As campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levarão ao horário eleitoral, que volta ao ar nesta sexta-feira, as estratégias da mudança e do medo, respectivamente. Enquanto o candidato do PL, que terminou em vantagem no primeiro turno, pretende apostar no conceito de um “novo Brasil”, o petista vai abordar, principalmente, os riscos de retrocesso em um governo do filho de Jair Bolsonaro traria ao país, com corte de programas. A ideia da campanha de Flávio é usar a retomada da propaganda na televisão para reforçar uma mensagem de renovação e, ao longo das próximas semanas, explorar diferenças geracionais entre os candidatos, incluindo o fato de Lula não usar celular. Já o atual presidente vai tentar mostrar que se o candidato do PL vencer a população ficará sem o Farmácia Popular, que distribui remédio de graças, sem aumento real do salário mínimo. A declaração do candidato do PL de que pretende mudar a Constituição também será usada. A comunicação da campanha do petista foi alvo de críticas pesadas ao longo do primeiro. Por isso, deve ser esperado uma nova diretriz. O marqueteiro Otávio Antunes, que fez a campanha de Fernando Haddad em São Paulo, se incorporou à equipe e trabalhará junto com Raul Rabelo, sócio do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira. Ao contrário do que aconteceu na primeira etapa da eleição, a campanha de Lula deixará agora de lado a exaltação do legado de Lula. Além do medo, os outros dois eixos centrais da propaganda serão o futuro, com a apresentação de propostas, e a humildade. O plano é que o presidente reconheça que as coisas no estão boas e precisam melhorar. O primeiro programa de Flávio marcará o início de uma nova etapa da comunicação eleitoral, agora concentrada no confronto direto com o petista. A equipe pretende trabalhar a imagem do filho de Jair Bolsonaro como um candidato capaz de representar o futuro do país, associando o discurso de mudança a temas do cotidiano, como emprego, segurança pública e custo de vida. A expressão “Novo Brasil” deverá ser um dos eixos dessa apresentação, em uma tentativa de dar unidade às mensagens da campanha. O contraste geracional será uma das apostas para os próximos programas e peças publicitárias. A equipe pretende explorar a relação dos candidatos com a tecnologia e utilizar o fato de Lula não usar celular como exemplo da distância que busca estabelecer entre o presidente e as transformações da sociedade. A provocação faz parte da estratégia mais ampla para o segundo turno, mas não há confirmação de que será incluída no programa de estreia. A propaganda também será uma oportunidade para Flávio apresentar a ampliação de sua aliança política depois do primeiro turno. Nos últimos dias, o candidato recebeu o apoio de partidos como Novo, Republicanos, Podemos e da federação União Brasil-PP. A estratégia do marqueteiro Duda Lima é explorar o resultado de domingo para transmitir a mensagem de que o Brasil “já venceu” ao dar 47% dos votos ao senador. Com a chegada dos novos aliados, a campanha pretende reforçar a ideia de que o “Novo Brasil” está unido em torno da candidatura de Flávio, apresentando as adesões como sinal de uma convergência política para o segundo turno. Diferentemente do primeiro turno, quando os candidatos tinham tempos desiguais de exposição, Flávio e Lula contarão com cinco minutos cada um nos dois blocos diários da propaganda presidencial na televisão. Também terão direito a 12 minutos e meio de inserções por dia. Por ter recebido mais votos no primeiro turno, Flávio será o primeiro a aparecer na nova fase do horário eleitoral. Os programas serão exibidos até 23 de outubro, dois dias antes da votação. A divisão igualitária do tempo permite à campanha planejar uma sequência de programas voltados exclusivamente ao confronto com Lula. A equipe pretende combinar a apresentação de propostas com críticas ao governo federal, preservando os temas que marcaram a propaganda anterior, especialmente a segurança pública e as dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias. A retomada do horário eleitoral ocorre ainda em meio a uma tentativa de ampliar a presença da candidatura nas redes sociais. A campanha quer aproveitar os conteúdos produzidos para a televisão em vídeos mais curtos, com potencial de circulação nas plataformas digitais. A provocação sobre o uso de celular por Lula é considerada uma das abordagens que podem ser exploradas nesse formato. A nova etapa também busca equilibrar a associação de Flávio ao legado político de Jair Bolsonaro com a apresentação de uma identidade própria. No encerramento da propaganda do primeiro turno, o senador havia adotado um tom de agradecimento aos eleitores e de oposição ao governo petista, com referências à necessidade de superar o que chamou de “velho sistema”. Agora, a proposta é desenvolver o discurso de mudança sob o conceito de “Novo Brasil”. A campanha chega à televisão depois de uma semana de negociações com partidos e lideranças estaduais. Flávio tem pedido aos aliados que mantenham os comitês ativos e intensifiquem a mobilização até 25 de outubro, mesmo nos estados onde as eleições para governador já foram definidas. A expectativa é que essa estrutura também ajude a divulgar os programas e ampliar a repercussão das mensagens apresentadas na propaganda eleitoral.
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Flávio tenta se apresentar como nome da mudança na volta do horário eleitoral, enquanto Lula explora risco de retrocesso
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