Flávio rompe com grupo de Ratinho Junior e vai apoiar Moro, que ainda avalia filiação ao PL
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, decidiu romper com o PSD do governador do Paraná, Ratinho Júnior, e vai apoiar o senador Sergio Moro (União-PR) na eleição para governador do estado.
Moro se reuniu nesta quarta-feira com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em Brasília, em um encontro que vinha sendo costurado há dias por interlocutores dos dois lados. Segundo relatos, a conversa avançou rapidamente para um entendimento político e ocorreu em clima descrito como “pragmático”, com Valdemar deixando claro que o PL não esperaria indefinições do PSD. O PL dará apoio à candidatura de Moro no Paraná, e o senador se comprometeu a garantir palanque para Flávio no estado, considerado peça-chave no Sul. Auxiliares de Valdemar dizem que o acordo foi tratado como “prioridade” diante do impasse com o PSD.
No entorno do governador Ratinho Júnior, porém, a leitura é de que a reunião, que durou cerca de 40 minutos, não selou um acordo definitivo, mas manteve aberta uma margem de pressão dos dois lados. Interlocutores avaliam que tanto Moro quanto o PL preservaram espaço de manobra: o senador não formalizou sua filiação à legenda, enquanto o partido também não fechou completamente a porta para rever o apoio. Na prática, a avaliação é que o movimento funciona como instrumento de pressão sobre Ratinho, em meio à disputa por seu apoio na eleição presidencial.
A decisão de Flávio foi tomada após Ratinho recusar abrir mão de uma candidatura presidencial própria em troca do apoio do PL ao PSD na disputa no Paraná.
Nos bastidores, aliados de Flávio relatam que houve mais de uma rodada de conversas com o entorno do governador, inclusive um contato direto na semana passada, nas quais o PL chegou a sinalizar apoio a Guto Silva (PSD) no Paraná como parte do pacote. A resposta de Ratinho, segundo esses relatos, foi de que não abriria mão de um projeto nacional caso fosse escolhido pelo partido. O diagnóstico final no PL foi de que o governador “jogou para ganhar tempo” e não daria garantias.
Desde este contato, o governador viajou para a Suíça, dando poucos sinais ao pré-candidato. Em meio a isso, Kassab passou a indicar a aliados que Ratinho deve, de fato, ser o nome do partido à Presidência, reforçando a resistência interna a um acordo com o PL.
O acordo entre PL e Moro também se dá em meio às dificuldades enfrentadas pelo senador do Paraná para se viabilizar candidato a governador pelo União Brasil. Ele avalia se filiar ao PL, mas ainda não há um martelo batido.
Integrantes da cúpula do PL afirmam que a filiação de Moro chegou a ser discutida na reunião com Valdemar, mas foi tratada como etapa posterior, para evitar tensionar ainda mais o União Brasil neste momento. A avaliação é que, mesmo permanecendo na sigla, Moro já passa a operar politicamente alinhado ao PL no estado.
Moro disse a integrantes do União Brasil que se sente inseguro dentro do partido, que deve formar uma federação com o PP. Ele avalia sair da sigla diante de resistências de setores do PP-União a dar legenda para ele concorrer a governador do Paraná.
Relatos de dirigentes apontam que Moro tem reclamado de “falta de previsibilidade” dentro da federação em negociação e teme ser preterido por acordos locais costurados pelo PP.
O União Brasil ainda tenta manter Moro em seus quadros. Os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e o presidente do União, Antonio Rueda, conversam para tentar chegar a um entendimento. Apesar disso, no fim do ano passado, Ciro chegou a dizer publicamente que Moro não teria legenda, posição que passou a ser revista diante do assédio de outros partidos.
PP e União Brasil devem formar uma federação e precisam seguir a mesma posição nas eleições. Dentro do grupo há resistência para que o senador seja candidato a governador. O principal foco de insatisfação é o deputado Ricardo Barros (PP-PR), adversário de Moro e que articula contra a candidatura dele. Barros deverá ter um papel de grande influência no diretório estadual da provável futura federação.
Apesar do imbróglio, o comando do União Brasil ainda tenta convencer o grupo do PP a dar legenda para ser candidato pela federação. Há uma avaliação de que o senador é um nome competitivo e pode ajudar os partidos a terem um bom desempenho também na formação de bancada no Congresso.
Moro deve ter novas conversas com a cúpula do União Brasil ainda hoje para debater o assunto.
As articulações entre PL e Moro também envolveram uma tentativa de composição nacional entre Flávio e o PSD. Flávio Bolsonaro e o PL tentaram pressionar o partido a não ter candidatura própria a presidente.
Aliados de Flávio já viam o governador do Paraná, Ratinho Júnior, como o mais viável dos pré-candidatos do PSD antes mesmo do partido fazer um anúncio e procuraram ele para um acordo.
A ideia seria Ratinho abrir mão da candidatura em troca do apoio do PL a seu candidato a governador do Paraná, que deverá ser o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD). Ratinho negou o acordo e disse que, se for escolhido candidato pelo PSD, irá aceitar a designação do partido.
Sem selar a aliança, o PL decidiu apoiar Moro, rival de Ratinho, para o governo do Paraná.
