Flávio Bolsonaro foi abandonado por Michelle no segundo turno e teve, na campanha fracassada, a companhia protocolar de Tarcísio de Freitas e de outros oportunistas que nem bolsonaristas são. Flávio sentia que estava sendo abandonado.
Foi abandonado pelos pastores evangélicos, pelos deputados do PL que se elegeram e largaram de mão a campanha. E foi jogado na estrada principalmente pelos líderes da velha direita engolida em sucessivas eleições pelo fascismo.
O que restava da velha Arena que a extrema direita comeu em vários Estados, entre os quais o Rio Grande do Sul, reduzindo bancadas na Câmara e no Senado de partidos como o PP e o PSD, não se esforçou por Flávio. Fingiram que se dedicavam à campanha, mas sem dar o que podiam, ou sumiram.
Ficaram as figuras do bolsonarismo exacerbado, como Nikolas Ferreira, mas desastradas ou inconsequentes. Tão desastradas que, em quase todas as cidades em que Nikolas investiu com sua caravana de ódio e mentiras, Lula aumentou sua votação.
Flávio foi tratado como um pangaré inconfiável por Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto, Antonio Rueda e Gilberto Kassab. Foi esnobado pelos empresários.
Considerava-se o candidato da Faria Lima que lava dinheiro para o PCC, mas quem da Faria Lima acreditava mesmo nele? O filho ungido viu a fuga de aliados no segundo turno, a partir do momento em que não havia mais como resistir à avalanche provocada pelo Exército de Janones.
Pela primeira vez o bolsonarismo era derrotado nas ruas e nas redes. A direita jogou parada durante as três semanas até a eleição.
Depois de levar uma lavada de 4,4 milhões de votos, o derrotado testou suas forças ao questionar a eleição, mas a direita esperta avisou: estamos fora dessa. Tarcísio e o centrão o abandonaram.
Só o mais ingênuo ou idiota dos políticos não bolsonaristas, sem compromisso com a fidelização do extremismo, poderia se aliar à tentativa de mais uma simulação de golpe. Flávio foge porque não teria nenhuma chance de continuar sendo tratado a pão de ló pelo Judiciário, principalmente pelo Supremo, como foi até o engavetamento do caso das rachadinhas.
Não há mais como como passar pano para tudo o que se acumulou das investigações sobre seu envolvimento com Daniel Vorcaro. A fuga oferece à velha direita a chance de se desfazer do controle exercido até aqui pelo que sobrou do núcleo original do bolsonarismo, a partir dos filhos do líder golpista.
Michelle e Tarcísio não fazem parte dessa estrutura e também já comemoram a fuga. A velha direita tem neste 27 de outubro, no dia do aniversário de Lula, a fuga como presente aos velhos conservadores que haviam se acovardado diante da expansão da extrema direita.
Vão se livrar do jugo da família que se esfacela por não ter, pelos crimes que cometeu, como suportar mais uma derrota. A partir de hoje, e considerando-se também a possibilidade de derrota de Trump nas eleições americanas de renovação do Congresso no dia 3 de novembro, Flávio Bolsonaro é um perdedor sem futuro de curto e médio prazos, como o pai e o irmão.
O derrotado em fuga vira um traste e não vale a soma de um Allan dos Santos com um Paulo Figueiredo. Flávio passa a se equivaler ao irmão Eduardo, a Carla Zambelli e a Alexandre Ramagem.
Para o fascismo, fugir será sempre um verbo no infinitivo.
Brasil 247