O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fará nesta terça-feira sua primeira agenda conjunta com o deputado federal e principal puxador de votos do PL, Nikolas Ferreira (MG). Os dois participarão de uma caminhada, um adesivaço e uma entrevista coletiva no bairro Betânia, em Belo Horizonte, numa aproximação que a campanha do presidenciável quer tornar mais frequente ao longo das próximas semanas.
A avaliação é que Nikolas, dono de uma das maiores audiências digitais do bolsonarismo, pode ajudar a mobilizar uma parcela do eleitorado que acompanha o deputado, mas não necessariamente faz campanha por Flávio. O encontro tem como pano de fundo críticas de alas da direita que criticam o deputado mineiro por manter uma agenda própria, nem sempre alinhada à disputa presidencial.
A dobradinha começou a ganhar forma nas redes nesta segunda-feira. Nikolas publicou um santinho com sua fotografia ao lado da de Flávio e os números de urna dos dois, um para deputado federal e outro para presidente. “Agora é só digitar e confirmar”, escreveu. Flávio respondeu à publicação com uma convocação ao aliado: “Bora pra cima, Nikolas! Vamos juntos resgatar o nosso país das mãos sujas do PT e devolver o Brasil aos brasileiros. O Brasil vai vencer!”. Aliados na linha de frente A aproximação é também a primeira materialização nas ruas de uma estratégia que vinha sendo discutida pelo QG de Flávio antes mesmo do início oficial da campanha. Como O GLOBO, o entorno do presidenciável tenta organizar uma rede de aliados com forte presença digital para repercutir suas mensagens, responder a ataques e assumir confrontos com adversários. A ideia é evitar que Flávio precise protagonizar sozinho todas as disputas e, ao mesmo tempo, aproveitar a audiência acumulada por parlamentares bolsonaristas nos últimos anos. Nikolas aparece no topo dessa lista. Gustavo Gayer (PL-GO) e André Fernandes (PL-CE) também são citados como nomes que podem ajudar na mobilização digital.
O diagnóstico interno é que falta à candidatura presidencial conseguir reunir em torno de Flávio uma força que já existe na direita. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque mostrou que, entre 4 e 10 de agosto, a extrema-direita respondeu por 52% a 61% das publicações monitoradas diariamente, contra uma oscilação de 28% a 34% da esquerda. O campo político, portanto, continua produzindo e mobilizando intensamente nas redes. A dificuldade identificada pelo QG é fazer com que essa engrenagem funcione de maneira mais coordenada em torno do presidenciável. Voo próprio A entrada de Nikolas nessa operação, porém, não significa que o deputado estará à disposição da campanha. Nikolas tenta renovar seu mandato de deputado federal, tem uma estrutura própria de comunicação e construiu uma capacidade de mobilização que lhe permite escolher temas e atos independentemente da estratégia nacional do PL. Um exemplo dessa autonomia ocorreu na semana passada. Enquanto Flávio concentrava a divulgação no ato realizado em Copacabana, no Rio, Nikolas e Gayer direcionaram seus esforços para uma manifestação em Goiás.
Neste contexto, a participação do deputado na campanha presidencial deverá obedecer a esses limites: a expectativa é que Nikolas esteja ao lado de Flávio nas agendas em Minas Gerais, seu reduto eleitoral, mas não acompanhe o presidenciável em viagens e atos pelo restante do país.
O Globo