O candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, passou mais de uma semana se preparando para a entrevista que concedeu nesta sexta-feira à TV Globo.
Na reta final, o treinamento passou a reproduzir o formato da sabatina, com um homem e uma mulher escalados para simular as funções de César Tralli e Renata Vasconcellos.
A mulher que participou da série de questionamentos prévios era a própria esposa do candidato, Fernanda Bolsonaro.
No dia da entrevista, Flávio passou o dia inteiro dedicado à preparação para a sabatina, segundo interlocutores.
Como o candidato não tem participado de debates, a campanha tratava a entrevista como uma oportunidade para responder a questionamentos diante de um grande contingente de eleitores e mostrar que estava disposto a enfrentar perguntas sobre sua trajetória.
Além de assumir o papel de entrevistadora nas simulações, Fernanda também orientou o marido sobre sua postura diante das câmeras.
Durante os treinamentos, insistia para que Flávio olhasse diretamente para a câmera ao responder aos questionamentos.
A justificativa, segundo auxiliares, era que ele deveria "falar com o povo".
A participação da esposa no treinamento ocorre em meio ao aumento de seu espaço na campanha.
Mulher de Flávio, Fernanda é dentista e tem aparecido com mais frequência tanto em eventos eleitorais quanto nos bastidores da candidatura.
A estratégia busca, entre outros objetivos, aproximar o candidato do eleitorado feminino e reforçar uma imagem ligada à família.
Fernanda já vinha sendo incorporada às ações da campanha voltadas às mulheres e deve ganhar ainda mais espaço na agenda eleitoral.
A avaliação entre aliados é que sua presença pode ajudar Flávio a construir uma imagem mais próxima desse eleitorado e apresentar uma dimensão mais familiar da candidatura.
Ela também foi citada por Flávio em suas primeiras inserções do programa eleitoral, transmitidas nesta sexta-feira.
Segundo interlocutores, o treinamento foi além das perguntas que foram feitas na entrevista.
A equipe antecipou que Flávio poderia ser confrontado com temas espinhosos de seu passado político e preparou respostas para assuntos como as acusações de rachadinha, o caso Dark Horse e sua relação com Adriano da Nóbrega — questões que eram tratadas como inevitáveis de aparecem dentre os questionamentos.
Parte desse roteiro acabou aparecendo na entrevista.
Flávio foi questionado sobre a homenagem que concedeu a Adriano, sobre a relação com Daniel Vorcaro e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, além da condenação do pai pela trama golpista, das urnas eletrônicas e das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
No caso do Dark Horse, Flávio afirmou que não houve contrapartida em seu mandato para o financiamento do filme e disse que "não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar financiamento para o filme do próprio pai".
Apesar disso, quando questionado se apresentaria detalhes dos valores gastos no filme, Flávio se esquivou, afirmando que se tratou de "uma relação privada".
— Todo o patrocínio que foi feito foi usado no filme.
Eu pedi à produtora que apresentasse a prestação de contas, e isso foi feito na investigação que corre na Polícia Civil de São Paulo.
É do completo interesse dar transparência.
O que a perícia conclui? Que não tem um centavo de dinheiro público.
É uma relação totalmente privada.
E mostra que o filme custou mais do que o patrocínio que ele fez.
Já sobre Adriano da Nóbrega, sustentou que a homenagem ocorreu quando o ex-policial ainda era reconhecido no Bope e que não havia, à época, informações que o relacionassem a crimes.
Flávio Bolsonaro fez simulação de bancada e usou a própria esposa como entrevistadora antes de sabatina
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