O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, acusou neste sábado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de tentar “comprar o voto dos mais pobres” com o reajuste do Bolsa Família e classificou a medida como um “ato de desespero” na reta final da eleição. Durante comício em Joinville (SC), o presidenciável questionou o momento escolhido pelo governo para elevar o benefício e afirmou que Lula poderia ter adotado a medida nos três primeiros anos do mandato. — O desespero do sistema bateu de vez. O Lula fez uma confissão há dois dias, quando, num ato de desespero, ele aumentou o Bolsa Família. Ele deu a prova de que ele não pensa no povo brasileiro, de que ele pensa só nele — afirmou Flávio.
O governo anunciou na quinta-feira o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, elevando o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691. A medida foi anunciada a pouco mais de duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Flávio passou a usar a proximidade da votação para questionar a motivação do aumento. No discurso, o candidato afirmou que Lula poderia ter elevado o benefício em 2023, 2024 ou 2025 e citou ainda o envio da proposta de Orçamento para o próximo ano como outra ocasião em que, segundo ele, o governo poderia ter previsto o reajuste. — Se ele pensasse no povo brasileiro, ele tinha feito isso lá em 2023, no primeiro ano de governo. Não fez. Poderia ter feito em 2024, não fez. Podia ter feito em 2025, também não fez. Podia ter feito há duas semanas, quando mandou o Orçamento para o ano que vem, também não fez — disse.
Flávio relacionou então diretamente a decisão do governo ao cenário eleitoral e às pesquisas de intenção de voto. — Sabe o que ele fez, gente? Ele viu as pesquisas, aí ele foi e tentou comprar o voto dos mais pobres, dando R$ 90 de reajuste para o Bolsa Família. Que vergonha, Lula — afirmou.
Apesar das críticas, Flávio já afirmou que manterá o novo valor do Bolsa Família caso seja eleito. A campanha também decidiu não recorrer à Justiça Eleitoral contra o reajuste. O deputado federal Zé Trovão (PL-SC), no entanto, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar a medida. No ato em Joinville, Flávio também reforçou a estratégia de buscar a concentração de votos na reta final para tentar encerrar a disputa já no primeiro turno. — Não vamos perder as oportunidades, vamos resolver no primeiro turno para começar a recolocar o Brasil nos trilhos — afirmou. Flávio volta a atacar Gonet e STF Flávio também criticou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro em uma confraternização em Londres. O candidato associou o episódio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e acusou ministros indicados por Lula de promoverem uma “força-tarefa” para proteger Alexandre de Moraes. — Quem criou essa crise foi o governo Lula. Foram os ministros do Lula no Supremo Tribunal Federal, que promovem ali uma força-tarefa para proteger o Alexandre de Moraes. Foi o presidente Lula que indicou o Paulo Gonet para ser procurador-geral da República, que reconduziu — afirmou. O registro mostra Gonet com um charuto nas mãos, sentado próximo ao dono do Banco Master e diante de uma mesa com copos de uísque. A imagem veio a público dias depois de o procurador-geral negar, durante o julgamento no STF sobre a abertura de uma investigação envolvendo Moraes, ter relação de proximidade com Vorcaro. Na ocasião, Gonet reconheceu ter encontrado o banqueiro em abril de 2024, em um evento com outras autoridades, e classificou uma ligação entre os dois, intermediada por um advogado, como “brevíssima e banal”. A pessoas próximas, o procurador-geral sustenta que a fotografia foi feita justamente nesse encontro e que o registro não demonstra intimidade com Vorcaro. Ao retomar o episódio em Joinville, Flávio fez referência ao uísque e aos charutos. — O que a gente percebe é que, enquanto tem brasileiros que estão sem comida na mesa, tem aquele pessoal da tropa do Lula que está tomando uísque Macallan, fumando charuto caro e rindo da cara do povo — disse. Carlos leva camisa assinada por Bolsonaro Quem também participou do ato foi o irmão do presidenciável, Carlos Bolsonaro, candidato ao Senado por Santa Catarina. Ele vestiu uma camisa do Joinville assinada pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a prisão domiciliar. Ao mostrar a peça ao público, Carlos disse ter levado a camisa anteriormente ao pai para que fosse assinada. — Ele não pode estar aqui conosco, mas eu levei a camisa para ele assinar e eu trouxe comigo um pedacinho dessas pessoas que vocês amam — disse. Joinville é a primeira parada de Flávio neste sábado em Santa Catarina. À tarde, o candidato segue para Chapecó, no Oeste do estado, onde participa de um novo ato de campanha.
O Globo