Flávio pretende manter mote do antipetismo e críticas ao aumento do custo de vida, com segurança pública como bandeira

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pretende transformar o resultado das eleições para governador em uma rede de palanques para a eleição presidencial. A estratégia é mobilizar os cinco governadores do PL eleitos no domingo e os dois que ainda disputam o segundo turno. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deve contar ainda com o apoio de partidos como o PP e o União Brasil, que ficaram neutros no primeiro turno. O plano é manter o mote do antipetismo, as críticas ao aumento de custo de vida e usar a segurança pública como bandeira. Leia mais: Nunes Marques deve liberar revisão criminal de Bolsonaro para julgamento após segundo turno 'Não merece': Nikolas Ferreira diz que não apoiou Carlos Bolsonaro ao Senado em SC 'por princípios' Três dos cinco governadores eleitos pelo partido estão no Sul — Sergio Moro (PR), Zucco (RS) e Jorginho Mello (SC). Na região, Flávio alcançou cerca de 60% dos votos válidos. Os outros dois estão em estados onde o desempenho do presidenciável também foi elevado. Em Rondônia, Marcos Rogério foi eleito e Flávio teve 67,45% dos votos. Em Roraima, Arthur Henrique venceu a disputa pelo governo e o candidato à Presidência chegou a 71,06%. Além desses cinco, o PL tem dois candidatos disputando o segundo turno. No Rio, Douglas Ruas terminou na liderança, com 49,27% dos votos, contra 42,76% de Eduardo Paes (PSD). No Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL) teve 24,5%, atrás de Omar Aziz (PSD), que teve 40,5%. A disputa é vista pela campanha presidencial como oportunidade de manter o PL mobilizado na região Norte. O mapa dos palanques de Flávio Editoria de Arte A estratégia, porém, não deve ficar restrita aos governadores do PL. São Paulo é considerado um dos principais focos da campanha para o segundo turno. Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador com 62,65% dos votos válidos, enquanto Flávio teve 51,93% dos votos válidos no estado. Tarcísio viajou para Brasília ontem para se reunir com Flávio e já se mostrou disposto a percorrer não só São Paulo, mas outros estados. A diferença entre as votações de Tarcísio e Flávio em São Paulo é observada pela campanha como um indicativo de espaço para ampliar a votação presidencial no estado. Flávio e Tarcisio Hyndara Freitas / O GLOBO Ainda no domingo, Flávio telefonou para o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. A campanha pretende ainda dar mais espaço a outros nomes com votações expressivas, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O comando nacional do PP marcou para a tarde de hoje uma reunião para decidir a posição da sigla no segundo turno da eleição presidencial. De acordo com integrantes da Executiva Nacional do partido, a tendência é que a legenda apoie Flávio. Já o PSD anunciou neutralidade e liberou os filiados a apoiarem Lula ou o candidato do PL. Flávio deve ir à Goiânia hoje para receber o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado , que disputou o Palácio do Planalto pelo PSD e teve 2,18% dos votos. — Amanhã (hoje), Flávio Bolsonaro vai estar aqui em Goiânia, às 14h30, para receber o apoio do governador Daniel Vilela, do Caiado, de toda a nossa base dos prefeitos aqui em Goiás — afirmou em vídeo o deputado Gustavo Gayer (PL-GO). Derrotado na disputa presidencial, o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) anunciou ontem apoio a Flávio. Ele teve 0,27% dos votos. — Eu não vou me omitir, nem ficar em cima do muro nesse momento tão importante. Voto contra o PT, voto no Flávio Bolsonaro. O Brasil não aguenta mais quatro anos de PT, nem quatro ministros nomeados por Lula (para o STF)— afirmou, em vídeo. Também ontem, o ex-presidente Michel Temer (MDB) declarou apoio ao candidato do PL. Temer assumiu a Presidência em 2016, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), de quem era vice. Desde então, passou a ser criticado por integrantes do PT e pelo próprio Lula. — Na sua concepção, se você fosse presidente chamado de golpista permanentemente pelo PT, qual seria sua posição? — questionou Temer. O ex-presidente foi o responsável por indicar Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado, que foi relator do processo da trama golpista que levou Bolsonaro à prisão, é considerado inimigo político por bolsonaristas. O impeachment de Moraes é uma das bandeiras do grupo político. O MDB, partido de Temer, ainda não declarou posição no segundo turno. Na primeira etapa da disputa, a legenda decidiu por liberar os filiados. Apesar de abrigar nomes de oposição ao PT, como Temer e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, a legenda tem uma ala próxima de Lula. Bolsonaro em 2030 O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ontem que Bolsonaro poderá voltar a disputar a Presidência em 2030 caso Flávio seja eleito. O presidenciável do PL já afirmou que pretende anistiar o pai e não disputar a reeleição. Valdemar disse não ter dúvidas de que Flávio, caso eleito, irá “liberar” Bolsonaro para uma nova candidatura. Segundo ele, o ex-presidente poderia ser novamente um nome competitivo na eleição seguinte. — O Flávio se elegendo presidente da República, ele vai liberar o Jair Bolsonaro. Eu não tenho dúvida disso. O Jair Bolsonaro pode ser um forte candidato daqui quatro anos. O povo vai querer Jair Bolsonaro — afirmou Valdemar, em entrevista à CNN Brasil.

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