Flávio Dino proíbe produtora de Dark Horse de firmar contrato com o poder público

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu a Go Up Entertainment, da jornalista Karina Gama, de licitar e contratar com o Poder Público, em "qualquer esfera federativa". A Go Up é a produtora de "Dark Horse", o polêmico filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, que só deve estrear nos cinemas brasileiros após as eleições. Leia também: André Mendonça homologa delação premiada de operador de 'Dark Horse' A produtora entrou na mira de uma operação da Polícia Federal, autorizada por Dino, para investigar o financiamento do filme e a suspeita de desvio de emendas parlamentares. “Dark Horse” abriu uma crise na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República após o site Intercept Brasil publicar mensagens do senador cobrando dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para o financiamento da produção. Proprietária da Go Up Entertainment, a jornalista Karina Ferreira da Gama nunca lançou nenhum filme, nem no Brasil e nem no exterior. Karina entrou no projeto do filme pelas mãos do deputado federal Mario Frias (PL-SP), que assina o roteiro de “Dark Horse”, sobre a carreira política de Jair Bolsonaro. Tanto Frias quanto Karina foram alvos da operação de busca e apreensão autorizada por Dino.

Além da Go Up, as outras duas empresas de Karina que constam no sistema da Agência Nacional de Cinema (Ancine) – a Go7 Assessoria e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) – também foram alvos da operação da PF. Assim como a Go Up, elas nunca registraram nem lançaram nenhuma produção em território nacional, seja em cinema, TV aberta ou fechada. Dino proibiu a Go7 de licitar e contratar com o poder público. No caso do ICB, o ministro suspendeu "o exercício de qualquer atividade de natureza econômica ou financeira". De acordo com um relatório da PF, Karina "papel central na gestão das entidades responsáveis pela execução dos projetos financiados com recursos oriundos de emendas parlamentares, sendo identificada como um dos principais elos entre as organizações beneficiárias e os fornecedores contratados". 72% dos gastos de ‘Dark Horse’ ocorreram nos EUA, diz perícia privada De acordo com uma perícia privada contratada pela Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, das cinco fases de realização do projeto, apenas uma (as filmagens) ocorreu no Brasil. As demais foram feitas nos Estados Unidos. A Go Up nunca lançou nenhum filme nos cinemas brasileiros. A perícia também apontou que 72% dos gastos com o filme ocorreram nos Estados Unidos e apenas 28% no Brasil. Ao todo, “Dark Horse” teria custado US$ 13,39 milhões, o equivalente a R$ 75,18 milhões na cotação de câmbio utilizada pelo perito Anísio Costa Castelo Branco. Os gastos nos EUA incluem não apenas a pré-produção (US$ 2,66 milhões) e a pós-produção do filme (US$ 1,96 milhão), mas também a produção (US$ 1,97 milhão), além de despesas com o desenvolvimento do projeto (US$ 383,2 mil) e a fase chamada de "soft production" (US$ 2,69 milhões), focada em questões logísticas e administrativas, anterior à pré-produção. Segundo cinco produtores do mercado audiovisual brasileiro ouvidos reservadamente pelo blog, os gastos com as etapas iniciais do filme foram estratosféricos. Eles chamam atenção para o fato de que, segundo a perícia, os gastos na “soft produção” (uma fase embrionária de definição de questões conceituais do filme) de US$ 2,68 milhões representam 20% do orçamento total de US$ 13,39 milhões. Em média, um filme reserva entre 3% a 5% do seu orçamento para essa etapa.

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