Flávio Bolsonaro discursará por cinco minutos em audiência do USTR

Flávio Bolsonaro discursará por cinco minutos em audiência do USTR

Fonte: Bandeira



O pré-candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), discursará por cinco minutos em audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), nesta terça-feira (7), em Washington.

O início de sua fala está previsto para às 11h, no horário de Brasília.


O senador passou a segunda-feira se preparando para falar às autoridades norte-americanas e está com o discurso pronto.

Flávio Bolsonaro será o primeiro a falar no painel, que terá ainda a participação de Roberto Azevêdo, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Letícia Sperb Masselli, representando a Abicalçados.


Como o Valor mostrou, Flávio pretende em sua fala se reposicionar como negociador, reverter eventuais associações das tarifas ao bolsonarismo, “virar a página” da crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e interromper a sucessão de reveses que marcaram o início de sua pré-candidatura ao Planalto.

Mas, adversários do senador já apontam risco de que o tiro saia pela culatra.


Flávio tem afirmado que defenderá o Pix e falará contra a imposição de tarifas a produtos brasileiros, em defesa das empresas.

Hoje, Flávio afirmou que "o comportamento de Lula é deliberado para atrair as tarifas" e que o presidente, provável adversário do senador na disputa à Presidência este ano, "é o principal fator de risco para o Brasil ser tarifado".


Apesar das afirmações de Flávio, o foco da gestão Lula permanece nos canais de diálogo diretos com o governo de Donald Trump.

Na semana passada, houve uma videoconferência entre auxiliares brasileiros e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Em nota, o governo brasileiro afirmou que as duas partes reconheceram a necessidade de aprofundar as negociações.

Ainda há expectativa de uma nova agenda até dia 15 de julho — data prevista para a conclusão do processo administrativo da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação americana.


Na rodada de conversas da semana passada, o governo brasileiro indicou a possibilidade de reduzir taxas para cerca de 300 linhas tarifárias, como em equipamentos e máquinas, a exemplo da área da saúde e tecnologia de informação.

Ainda, apresentou aos Estados Unidos uma espécie de “mapa do caminho” para demonstrar o compromisso do Brasil com os temas levantados na investigação com base na Seção 301 e evitar a taxação de 25%.


Já Flávio, encaminhou na quinta-feira (2) um documento de 86 páginas ao USTR, solicitando que a eventual aplicação de tarifas contra produtos brasileiros, no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana, seja adiada até depois das eleições brasileiras de outubro.

No documento, sustenta que medidas dessa natureza tenderiam a fortalecer Lula, que é candidato à reeleição, politicamente.

Isso porque a imposição de tarifas ao Brasil por parte de Washington, no ano passado, traduziu-se em crescimento da popularidade do petista nas pesquisas eleitorais.


No domingo, já da capital americana, o parlamentar afirmou, durante uma live antes do jogo entre Brasil e Noruega, que Lula é “o único do mundo que quer a tarifação” e acusou o petista de ter “lavado as mãos” diante das negociações com os americanos, embora o governo brasileiro tenha enviado respostas a Washington.


No documento protocolado no USTR, Flávio sinalizou disposição de reduzir a tributação das empresas de pagamento americanas, buscar acordos bilaterais com os EUA se libertando “das amarras do Mercosul”, além de trabalhar em prol de um acordo recíproco de tarifa zero para etanol e açúcar.


Esses pontos já estão sendo explorados pelos seus críticos no governo federal.

Em relação à sinalização sobre meios de pagamento, argumenta-se que o senador acenou com incentivos para empresas estrangeiras sem apontar a compensação do ponto de vista fiscal.

Para interlocutores de Lula, Flávio também sinaliza que aceita zerar as tarifas cobradas do etanol importado, ponto importante para o setor sucroalcooleiro e para o Nordeste, sem garantir contrapartidas americanas.

Região que vota majoritariamente no PT, o Nordeste é justamente um dos alvos de Flávio para tentar recuperar terreno nas pesquisas de intenção de votos.


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu enviar observadores às audiências públicas promovidas pelo USTR, que discutirão a investigação comercial americana que pode resultar na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Na avaliação do governo, as audiências têm caráter técnico e não integram as negociações bilaterais já em curso entre Brasil e Estados Unidos.


Integrantes da gestão afirmam que a decisão de não enviar representantes com poder de negociação reflete o entendimento de que o Brasil já conseguiu estabelecer um canal direto de diálogo com a Casa Branca para tratar do tema.

Para a gestão petista, as audiências são espaço para a sociedade e empresariado, apesar de elas serem monitoradas pelo governo.


Após ouvir especialistas e representantes de empresas, a USTR deve tomar uma decisão a respeito da definição sobre a aplicação das tarifas de 25% até 15 de julho.