Flávio inicia tour de igrejas e amplia ofensiva entre evangélicos: 'Que o Senhor o leve para ser presidente'

 

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O senador Flávio Bolsonaro iniciou nesta segunda-feira, em São Paulo, um tour por igrejas evangélicas com encontros reservados com lideranças religiosas, em meio à disputa pelo eleitorado evangélico. A agenda foi acelerada após movimentos recentes de adversários — como o governador Ronaldo Caiado (PSD), que teve a candidatura oficializada semana passada — para avançar sobre o segmento.

O primeiro movimento ocorreu pela manhã, em um encontro estadual de obreiros da Assembleia de Deus Ministério do Belém. No evento, Flávio subiu ao púlpito, se ajoelhou e recebeu uma oração do bispo José Wellington Bezerra da Costa diante de ao menos 40 de pastores.

Na oração, o bispo fez referência direta ao futuro político do senador:

— Que o Senhor o leve para ser presidente da nossa nação. Que ele tenha graça e nasça do céu — declarou.

O encontro reuniu dezenas de pastores e integrou uma reunião de obreiros — que inclui diferentes níveis de liderança da igreja.

Também participou do encontro o pastor José Wellington Costa Júnior, filho do bispo, ambos ligados à Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangelicas Assembleia de Deus do Brasil, uma das principais entidades da denominação no país, com forte capilaridade nacional.

— Estivemos mais cedo na sede da Assembleia de Deus Belém, com o bispo José Wellington. Estavam todos os pastores reunidos — afirmou o coordenador da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN).

Segundo interlocutores, a agenda na capital paulista se estende ao longo dos primeiros dois dias da semana e inclui uma série de encontros reservados com outras lideranças evangélicas de peso, em conversas fora do radar público. O modelo segue a lógica adotada em 2018, com agendas individuais e aproximação direta com dirigentes religiosos.

Entre os nomes que concentram grande capacidade de mobilização estão lideranças como Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo; R. R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus; e Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, com quem aliados do senador tentam encontros ao longo da agenda.

O senador retorna de São Paulo nesta terça-feira e, na quinta, tem previsão de agenda em Campo Grande, onde deve participar da Expogrande. A presença no evento é tratada por aliados como um gesto de aproximação com o agronegócio, outro segmento considerado central na disputa de 2026.

A ofensiva ocorre em um cenário em que o eleitorado evangélico tem peso decisivo na disputa presidencial. Segundo a última pesquisa Datafolha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem desempenho mais limitado entre evangélicos, onde alcança cerca de 21%. Já Flávio concentra apoio expressivo nesse segmento, com cerca de 48% das intenções de voto, mais que o dobro do percentual de Lula

Fator Caiado

Nesse cenário, a movimentação ocorre após o governador Ronaldo Caiado lançar, na semana passada, uma ofensiva para avançar sobre o eleitorado evangélico, com a escalação do deputado Otoni de Paula como articulador e a previsão de participação em convenções de pastores, encontros reservados e agendas em grandes igrejas.

A estratégia inclui ainda a abertura de canais com lideranças de diferentes denominações, em uma tentativa de furar a predominância do bolsonarismo no segmento.

Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que a entrada de Caiado acelerou a montagem do roteiro de visitas e reuniões reservadas, com foco em lideranças com alta capacidade de mobilização e influência sobre a base evangélica.