de 234 para 418.

Nos Emirados, o petista ganhou 131 votos em relação ao primeiro turno e Flávio, 113, e a distância encolheu. Lula perdeu votos na Malásia e na Arábia Saudita (de 52 para 49), mas manteve a vitória em Riade.

Flávio recuou de 17 para 16 votos no Quênia. O contraste mais forte está no Oriente Médio.

Israel dá mais de 80% a Flávio, e a Palestina, 96% a Lula. No primeiro turno, Tel Aviv já havia dado 74% a Flávio e Ramallah, 93% a Lula.

Como vimos nesta coluna, Israel é um dos poucos países onde a distância para o governo brasileiro virou tema de política externa, e a relação diplomática esfriou. Não há pesquisa que explique cada resultado, mas o voto dos dois lados acompanha o debate sobre Gaza e o apoio político de cada candidato.

Na Europa do Norte e Central, Lula tem de 70% a 85%. Costuma-se atribuir esse padrão ao perfil das comunidades, em geral estudantes, pesquisadores e profissionais no geral, mas é hipótese, e não dado oficial.

No Japão, a comunidade é formada em boa parte por trabalhadores e descendentes de japoneses em regiões industriais, e a explicação política é igualmente incerta. Entre os primeiros boletins compilados não apareciam os maiores colégios eleitorais do exterior.

No primeiro turno, os maiores foram Lisboa (Lula, 53,5%, com 27.936 votos válidos), Porto, Boston (Flávio, 70%), Nagoia, Londres (Lula, 56%), Tóquio, Miami (Flávio, 74%) e Paris (Lula, 78%). Nos EUA, Flávio fez 45.004 votos contra 23.335 de Lula.

O exterior pesa pouco. São cerca de 919 mil eleitores, menos de 1% do total.

No primeiro turno, Lula teve 47,6% dos votos válidos lá fora e Flávio, 43,5%, enquanto no país o resultado foi invertido (Flávio 47,03% e Lula 45,16%). Ou seja, o voto de fora inclina mais para Lula que o do Brasil, e é um termômetro ruim do resultado nacional.

A participação também é baixa. Em 2022, no primeiro turno, 43,83% dos aptos no exterior votaram, segundo o g1.

Em 2026, 62,69% não votaram no primeiro turno. O comparecimento no segundo turno tende a ser maior, e o Japão já registra salto de votantes.

Se a eleição for apertada, o exterior não decide, mas serve de lembrete. O Brasil é um país dividido até quando está longe de casa, e a divisão tem cor local: o que muda de uma cidade para outra é a comunidade, o debate e a distância.

Às 17h, a contagem nacional começa. Enquanto isso, o exterior já deu o aperitivo, mas não o prato principal.

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