Flávio Bolsonaro diz que pediu a Trump para declarar PCC e CV como terroristas e afirma que campanha tem

Flávio Bolsonaro diz que pediu a Trump para declarar PCC e CV como terroristas e afirma que campanha tem 'altos e baixos’

 

Fonte: Bandeira



O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comentou nesta terça-feira o encontro que teve com o presidente americano Donald Trump na Casa Branca, em Washington. A reunião ocorreu após semanas de desgaste provocadas pelas revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master, e foi tratada pela pré-campanha do senador como uma tentativa de virar a página da crise.

Na abertura da coletiva após o encontro, Flávio afirmou que a reunião representava um reconhecimento internacional da sua pré-candidatura presidencial.

— Nunca antes um presidente dos Estados Unidos recebeu no Salão Oval um pré-candidato brasileiro à Presidência da República em pleno ano eleitoral. Isso não é coincidência. É reconhecimento de que existe hoje no Brasil uma alternativa séria, sólida e confiável ao desastre do atual governo — afirmou.

Questionado sobre o impacto político do caso Vorcaro, o senador negou que sua campanha esteja atravessando uma crise.

— Crise de quê? Campanha tem altos e baixos. Tenho segurança de que sou a única alternativa contra um governo horrível, que gasta de forma desenfreada. Não tem nenhuma crise na minha campanha. Eu já esclareci tudo e agora quem tem que se explicar é o PT da Bahia.

Segundo Flávio, um dos principais temas discutidos com Trump foi a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

—Pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

Flávio afirmou que argumentou ao presidente americano que as facções brasileiras atuam de forma semelhante a grupos terroristas internacionais.

— Essas organizações corrompem agentes públicos, infiltram instituições, intimidam testemunhas e coordenam atentados. Quem faz isso não é gangue. É organização terrorista, ponto.

Segundo o senador, Trump respondeu que o tema está sendo analisado pelo governo americano, mas sem apresentar posição definitiva.

Além da pauta de segurança pública, Flávio afirmou que discutiu com Trump investimentos estratégicos, terras raras e tarifas comerciais envolvendo exportações brasileiras. O senador disse ter sinalizado que, caso seja eleito em 2026, pretende reconstruir a relação bilateral para evitar novas sobretaxas contra empresas brasileiras. No ano passado, o presidente norte-americano chegou a anunciar um tarifaço, posteriormente revogado.

— Sobre o tema das tarifas, deixei claro ao presidente que sob o meu governo não haverá necessidade de retaliação comercial contra o Brasil. Faremos um acordo comercial e de investimentos sólido, bom para os dois países.

Flávio também afirmou que apresentou ao presidente americano um plano de aproximação regional entre governos de direita da América Latina.

— Disse ao presidente Trump que, a partir de janeiro de 2027, o Brasil vai integrar o escudo das Américas, formando uma grande aliança hemisférica contra o crime organizado transnacional e o terrorismo.

Flávio afirmou que Jair Bolsonaro foi um dos temas abordados por Trump no encontro. Segundo o senador, o presidente americano perguntou sobre as condições da prisão domiciliar do ex-presidente e sobre como a família estava lidando com a situação. Flávio disse ter transmitido um abraço do pai ao republicano e afirmou que, ao fim da reunião, recebeu de Trump uma “challenge coin”, moeda de honra tradicionalmente entregue por presidentes americanos a aliados e convidados considerados próximos.

Durante a coletiva concedida após o encontro, o estrategista republicano Jason Miller, um dos aliados políticos de Trump e responsável por campanhas digitais do trumpismo, apareceu rapidamente no local e cumprimentou Flávio. Miller já esteve no Brasil em agendas ligadas ao bolsonarismo e mantém interlocução frequente com Eduardo Bolsonaro e integrantes do entorno conservador brasileiro.

A agenda, de acordo com pessoas próximas a Flávio, foi articulada por interlocutores ligados ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos Estados Unidos, e do influenciador Paulo Figueiredo, aliado do bolsonarismo no entorno republicano americano. Os dois entraram rapidamente na sala para posar para uma fotografia.

Uma comitiva acompanha Flávio em Washington. Esperaram o senador, do lado de fora, os deputados estaduais Cristiano Caporezzo (PL-MG), Leandro de Jesus (PL-BA), Gil Diniz (PL-SP) e Paulo Mansur (PL-SP), além do vereador de Manaus Coronel Rosses (PL).

Segundo relatos feitos ao GLOBO, Flávio passou a manhã reunido com Eduardo e Paulo Figueiredo para alinhar os detalhes do encontro e discutir a estratégia política da viagem. Até o início da tarde, a reunião com Trump não constava oficialmente na agenda divulgada pela Casa Branca, o que vinha alimentando apreensão dentro do PL sobre a possibilidade de cancelamento ou remarcação de última hora.

Enquanto aguardavam o sinal verde do governo americano, Flávio e Eduardo permaneceram no hotel The Willard, tradicional endereço próximo à Casa Branca usado com frequência por aliados do trumpismo em Washington.

Nos bastidores da campanha, a foto de Flávio ao lado do presidente americano vinha sendo tratada como uma das principais apostas da pré-candidatura para interromper o ciclo de desgaste provocado pelas revelações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção audiovisual sobre Jair Bolsonaro ligada ao entorno de Eduardo nos Estados Unidos.

Mensagens e áudios revelados pelo portal “Intercept Brasil” mostram que Flávio pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o projeto. No total, R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.

Aliados do senador avaliam que a imagem ao lado de Trump ajuda a reforçar a associação internacional do filho de Jair Bolsonaro ao trumpismo justamente num momento em que a pré-campanha enfrenta pressão crescente dentro da própria direita e passou a conviver com discussões sobre alternativas presidenciais ao senador, como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).

Além da reunião com Trump, Flávio também teve encontros com interlocutores ligados ao Partido Republicano e assessores próximos do Departamento de Estado americano. Segundo integrantes da campanha, as conversas incluíram temas ligados à cooperação em segurança pública, combate ao crime organizado, minerais críticos e tarifas comerciais envolvendo exportações brasileiras.

Flávio deve permanecer em Washington até quarta-feira e retornar ao Brasil na quinta. Na sexta-feira, o senador tem agenda prevista em Curitiba.