Flávio deve visitar Bolsonaro para debater decisão dos EUA contra PCC e CV e substituto de Castro ao Senado no Rio
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na manhã desta sexta-feira para discutir o nome que substituirá o ex-governador Cláudio Castro na disputa pelo Senado no Rio de Janeiro. Segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO, a conversa ocorrerá antes da viagem de Flávio para Curitiba e deve servir também para o senador conversar com o pai sobre os desdobramentos da viagem aos Estados Unidos, incluindo a decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Aliados de Flávio avaliam que a decisão americana fortaleceu politicamente a pré-campanha presidencial do senador após semanas de desgaste provocadas pela crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. O tema da segurança pública e a aproximação com o trumpismo passaram a ser tratado como um dos principais ativos da campanha.
A reunião acontece um dia após Castro anunciar sua desistência. Na noite de quarta-feira, o ex-governador telefonou para o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e para o presidente estadual da legenda, Altineu Côrtes, afirmando que abriria mão da disputa para se dedicar à própria defesa diante da sequência de investigações envolvendo sua gestão e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Na quinta-feira, o ex-governador gravou um vídeo tornando sua decisão pública.
Nos bastidores, integrantes do partido afirmam que a palavra final sobre a substituição deverá passar diretamente pelo aval de Bolsonaro. A avaliação de aliados de Flávio é que a permanência de Castro na chapa havia se tornado politicamente insustentável e poderia contaminar a estratégia nacional da pré-campanha presidencial do senador.
Hoje, dois nomes aparecem à frente no páreo: o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, e o deputado federal Carlos Jordy. Entre integrantes da cúpula do PL ouvidos pelo GLOBO, a aposta é que o escolhido seja Sóstenes. Interlocutores da legenda afirmam que o deputado ganhou força nos últimos dias por combinar fatores considerados estratégicos para o bolsonarismo no Rio: forte inserção entre lideranças evangélicas, trânsito consolidado no interior do estado e perfil alinhado ao núcleo ideológico mais fiel ao ex-presidente. Há quem pondere, contudo, que ele faria falta como articulador na Câmara.
Procurado pelo GLOBO sobre a possibilidade de assumir a candidatura, Sóstenes afirmou que é um “soldado do partido”.
Apesar da vantagem de Sóstenes neste momento, integrantes do PL afirmam que a definição ainda não está fechada e que outras alternativas seguem sendo avaliadas.
Entre os nomes monitorados está o deputado federal Carlos Jordy, que há meses se movimenta internamente com o objetivo de disputar o Senado e voltou a ganhar espaço nas conversas após o enfraquecimento político de Castro. Jordy tem apoio de parte da ala mais ideológica do partido e mantém interlocução próxima com setores importantes do bolsonarismo fluminense. Seus defensores afirmam que o deputado é o nome que mais deseja a vaga.
No entanto, dirigentes da legenda avaliam reservadamente que pesa contra o deputado sua menor capilaridade entre prefeitos fluminenses e lideranças do interior.
Outro nome lembrado por integrantes do partido é o do senador Carlos Portinho. Apesar de aliados avaliarem que ele possui boa interlocução política e perfil técnico bem visto dentro do PL, dirigentes ponderam reservadamente que Portinho nunca disputou uma eleição majoritária própria no estado — ele assumiu o mandato após a morte do senador Arolde de Oliveira, em 2020. Integrantes da legenda afirmam ainda que o senador já vinha trabalhando com a perspectiva de disputar uma vaga na Câmara e hoje atua na coordenação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Um quarto nome também passou a ser monitorado por integrantes do partido: o da mãe de Flávio Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro. A possibilidade é defendida por parte da ala bolsonarista por causa do potencial de mobilização do sobrenome Bolsonaro no estado. Interlocutores do senador, porém, afirmam que Flávio tem dado sinais de que prefere uma alternativa com mais experiência política.
Após o encontro com o pai, Flávio seguirá para Curitiba, onde terá agendas ao lado do senador Sergio Moro e do ex-deputado Deltan Dallagnol. A movimentação faz parte da estratégia da pré-campanha presidencial do senador de reforçar o discurso de combate à corrupção após a crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
