O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), disse hoje que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino pratica "perseguição política" na Corte e no Maranhão. A fala foi proferida pelo senador durante agenda no reduto eleitoral do magistrado.
"O Flávio Dino está ali para fazer perseguição política, como ele tem feito aqui no Maranhão, usando seletivamente o inquérito que ele tem, que é um inquérito sobre emendas parlamentares, que é um novo inquérito do fim do mundo. Tem um monte de gente na relação desse inquérito, parlamentares suspeitos de mau uso de emendas parlamentares, que são aliados do Flávio Dino aqui no Maranhão. Aí, contra esses, não acontece nada. Por que, seu Flávio Dino? Então, vamos ter vergonha na cara e seja juiz, deixe de ser um militante na Suprema Corte", declarou o postulante a jornalistas após um comício na capital São Luís.
Flávio também acusou Dino de utilizar de seu cargo no STF para proteger o ministro Alexandre de Moraes, seu colega na Corte. O senador fez referência ao pedido de vista realizado pelo ministro durante o julgamento de abertura de apuração sobre uma suposta conexão de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para que a deliberação sobre o tema seja retomada, Dino precisa devolver o processo ao plenário da Corte.
"Eu vou indicar mais cinco ministros para acabar com esse tormento. O Judiciário não é Alexandre de Moraes, o Supremo não é Flávio Dino — uma pessoa que agiu ali com um desdém, com um desprezo, com uma soberba contra os outros para defender o seu colega Alexandre de Moraes. E jamais ele pensou em proteger, em aplicar a Constituição ou em fazer justiça ou fazer investigação", afirmou o candidato.
Além do inquérito sobre emendas parlamentares, Dino também é relator de um inquérito que apura o uso de recursos desviados de emendas parlamentares para financiar o filme "Dark Horse", que trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por conta disso, Flávio também já acusou o ministro de atuar politicamente na condução dessas investigações, especialmente após ele autorizar operação de busca e apreensão contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que pertence ao grupo político bolsonarista.
O senador quer reforçar o discurso anti-STF em sua campanha para atrair eleitores, que não necessariamente são bolsonaristas, a votar nele. Durante as agendas das quais participa, ele tem destacado que o próximo presidente da República poderá renovar parte da Corte com a nomeação de pelo menos quatro ministros para o tribunal.
Valor