Flávio Bolsonaro defende pausa de um ano na reforma tributária; ‘modelo precisa ser revisto’, diz coordenador da campanha
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a defender uma pausa de um ano na implementação da reforma tributária para rediscutir pontos centrais do novo modelo de cobrança sobre o consumo. A proposta é uma das principais apostas do entorno do senador para tentar reorganizar a pré-candidatura presidencial após a crise provocada pela revelação de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A defesa da revisão da reforma é feita por Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, e foi apresentada nesta quarta-feira pelo senador em conversas com empresários e interlocutores do mercado financeiro em São Paulo.
A ideia consiste em suspender por um ano a entrada em vigor do novo sistema para rever o desenho do IVA, recalibrar regimes especiais e rediscutir fundos criados durante a tramitação da proposta no Congresso.
— Nós sabemos quais são os problemas da reforma. Você tem um IVA estimado em 29%, quase R$ 900 bilhões em isenções contratadas e fundos que acabaram gerando aumento de dívida pública fora dos parâmetros fiscais. Houve uma série de regimes especiais e benefícios para setores específicos que desequilibraram o processo como um todo — afirmou Marinho ao GLOBO.
Segundo o coordenador da campanha, a proposta não significa rejeitar o conceito de IVA, mas rever o modelo aprovado durante o governo Lula. A avaliação do grupo é que a regulamentação acabou se afastando da promessa inicial de simplificação tributária.
Marinho também sustenta que a combinação de regimes especiais, isenções e fundos de compensação elevou a alíquota final e ampliou distorções fiscais. Segundo ele, o prazo de transição previsto atualmente pode estimular evasão, judicialização e planejamento tributário agressivo.
— O que estamos apresentando é um prazo de transição de um ano para rever esse modelo. Do jeito que está, vamos criar mais elisão, mais sonegação e mais evasão fiscal — afirmou.
A proposta começou a circular num momento em que aliados de Flávio passaram a defender uma mudança de postura da campanha após os danos políticos provocados pelo caso Vorcaro. Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que o senador precisa voltar rapidamente ao debate programático e apresentar agendas capazes de reorganizar tanto o eleitorado bolsonarista quanto setores do mercado financeiro e empresariado que vinham sendo trabalhados pela pré-campanha nos últimos meses.
A crise explodiu após a divulgação de mensagens e áudios em que Flávio cobrava pagamentos de Vorcaro relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, projeto audiovisual sobre Jair Bolsonaro.
O desgaste aumentou ainda mais depois de o senador admitir internamente que também procurou o banqueiro pessoalmente em São Paulo após a primeira prisão do empresário, quando ele já cumpria prisão domiciliar e era monitorado por tornozeleira eletrônica.
Diante desse cenário, aliados passaram a defender que a campanha acelere anúncios de propostas e antecipe parte do plano de governo que antes seria apresentada apenas mais perto da oficialização da candidatura.
Na área econômica, a revisão da reforma tributária virou uma das prioridades do discurso da campanha para tentar reconstruir pontes com empresários e investidores. Uma ala crescente do entorno de Flávio também passou a pressionar pela apresentação mais clara da equipe econômica da candidatura, numa tentativa de reproduzir o efeito que Paulo Guedes teve sobre setores do mercado na campanha de Jair Bolsonaro em 2018.
Já na segurança pública, outro tema escolhido para reposicionar a campanha foi a defesa da redução da maioridade penal. Aliados avaliam que a pauta possui forte capacidade de mobilização do eleitorado conservador e pode ajudar Flávio a retomar o fôlego politico.
