Flávio registra B.O. após postagem ameaçar repetir com ele atentado sofrido pelo pai
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou um boletim de ocorrência (B.O.) após ser alvo de ameaça publicada na rede social X (antigo Twitter). Segundo o documento da Polícia do Senado, o usuário escreveu na plataforma que poderia repetir contra o parlamentar o ataque sofrido pelo pai, Jair Bolsonaro, em 2018.
De acordo com o registro policial, feito na manhã deste sábado, 7, pela Secretaria de Polícia do Senado, o caso foi classificado como ameaça (artigo 147 do Código Penal), com "conotação política". O próprio senador comunicou às autoridades que tomou conhecimento da publicação nas redes sociais e decidiu formalizar a denúncia.
Tudo começou durante uma discussão pública na plataforma. Um perfil identificado como @FiorinoCarioca, que se descreve como "cristão, caminhoneiro, pai de três e marido", publicou uma mensagem questionando a origem do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência.
"Vocês estão assustados com os prints do celular do Vorcaro? Imaginem os prints dos celulares de Adélio Bispo. Quem mandou matar Jair Bolsonaro?", escreveu o usuário.
A postagem provocou uma resposta do perfil @MarcosB51733320. "Quem mandou eu não sei. Mas quem quiser me pagar pro Flávio sofrer o mesmo
", puo acusado.
A frase faz referência direta ao atentado sofrido por Jair durante a campanha presidencial de 2018.
Segundo o B.O acessado pela reportagem, a mensagem foi registrada como ameaça à integridade do senador. O documento também aponta que, após a publicação, circulou um print com a imagem de Adélio Bispo dos Santos, autor da facada contra Bolsonaro, acompanhado da bandeira do Brasil. "ANISTIA PARA ADÉLIO! Ele só tentou, mas não conseguiu finalizar o golpe!!", dizia o texto da montagem.
O perfil associado ao suspeito se apresenta na rede social como participante do Clube de Regatas do Flamengo, opositor de qualquer governo e afirma na biografia que "ser odiado por idiotas é meu hobby preferido". A conta reúne cerca de 1,7 mil seguidores.
A facada de Bolsonaro
Há 8 anos, durante um ato de campanha em Juiz de Fora, em Minas Gerais, Jair Bolsonaro foi esfaqueado por Adélio Bispo enquanto cumprimentava apoiadores. O ataque aconteceu em 6 de setembro, a pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais.
Na época, Bolsonaro liderava as pesquisas de intenção de voto, mas enfrentava forte rejeição e intensa polarização política. O atentado provocou comoção pública e alterou o tom da campanha eleitoral. Adversários reduziram críticas diretas ao então candidato enquanto ele se recuperava das cirurgias decorrentes do ferimento.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal concluíram que Adélio Bispo agiu sozinho e por motivação política. Laudos médicos indicaram que ele sofre de transtorno delirante persistente, motivo pelo qual a Justiça considerou o agressor inimputável. Em 2019, a decisão judicial determinou a chamada absolvição imprópria, convertendo a prisão preventiva em internação em estabelecimento de segurança máxima.
Até hoje, porém, teorias sobre a existência de um possível mandante continuam circulando nas redes sociais e em discursos políticos, frequentemente reaparecendo em debates públicos, como ocorreu na discussão online que antecedeu a ameaça contra o senador.
Com o registro do boletim de ocorrência, o caso agora deve ser analisado pelas autoridades responsáveis pela investigação, que podem avaliar eventuais medidas criminais relacionadas à ameaça publicada nas redes sociais.
