Flávio encerra tour pelo exterior com encontros com extrema-direita e ataques a aliados de Lula

 

Fonte:


Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) encerrou na terça-feira um tour de duas semanas pela Europa e Oriente Médio em que buscou afinar relações com políticos de extrema direita, atacar a gestão Lula e o Judiciário, além de tentar dar visibilidade à candidatura, que enfrenta resistências no Brasil no seu campo político. O senador, que levou a tiracolo o irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, teve encontros com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu; com autoridades do Bahrein, e se encontrou ontem com Marion Maréchal, sobrinha da líder da extrema direita francesa Marine Le Pen.

Sessão que afastou ministro do STJ teve leitura de relatos de vítimas: 'Clima de funeral e indignação'

Rio: Emendas de Altineu abastecem empresas acusadas de irregularidades de obras em São Gonçalo

Em entrevista ao canal francês CNews na segunda-feira, Flávio fez críticas ao presidente Emmanuel Macron, aliado de Lula e afirmou que o Brasil “não vive uma democracia plena”. Segundo ele, o pai foi condenado por “inimigos” — Jair Bolsonaro cumpre pena por liderar uma trama golpista para se manter no poder.

Ao tratar do tema, Flávio reforçou que o Senado é responsável por analisar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e chamou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de “um grande violador de direitos humanos”.

Na entrevista, Flávio também afirmou que o Brasil “precisa ser salvo com propostas modernas”. O senador citou o escândalo de desvios no INSS e tentou vinculá-lo a Lula. Ele também ressaltou esperar que os dois países tenham novos chefes de Estado no próximo ano e chamou Macron de “incompetente”.

— O Brasil não aguenta mais quatro anos de um governo de extrema esquerda. Assim como a França, acredito, não aguenta mais um mandato de um governo de extrema incompetência como o de Emmanuel Macron, que tem feito tanto mal a este país — afirmou o senador, em referência ao pleito francês de 2027, do qual o atual presidente não poderá participar.

Braço-direito de Flávio na viagem, Eduardo defendeu a atuação do irmão após a repercussão da entrevista, afirmando que “o mundo está sedento por uma virada à direita, racional, lógica, menos ideológica e mais tradicional, focada naquilo que já deu certo e respeita nossas culturas”, escreveu Eduardo nas redes sociais. Alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal por coação à Justiça, Eduardo vive nos Estados Unidos e perdeu o mandato no fim do ano passado por faltas.

Flávio, que retorna hoje ao Brasil, deseja se consolidar como uma liderança alinhada à direita conservadora internacional. Seu primeiro destino foi Israel, onde o senador participou da Conferência Anual do Combate ao Antissemitismo na última semana de janeiro.

Críticas a petista

Ao lado do irmão, articulador das agendas, o parlamentar transformou a estadia no país em uma sequência de gestos políticos e diplomáticos. A imagem de proximidade do senador com Netanyahu é vista pelo entorno dele como ativo eleitoral. Flávio também escolheu Israel para repetir acenos simbólicos feitos pelo pai antes de assumir a Presidência da República.

Durante a passagem pelo país, Flávio Bolsonaro se submeteu a um novo batismo no rio Jordão e participou de orações no Muro das Lamentações, em Jerusalém, cenas divulgadas nas redes sociais do parlamentar. O pré-candidato ao Planalto também acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ser antissemita. Para aliados, os gestos reforçam a identidade pública de Flávio e a conexão com o eleitorado cristão, base do bolsonarismo.

— Lula é antissemita. Isso não é um slogan, não é exagero. É baseado em suas ideias, seus conselheiros, suas palavras e suas ações — afirmou Flávio durante participação na conferência israelense.

O senador deu continuidade ao tour no Oriente Médio com reuniões no Bahrein, onde dialogou com o príncipe herdeiro e primeiro-ministro do país, Salman bin Hamad Al Khalifa. Segundo aliados, Flávio também esteve com autoridades dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar em seguida, incuindo o Sheikh Khaled, príncipe herdeiro de Abu Dhabi.

As agendas mais recentes do senador ocorreram na França, onde ele se reuniu com Marion Maréchal e com o bilionário Vicent Bolloré, empresário influente no setor de mídia e de negócios no país. O senador posou ainda ao lado de representantes da direita europeia e participou de uma palestra no Institut de Formation Politique, voltado a jovens conservadores.

Sem fotos

Nos últimos meses, Flávio também esteve em El Salvador e Estados Unidos para participar de agendas com políticos de direita locais.

Nos dois países, entretanto, Flávio não conseguiu posar para fotos com os principais líderes locais. Em El Salvador, que se tornou destino de políticos brasileiros por causa do projeto de segurança, o senador não encontrou o presidente Nayib Bukele.

Já a ida aos EUA s trouxe certa frustração. Como O GLOBO mostrou, Flávio tentou um registro ao lado do secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio. A invasão da Venezuela por tropas americanas e a captura de Nicolás Maduro, nos primeiros dias de 2026, entretanto, atrapalahram os planos do filho do ex-presidente.