Flávio Bolsonaro se nega a dar mais informações sobre

Flávio Bolsonaro se nega a dar mais informações sobre 'Dark Horse' e evita dizer se mudará regra do salário mínimo

Fonte: Bandeira da fonte

O candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, voltou a dizer, nesta sexta-feira (28), que não há mais esclarecimentos pendentes sobre suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e o financiamento do filme "Dark Horse".
Em entrevista à TV Globo, o senador evitou dar detalhes sobre sua proposta de ajuste fiscal e não respondeu se, caso seja eleito, mudará as atuais regras de valorização do salário mínimo.
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A relação entre Flávio e Vorcaro vieram a público em maio, quando o site Intercept Brasil revelou a existência de mensagens em que o senador cobra o envio de recursos para o filme.
Na ocasião, Flávio disse se tratar de uma negociação privada e prometeu, em 30 dias, prestar contas do uso dinheiro, o que não ocorreu.
Questionado sobre o contrato firmado para o financiar a cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e sobre uma planilha detalhada com os gastos da produção, Flávio afirmou que as informações já foram apresentadas.
“Já está apresentado, já está apresentado”, disse.
Em seguida, porém, afirmou que o contrato não caberia a ele.
“A minha parte nesse filme foi autorizar o uso da minha imagem e captar investidores.
O contrato não cabe a mim.”
Flávio é o quinto entrevistado da série promovida pela emissora.
Na quinta-feira (27), o entrevistado foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na quarta-feira (26), o convidado foi Renan Santos (Missão), na terça-feira (25), Ronaldo Caiado (PSD), e, na segunda-feira (24), Romeu Zema (Novo).

Durante a entrevista, os jornalistas afirmaram a Flávio que a perícia citada por Flávio, contratada pela própria produtora, não teve acesso ao fundo constituído nos Estados Unidos para o qual o dinheiro de Vorcaro foi encaminhado, ponto considerado relevante para esclarecer a origem e o destino do dinheiro.
Flávio repetiu que a perícia teria demonstrado que não houve utilização de recursos públicos.
“Conclui que não tem um centavo de dinheiro público nesse filme.
É uma relação completamente privada”, afirmou.
Um inquérito da Polícia Federal investiga se houve uso de emenda parlamentar para o custeio do filme.

O senador negou que tenha recebido pessoalmente os R$ 61 milhões destinados à produção.
“Eu não recebi dinheiro nenhum.
O filme recebeu.
A produtora fez o filme”, disse.
Confrontado com as mensagens que mostraram que procurou Vorcaro para obter recursos, reconheceu: “Eu pedi um patrocínio.”

Flávio também foi questionado sobre a mensagem enviada ao banqueiro na qual afirmou “estou e estarei contigo sempre”.
Segundo ele, a declaração dizia respeito exclusivamente ao projeto cinematográfico.
“A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme, mais nada”, afirmou.
Disse que queria assegurar a conclusão da obra, que classificou como um projeto sobre um “herói”.
“O presidente Bolsonaro merece uma obra de arte, uma obra-prima, como um filme contando a história.”

A sabatina também abordou a visita feita por Flávio à casa de Vorcaro depois de o banqueiro ter sido preso e já estar usando tornozeleira eletrônica.
Perguntado se considerava adequado que um senador da República visitasse um banqueiro investigado por fraudes bilionárias, Flávio não respondeu diretamente e voltou suas críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Flávio sustentou que sua relação com Vorcaro sempre esteve restrita ao filme e que não houve qualquer contrapartida relacionada ao exercício de seu mandato.
Também afirmou que apoia a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.
Segundo ele, a comissão permitiria esclarecer tanto sua relação com Vorcaro quanto as relações do banqueiro com integrantes do governo.

Os entrevistadores insistiram em perguntar se o candidato se comprometia a tornar públicos os documentos e detalhes do financiamento.
“Já estão”, respondeu.
Diante da observação de que a planilha detalhada e outras informações ainda não haviam sido divulgadas, Flávio insistiu que o caso está esclarecido.
Ajuste nas contas e salário mínimo
Visto por parte do mercado como o candidato que pode promover um severo ajuste nas contas públicas, Flávio Bolsonaro evitou dizer se mexerá nas regras de reajuste do salário mínimo e das aposentadorias.
O senador afirmou que o ajuste em seu eventual governo virá de “corte de impostos e da corrupção”.
“Não farei economia com quem ganha salário mínimo, não farei economia com aposentados.
Eu vou fazer a economia cortando corrupção, fazendo tesouraço na burocracia, reduzindo os impostos.”
Questionado sobre o tamanho do ajuste fiscal prometido em seu programa de governo, Flávio não apresentou números, prazos nem uma meta para a trajetória da dívida pública.
Também não indicou quais despesas relevantes seriam cortadas.
Em diferentes momentos da entrevista, os apresentadores perguntaram de quanto seria o ajuste, em reais ou pontos do PIB, e a que patamar o candidato pretendia levar a dívida.
As perguntas ficaram sem resposta.
Flávio afirmou que reduzirá o número de ministérios e cargos comissionados, cortará burocracia e revogará mais de mil atos normativos”.
Também disse que pretende economizar recursos por meio do combate à corrupção e da criação de um sistema tecnológico para acompanhar os gastos públicos.
Nenhuma dessas medidas foi acompanhada de estimativa sobre seu impacto fiscal.
Ao ser questionado sobre a política de valorização do salário mínimo, criticada por integrantes de sua própria equipe econômica, Flávio evitou dizer se fará mudanças.
O candidato sustentou ainda que sua eleição contribuiria para derrubar os juros.
“A taxa de juros já vai cair na reunião seguinte do Copom do Banco Central”, disse.
Segundo Flávio, cada ponto percentual de redução da taxa representaria cerca de R$ 90 bilhões em recursos que poderiam ser utilizados pelo governo.
Mudanças climáticas e ministro da Saúde
Na parte final da entrevista, Flávio evitou responder se acredita ou não nas mudanças climáticas e aproveitou para anunciar Cláudio Lottenberg como seu ministro da Saúde, caso seja eleito.
Questionado sobre declarações anteriores em que atribuiu as alterações do clima a fenômenos cíclicos, Flávio foi confrontado com as evidências científicas sobre o aquecimento global.
Ao ser perguntado diretamente se acredita no fenômeno, respondeu: “Não.
Eu acho que tem eventos climáticos extremos”.
Flávio afirmou que existem “épocas que fazem mais calor, épocas que fazem mais frio, épocas que chovem mais” e acrescentou não acreditar que esses fenômenos tenham relação direta apenas com a ação humana.
Questionado se essa posição não significava negar as evidências científicas, voltou a dizer que reconhece a existência de eventos climáticos extremos, sem responder sobre o aquecimento global provocado pela atividade humana.
Nos minutos finais da entrevista, Flávio aproveitou uma pergunta sobre políticas públicas para anunciar Cláudio Lottenberg como ministro da Saúde.
“Eu quero agradecer ao doutor Cláudio Lottenberg por aceitar esse convite para ser o meu ministro da Saúde”, afirmou.
Médico oftalmologista, Lottenberg é presidente do conselho do Hospital Israelita Albert Einstein.