Flávio diz que Zema foi ‘precipitado’ em crítica sobre relação com Vorcaro: ‘Merecia o benefício da dúvida’
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira que o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) foi “precipitado” ao criticá-lo publicamente após a divulgação de mensagens e áudios sobre negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Pré-candidato à Presidência, Zema disse que as conversas do parlamentar com o banqueiro era "um tapa na cara do Brasil".
Em conversa com jornalistas antes de embarcar para o Rio de Janeiro, Flávio disse que tentou ligar para Zema após as declarações do governador e afirmou que “merecia o benefício da dúvida”.
— Eu acho que ele foi precipitado, inclusive tentei ligar para ele ontem para conversar. Uma pessoa que é nova na política precisa entender que também tem uma grande responsabilidade de ajudar os brasileiros a se livrarem do PT. Acho que eu merecia, pelo menos da parte dele, o benefício da dúvida. Ele se equivocou em se antecipar e me pré-condenar. Eu jamais faria isso com ele — afirmou.
Flávio também elogiou a postura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), após a repercussão do caso.
— Quero agradecer ao Caiado, que fez um posicionamento respeitoso comigo. Ele já foi vítima de uma perseguição como essa — disse.
A crise começou após reportagem do Intercept Brasil divulgar mensagens e documentos que apontam negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar o filme. Segundo a publicação, o acordo previa aportes de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — para a produção cinematográfica.
Nesta sexta-feira, Flávio voltou a negar irregularidades e afirmou que os recursos relacionados ao projeto foram direcionados a um fundo de investimento responsável pela produção do filme.
— Eduardo não recebeu dinheiro do filme. Todos os recursos que foram enviados ao fundo foram fiscalizados. Não temos nada a nos preocupar com isso — disse.
O senador afirmou ainda acreditar que os aportes negociados para o projeto tenham chegado a cerca de US$ 16 milhões, embora tenha dito não ter precisão sobre os valores.
— Os detalhes eu não sei precisar, mas acredito que tenha sido algo em torno de 16 milhões de dólares — afirmou.
Flávio também disse que a última parcela paga por Vorcaro ocorreu em maio de 2025 e afirmou que, naquele momento, “não estava tudo com evidência”.
— Eu estava cobrando que o contrato fosse cumprido. É difícil arrumar investidores para um filme como esse. Depois do que aconteceu com ele, a relação foi encerrada — declarou.
O senador viajou na manhã desta sexta-feira para o Rio após dois dias dedicados a reuniões de crise e articulações políticas em Brasília provocadas pela divulgação de mensagens, documentos e áudios sobre tratativas com Vorcaro para financiar o longa-metragem. Apesar da turbulência, Flávio garantiu a aliados que manterá a agenda de pré-campanha prevista para este fim de semana. Após o Rio, ele seguirá para o interior de São Paulo, onde participará de eventos em Sorocaba e Campinas ao lado do deputado federal e pré-candidato ao Senado Guilherme Derrite.
Na quarta-feira, a cúpula da pré-campanha presidencial do senador realizou uma reunião de emergência em Brasília com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho e integrantes do núcleo jurídico e de comunicação da campanha.
Na nota divulgada após o encontro, Flávio admitiu ter buscado “patrocínio privado para um filme privado” sobre o pai, mas negou qualquer irregularidade na relação com Vorcaro. O senador afirmou que não recebeu vantagens pessoais, não intermediou negócios públicos e não utilizou recursos públicos no projeto.
Apesar do desgaste provocado pelo caso, aliados do senador afirmam que ele tem buscado transmitir internamente a avaliação de que a repercussão tende a perder força nos próximos dias e que a pré-campanha presidencial seguirá normalmente. Segundo interlocutores, Flávio também reforçou em conversas reservadas que não pretende desistir da disputa presidencial nem abrir espaço para discussões sobre substituição de sua candidatura.
