Flávio Bolsonaro inicia giro da pré-campanha entre Nordeste e Sul para ampliar presença onde é fraco e consolidar redutos
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciará nas próximas semanas uma sequência de viagens pelo país com o objetivo de estruturar palanques estaduais, consolidar alianças regionais e ampliar a presença política da direita antes do primeiro grande ato nacional de sua pré-campanha presidencial, previsto para o dia 30 de março, em São Paulo.
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O roteiro inclui compromissos no Nordeste e no Sul e envolve desde eventos de filiação partidária até o lançamento de candidaturas estaduais. Nos bastidores do Partido Liberal, a agenda é interpretada como uma etapa inicial de organização política da campanha, voltada à montagem de bases eleitorais nos estados e à consolidação das alianças que deverão sustentar o projeto presidencial do senador.
A estratégia desenhada por aliados combina dois movimentos considerados centrais para a candidatura: tentar ampliar a presença da direita em regiões historicamente menos favoráveis ao bolsonarismo, como o Nordeste, e reforçar redutos eleitorais onde o campo conservador tradicionalmente registra desempenho mais forte, caso da região Sul.
A primeira parada da agenda está marcada para o dia 21 de março, em Natal, onde o PL pretende oficializar a chapa majoritária da direita para as eleições no Rio Grande do Norte. O evento deverá confirmar o ex-prefeito Álvaro Dias como candidato ao governo estadual, tendo Babá Pereira como vice. Para o Senado, a composição inclui o senador Styvenson Valentim (PSDB) e o militar Coronel Hélio (PL).
Nos bastidores do partido, o encontro é tratado como uma tentativa de organizar o campo da direita no estado e evitar a dispersão de candidaturas. A composição anunciada também encerra a possibilidade de entrada do empresário Flávio Rocha na chapa apoiada pelo PL.
A escolha do Nordeste para abrir o giro político tem leitura estratégica dentro da campanha. Apesar de a região historicamente concentrar forte apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliados de Flávio avaliam que ampliar a presença política no Nordeste é condição necessária para tornar viável uma candidatura presidencial competitiva.
Na avaliação de integrantes do PL, a estratégia passa por fortalecer lideranças regionais e ampliar a estrutura partidária nos estados, mesmo que o desempenho eleitoral da direita na região ainda seja inferior ao registrado em outras partes do país.
No dia seguinte, 22 de março, Flávio estará em João Pessoa para participar do evento que deve cunhar a filiação do senador Efraim Filho ao PL. Atualmente líder do União Brasil no Senado, Efraim deve migrar para o partido após disputar, sem sucesso, o controle da federação formada entre União Brasil e Progressistas na Paraíba.
A filiação é tratada pela direção nacional do PL como um reforço relevante na região e deve reunir lideranças da cúpula da legenda, incluindo o presidente do partido, Valdemar Costa Neto.
Além de Efraim, aliados do senador paraibano também avaliam migrar para o PL, movimento que pode ampliar a presença do partido no estado e fortalecer o grupo político ligado ao parlamentar.
Após as agendas no Nordeste, o senador seguirá para o Sul do país, região onde o bolsonarismo tradicionalmente apresenta maior capilaridade eleitoral. No dia 27 de março, Flávio estará em Santa Catarina para cumprir compromissos políticos ao lado do governador Jorginho Mello (PL), aliado próximo da família Bolsonaro.
A agenda no estado deve incluir encontros com lideranças políticas e representantes do setor produtivo, além de atividades voltadas à mobilização da base conservadora local. Dentro do PL, Santa Catarina é tratado como um dos principais redutos eleitorais da direita e um estado estratégico para a campanha presidencial.
No dia seguinte, 28 de março, o senador participa em Porto Alegre do ato de lançamento da pré-candidatura do deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) ao governo do Rio Grande do Sul.
O evento deve reunir lideranças estaduais e nacionais dos partidos que discutem a formação de uma aliança da direita no estado, incluindo PL, Progressistas, Novo, Podemos e Republicanos. A articulação envolve ainda a possibilidade de lançar candidaturas competitivas ao Senado, com nomes como os deputados Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL).
A passagem pelo Sul também é vista por aliados como uma forma de reforçar a presença política do senador em um eleitorado historicamente mais receptivo ao bolsonarismo e consolidar palanques estaduais alinhados à candidatura presidencial.
A sequência de viagens culmina no evento marcado para o dia 30 de março, em São Paulo, considerado pelo entorno de Flávio como o primeiro grande ato de sua pré-campanha. A expectativa é que o encontro reúna parlamentares, lideranças partidárias, empresários e representantes do mercado financeiro.
Além de apresentar diretrizes iniciais de seu plano de governo, aliados afirmam que o senador poderá aproveitar o evento para sinalizar nomes que deverão integrar sua equipe econômica em um eventual governo.
Nos bastidores da campanha, a aproximação com o mercado financeiro é tratada como uma etapa importante da pré-candidatura. Antes do evento público, o senador também deverá cumprir uma rodada de encontros reservados com investidores, gestores e empresários na capital paulista.
A ideia, segundo interlocutores, é testar a receptividade à candidatura e reduzir resistências ao nome de Flávio entre agentes econômicos, além de apresentar linhas gerais da agenda econômica que deverá orientar o programa de governo.
Dentro do PL, a avaliação é que a combinação entre o giro político pelos estados e o ato nacional em São Paulo deverá marcar a transição da pré-candidatura para uma fase mais estruturada da campanha, com maior definição de palanques regionais, consolidação de alianças partidárias e aproximação com diferentes setores da sociedade.
