Flávio Bolsonaro repete retórica do pai e diz que Moraes 'vai querer desequilibrar' as eleições com atuação no STF

 

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Pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) disse durante sessão plenária do Senado que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes "vai querer desequilibrar" as eleições com a atuação na Corte. Na declaração, que emula a retórica adotada pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), durante o pleito de 2022, o senador lembrou que o magistrado não compõe mais o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas citou inquéritos presididos por ele que, segundo o político, poderiam ser usados para limitar sua liberdade de expressão.

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Flávio pediu a palavra ao presidente da Casa legislativa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e complementou críticas feitas anteriormente por Alessandro Vieira (MDB-SE), cujo relatório da CPI do Crime Organizado pediu o indiciamento de três ministros do Supremo, do procurador-geral da República, Paulo Gonet; acabou derrubado na comissão; e gerou nova crise entre Congresso e STF. O filho do ex-presidente afirmou que "todos os Poderes deveriam refletir e evitar ataques excessivos mutuamente" e aproveitou para culpar Moraes de "cometer uma série de atrocidades" e "desrespeitar vários princípios da democracia", a pretexto de defendê-la, e violar direitos de políticos de direita.

— Eu quero só fazer esse registro, Presidente, porque está muito clara qual é a estratégia. Já que agora Alexandre de Moraes não está mais no TSE, ele vai querer desequilibrar as eleições lá do Supremo com esse inquérito, aberto há sete anos, esse malfadado inquérito das fake news, que atrai tudo o que ele quiser e quem ele quiser. Isso vai ser recorrentemente usado durante as eleições deste ano para tentar me impedir de expressar o meu ponto de vista e falar a verdade sobre, inclusive, ele — disse Flávio.

Como mostrou O GLOBO no mês passado, o inquérito das fake news completou sete anos de tramitação no STF em meio a críticas externas e pressões para que o presidente do tribunal, Edson Fachin, tome iniciativa para encerrá-lo. A apuração tornou-se um dos principais instrumentos de reação do Supremo a ataques, campanhas de desinformação e ameaças contra ministros e instituições, mas acumulou controvérsias ao longo do tempo, com a ampliação progressiva do objeto investigado.

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Neste mês, Moraes determinou a abertura de inquérito policial para apurar suspeita de calúnia do senador Flávio Bolsonaro contra o presidente Lula (PT), que deve ser seu principal oponente nas urnas em outubro. Em representação enviada ao STF, a Polícia Federal apontou que o senador usou sua conta na rede social X em janeiro deste ano para associar imagens do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a Lula.

"Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…", dizia o texto destacado por Moraes.

Em nota, Flávio disse que a apuração configura uma tentativa de "cercear a liberdade de expressão". Já no Senado, ele disse ter recebido a notícia do pedido de inquérito "com surpresa, pela imprensa".

— (...) Depois de uma petição simples, coincidentemente distribuída para o Ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal, de uma postagem minha, numa rede social, em que eu falo: "Lula será delatado", por ocasião da prisão de Nicolás Maduro, seu grande amigo, de longa data. Ele tem muito orgulho, inclusive, de estar sempre publicamente próximo e de fazer gestos, inclusive financeiros, usando o dinheiro do brasileiro, em relação à Venezuela. Onde está a imunidade Parlamentar? Onde está a liberdade de expressão? Uma petição simples de ser arquivada, porque não tem nenhuma base, nenhum fundamento. Não está tratando de ofensa a ninguém. Está tratando da opinião de um Senador da República.

Flávio defendeu que "há um desequilíbrio entre os Poderes", e só o Senado Federal "tem condições de restabelecer a harmonia para que possamos sonhar em ter uma democracia plena mais uma vez".

— Isso fica para reflexão, porque essa prática não dá mais para aceitar em outras eleições, agora, em 2026 — acrescentou.