Flávio fideliza direita no primeiro turno e avança entre eleitores 'nem Lula, nem Bolsonaro', diz pesquisa Genial/Quaest

 

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O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), medido pela pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, ocorreu graças à fidelização do eleitorado mais à direita no primeiro turno e com a melhoria de desempenho na parcela “independente” no segundo turno.

Segundo o levantamento, cresceu a aprovação a Flávio entre os eleitores classificados como “bolsonaristas” e “direita não bolsonarista”. Por outro lado, metade dos entrevistados dizem que “não votam” em um candidato indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A pesquisa apontou que 44% dos eleitores consideram que Bolsonaro acertou em indicar o filho mais velho como candidato. O percentual, pela primeira vez, é numericamente superior ao dos que avaliam que o ex-presidente errou na escolha (42%). Em dezembro, quando a pergunta foi feita pela primeira vez, 54% consideravam errada a escolha por Flávio, enquanto 36% a avaliavam como acertada. A margem de erro é de dois pontos.

Bolsonaro acertou ou errou ao indicar Flávio para concorrer?

Desde dezembro, a aceitação à candidatura de Flávio aumentou principalmente entre eleitores da direita não bolsonarista – 71% consideram hoje que Bolsonaro acertou na escolha, ante 55% no fim de 2025 – e na base bolsonarista, em que 89% aprovam a opção feita pelo ex-presidente.

Em um cenário de primeiro turno que reúne Lula, Flávio e o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), o senador do PL aparece hoje com 31% das intenções de voto, um crescimento de três pontos em relação à pesquisa anterior. Nesse quadro, Lula permanece com os mesmos 37% do último levantamento, enquanto Ratinho Jr., embora seja a “terceira força” mais competitiva na pesquisa, caiu de 11% para 7%. (veja o cenário 4 no gráfico abaixo)


Embora a margem de erro nesses segmentos seja mais larga do que a geral da pesquisa, os dados sugerem que o crescimento de Flávio ocorreu principalmente no eleitorado bolsonarista: 92% declaram voto no senador do PL neste cenário, índice dez pontos superior ao medido em janeiro. Entre a direita não bolsonarista, Flávio também registra uma oscilação numérica positiva, de 59% para 65%.

Já na simulação de segundo turno contra Lula, o desempenho de Flávio cresceu entre os eleitores chamados “independentes”, que não estão posicionados nem à direita, nem à esquerda. Segundo a Quaest, 26% desses eleitores dizem hoje votar em Flávio, contra 31% que apoiam Lula. A distância, que hoje é de apenas cinco pontos, era de 14 em dezembro, quando o petista tinha 37%, e Flávio, 23%.


O dado ajuda a entender a queda da distância entre Lula e Flávio em um hipotético segundo turno, de acordo com a Quaest. Hoje, o atual presidente teria 43% das intenções de voto na totalidade do eleitorado, contra 38% do senador do PL. Há dois meses, Lula tinha o dobro desta vantagem.

Desafio da rejeição

Apesar de trazer boas notícias para Flávio, a pesquisa divulgada nesta quarta-feira indicou, por outro lado, que se mantém elevada a rejeição a uma candidatura indicada por Bolsonaro. Segundo o levantamento, 49% dizem que não votam no nome que for escolhido pelo ex-presidente, percentual idêntico ao medido na pesquisa anterior, em janeiro. Entre os eleitores “independentes”, este percentual é de 52%.

Flávio também é um dos nomes mais rejeitados pelo eleitorado, ao lado de Lula. A pesquisa apontou que 54% dos eleitores dizem que “conhecem e não votariam” no filho de Bolsonaro, quase o mesmo percentual dos que respondem o mesmo em relação ao atual presidente (55%).

Lula, no entanto, apresenta hoje maior potencial de voto: 42% afirmam que “conhecem e votariam” no petista, ante 36% que dizem o mesmo sobre Flávio.


Apesar da rejeição elevada, o atual presidente e o filho de Bolsonaro são os candidatos com maior potencial de voto, de acordo com a pesquisa. No quadro geral da pesquisa, 23% dizem que "conhecem e votariam" no governador Ratinho Jr., do Paraná. Nesse quesito, ele pontua acima dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que tem 14% de potencial de voto; de Minas, Romeu Zema (Novo), com 13%; e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), que aparece com 10%.

A rejeição às candidaturas de Lula e de Flávio, por outro lado, atinge o mesmo percentual entre os eleitores "independentes": 64%. Nesse segmento, 30% dos entrevistados disseram que poderiam votar em Lula, enquanto 24% citavam a possibilidade de apoiar Flávio na eleição presidencial.