Flávio encerra agenda nos EUA no mesmo dia em que Lula desembarca para encontro com Trump
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarca de volta ao Brasil nesta quarta-feira, no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca nos Estados Unidos para o encontro marcado com o presidente americano Donald Trump, previsto para quinta-feira. A coincidência das agendas ocorre em meio à antecipação da disputa presidencial de 2026 e mobiliza tanto aliados do governo quanto integrantes do bolsonarismo, que tentam medir os possíveis impactos políticos da aproximação entre Lula e Trump.
Flávio está nos Estados Unidos desde o início da semana. A principal agenda do senador ocorreu na segunda-feira, em um jantar realizado na casa do empresário Marcelo Kayath, ex-executivo do Credit Suisse, em Miami. O encontro reuniu empresários, banqueiros e representantes do mercado financeiro brasileiro. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também participou da reunião e embarcou de volta ao Brasil logo depois.
Entre os presentes estavam Emmanuel Hermann, fundador do Leste Group; Jaimes Almeida Júnior, fundador do grupo de shoppings Almeida Júnior; e Guilherme Valle, sócio da CapitalPar.
Segundo interlocutores, o foco do encontro foi apresentar a empresários a agenda econômica que Flávio pretende defender caso dispute o Palácio do Planalto, com medidas voltadas à redução da carga tributária, desburocratização e aproximação com o setor privado.
Entre aliados do senador, a avaliação é que a viagem também serviu para ampliar pontes com setores do mercado que historicamente demonstram resistência ao bolsonarismo.
Durante a passagem pelos Estados Unidos, Flávio também se reuniu com o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive no país desde o ano passado. Os dois conversaram sobre cenários eleitorais e sobre como seria o anúncio de Eduardo como suplente do presidente da Alesp, André do Prado, na corrida pelo Senado. O ex-deputado fez uma postagem ontem à tarde.
Aliados do senador afirmam que a viagem já estava programada antes da confirmação do encontro entre Lula e Trump, mas admitem que a reunião entre os dois presidentes entrou na pauta das conversas entre Flávio e Eduardo.
Dentro do bolsonarismo, há divisões sobre os efeitos políticos do encontro.
Uma ala avalia que uma aproximação cordial entre Trump e Lula pode acabar desgastando Eduardo Bolsonaro, que vinha explorando sua interlocução com o entorno trumpista como ativo político. Esse grupo lembra que o deputado licenciado já sofreu desgaste interno durante a crise do tarifaço, quando aliados da direita passaram a responsabilizá-lo, reservadamente, pelos impactos diplomáticos e econômicos da escalada com os Estados Unidos.
Outro grupo faz leitura oposta e vê espaço para que Flávio tente explorar eleitoralmente a reunião entre Lula e Trump. A avaliação é que, ao buscar interlocução direta com o presidente americano, Lula enfraquece o discurso de enfrentamento externo e abre brecha para críticas da oposição em torno da pauta da soberania nacional.
O governo, por sua vez, aposta na agenda internacional para tentar recuperar fôlego político após a derrota sofrida no Senado com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Auxiliares de Lula avaliam que a reunião na Casa Branca pode ajudar a reforçar a imagem de articulação internacional do presidente e gerar anúncios com potencial de impacto eleitoral.
A expectativa é que Lula trate com Trump de temas como tarifas comerciais, minerais críticos, combate ao crime organizado e cooperação em segurança pública.
